domingo, 3 de julho de 2011

DEMOCRATIZAR A CBF





A Confederação Brasileira de Futebol há muito vem sendo denunciada por ser palco de corrupção. No passado uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI em âmbito federal foi barrada graças à intervenção de políticos corruptos. Não é de se estranhar que um dos cinco vice-presidentes da CBF seja Fernando Sarney, filho do gangster José Sarney.

Sócrates e Casa Grande foram um dos protagonistas da chamada “democracia corintiana”, termo cunhado pelo o publicitário Washington Olivetto ao período em que os jogadores do Corinthians participavam das decisões do clube. No Brasil é raro haver jogadores com posições políticas, no mínimo progressistas. O próprio Sócrates que teve uma atuação importante na democracia corintiana depois fora eleito pelo PSDB. Na atualidade a maioria de ex-jogadores eleitos para a câmara federal faz parte ou são aliados dos partidos da burguesia.





Talvez seja por isto que a categoria dos jogadores de futebol não se proponha a interferir nos rumos da CBF, particularmente no que se refere à eleição de seu presidente. Hoje o presidente da CBF é eleito através de assembléia geral. Desta assembléia só participam os representantes das federações e os representantes dos clubes da primeira divisão. Da mesma forma os membros da federação são eleitos pelas ligas municipais e seus respectivos dirigentes de clubes. Ou seja, aqueles que são atingidos – os atletas – não elegem os dirigentes que tomam as decisões que os afetam.
Acredito que uma forma de democratizar a CBF seria alterar a forma de eleger o seu presidente assim como seus cinco vice-presidentes. A fórmula seria simples:

• Eleição direta nacional a cada quatro anos;
•Além das federações e dos clubes cada jogador da primeira divisão teria direito a um voto;
• O Conselho Fiscal só poderia ser exercido pelos atletas.
• Esta fórmula seria estendida para as federações.


Se houvesse uma mudança como essa muita coisa em nosso futebol poderia melhorar, assim como a cabeça política atrasada de muito jogador de futebol.

sábado, 2 de julho de 2011

Imprensa burguesa versus imprensa operária Por trás do discurso da imparcialidade, a chamada grande imprensa esconde o seu real caráter de classe


"Deveria recorda-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês é um instrumento de luta movido por idéias e interesses (...). Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma idéia: servir a classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora. É preciso dizer e repetir que a moeda atirada distraidamente para a mão do ardina é um projétil oferecido ao jornal burguês que o lançará depois, no momento oportuno, contra a massa operária.
(Antônio Gramisci, O jornal e os Operários)


Jornal Nacional, 2 de junho. Logo no início, a notícia da greve dos trens da região metropolitana de São Paulo. Na reportagem, o drama de milhares de pessoas que ficaram a pé, sem ter como ir ao trabalho, ou obrigadas a enfrentar metrôs ou ônibus lotados. A matéria termina com um suspiro e o olhar reprovador de Fátima Bernardes.

Em seguida, cenas da repressão policial (ou “confronto”) a um protesto de estudantes contra o aumento da passagem de ônibus em Vitória (ES). Fechando o bloco, o telejornal mostra sua visão sobre a greve dos professores estaduais da Bahia. “Setenta mil estudantes das universidades estaduais estão há dois meses sem aula”, afirma com grave tom de voz a âncora global.

Por trás de reportagens supostamente isentas, surge uma mensagem bem clara, ainda que não dita de forma explícita por Fátima Bernardes ou William Bonner: greves só trazem prejuízos ao povo, e mobilização é sinônimo de transtorno público.

O Jornal Nacional é tradicional porta-voz dos interesses do poder, a ponto de o então ditador Médici ter declarado: “cada vez que ligo a televisão no Jornal Nacional, sinto-me feliz, porque no jornal da Globo o mundo está caótico, mas o Brasil está em paz. É como um tranquilizante após um dia de trabalho”.

O telejornal da Globo é um símbolo, mas o exemplo pode ser generalizado para toda a chamada “grande imprensa”. Todo ativista sabe que não existe imprensa livre ou imparcial. Ela sempre tem um lado. E a imprensa lida ou assistida pela maior parte da população, contraditoriamente, não atende aos interesses dessa maioria.

A mídia burguesa e o seu papel

A imprensa é um genuíno produto do capitalismo moderno. Surgiu e se expandiu com a própria burguesia, principalmente após a Revolução Industrial. Mas foi apenas no século 19 que o jornalismo adquiriu sua forma atual, com jornais de tiragem massiva, tornando-se não só um propagador de ideias, mas também um negócio rentável.
Um dos pioneiros da imprensa nos EUA, o empresário William Hearst, inspirador do filme “Cidadão Kane”, tinha um lema: “Ninguém perde dinheiro ao subestimar a inteligência do público”. Expressa dessa forma o início da era dos tablóides sensacionalistas, verdadeiros instrumentos de alienação travestidos de informação.

Numa era em que os regimes despóticos das monarquias foram substituídos pela democracia liberal, tornou-se necessário criar eficazes ferramentas de propaganda ideológica. Foi preciso estender para toda a sociedade o domínio das mentes exercido antes pela velha Igreja Católica entre as comunidades de camponeses. Os meios de comunicação deram a resposta a isso.

Porém, a mídia só iria se tornar um dos principais sustentáculos ideológicos da burguesia no decorrer do século 20, com o avanço dos meios de comunicação de massa. O cinema, o rádio e a televisão foram, nas sociedades industriais, fundamentais para o estabelecimento de um “consenso”, que na verdade expressava a hegemonia da burguesia.

Assim como todos os setores da economia na fase imperialista do capitalismo, as empresas de comunicação também sofreram um violento processo de concentração. Hoje, existem grandes oligopólios com tentáculos em todas as vertentes de mídia. O dono da rede Fox, Rupert Murdoch, um dos homens mais ricos do mundo, é o Hearst moderno. Monopólios tomados agora também pelo capital financeiro, num entrelaçamento de interesses e poder em que já não se pode determinar quando começa um e termina outro.

Atualmente, apenas 20 grandes transnacionais de mídia controlam quase toda a informação produzida no planeta, segundo o professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e estudioso da mídia Denis Moraes.

Monopólio e coronelismo midiático no Brasil

No Brasil, grandes monopólios de mídia dominados por poucas famílias convivem com feudos regionais, verdadeiros coronéis da mídia que se utilizam da imprensa para se perpetuarem no poder. Contam, para isso, com uma das legislações mais permissivas do mundo, que não coloca qualquer barreira à concentração no setor e à propriedade cruzada de veículos de comunicação. Assim, uma mesma família que controla um grande jornal, também pode ter emissoras de rádio e TV e um portal na internet.

Quando a legislação impõe certos limites, por outro lado, é devidamente ignorada. Como na propriedade de emissoras de rádio e televisão por parlamentares. Apesar de proibido, 21% dos senadores e 10% dos deputados federais detêm concessões de rádio ou TV, segundo levantamento do Transparência Brasil. Isso sem falar em políticos que passam o nome dessas concessões para parentes ou laranjas.

O mito da imparcialidade

No capitalismo, a mídia sob controle dos grandes conglomerados passa a visão de mundo da burguesia. Defende os interesses da classe dominante como os interesses de toda a sociedade. Foi assim, por exemplo, durante as privatizações ao longo da década de 90 no Brasil. A imprensa construiu um grande consenso em torno da necessidade da venda das estatais à iniciativa privada. Tornou-se ideia majoritária que o Estado era incompetente e perdulário e deveria ser “enxugado”.

Campanha parecida pode ser observada hoje sobre a reforma da Previdência Social ou a “necessidade” de uma reforma trabalhista que torne o país mais “competitivo”. A imprensa de forma geral não explica como funciona ou é financiada a Previdência pública, apenas se preocupa em alardear seu suposto déficit. A lógica se lê nas entrelinhas: é preciso uma reforma.

Não teria efeito algum, porém, se a imprensa burguesa assumisse de forma explícita a defesa desses interesses. Ao contrário, poderia causar uma reação inversa. É preciso esconder. Para isso foi elaborada uma grande ideologia própria à imprensa: o mito da imparcialidade e da objetividade jornalística. Um conjunto de técnicas desenvolvido para transformar um texto, ou um discurso, em “verdade”. Segundo essa lógica, o jornalista seria um observador neutro com o objetivo apenas de divulgar os fatos tal como os percebe.

A estrutura do texto jornalístico que podemos ler, por exemplo, na Folha de S. Paulo ou em qualquer outro grande jornal, é copiada de um padrão consolidado nos EUA. São matérias impessoais, frias, com a objetividade de um documento de cartório. É o pacote que embala a ideologia burguesa. Não é à toa que o professor Perseu Abramo, editor da Folha no final dos anos 1970, afirmava que um jornal possuía a estrutura de um partido político, com suas teses e manifestos, mas de forma camuflada.

Os trabalhadores e a imprensa

Desde que começaram a se organizar de maneira independente, os trabalhadores viram a importância de terem seus próprios meios de comunicação. Isso significa que a imprensa operária “surgiu com o próprio movimento operário”, na definição de Maria Nazareth Ferreira, pesquisadora do tema.

Ela vai ter, assim, um desenvolvimento específico de acordo com o processo de formação do movimento dos trabalhadores em cada país. No Brasil, os primeiros jornais surgiram já no século 19, com as primeiras fábricas no irregular processo de industrialização do período. É uma imprensa que cresce com o movimento sindical, sob forte influência imigrante, sobretudo italiana, e de orientação anarcossindicalista.

Esse tipo de jornal chegou a ter certa força e influência. Segundo Vitor Giannoti, em 1919, período de grandes greves que agitaram várias capitais, foram criados dois jornais operários diários, “A Plebe”, em São Paulo, e “A Hora Social”, no Recife.
A partir da década de 1920, com a fundação do PCB e seu crescimento no movimento operário, o anarquismo deu lugar à imprensa comunista. Nos anos 1940, de 1946 a 1947, as principais capitais contavam com jornais diários do “partidão”, com o carioca “Tribuna Popular” tendo uma tiragem de 20 mil jornais, comparável ou superior a certos jornais burgueses.

Já no período da ditadura militar instaurada em 1964, a chamada “imprensa alternativa” cumpriu um importante papel num momento em que os jornais dos partidos de esquerda eram clandestinos ou simplesmente não encontravam possibilidades de existir. Jornais como “Movimento”, “Versus” e “Coojornal” funcionavam como verdadeiras “frentes jornalísticas”, abrigando em suas redações jornalistas de distintas tendências políticas. Atuavam, sobretudo, na classe média e no meio estudantil.

No final dos anos 1970, com o início da queda da ditadura e o ascenso operário no ABC, a imprensa alternativa foi substituída por uma série de jornais das organizações que saíam da clandestinidade. Foi o caso da recém-fundada Convergência Socialista. Junto a isso, a imprensa sindical também ganhava novo impulso, com as oposições expulsando os pelegos das entidades.

Uma imprensa de esquerda

Pode-se dizer que a imprensa operária tem as suas próprias características, distintas da imprensa burguesa. Primeiro, se define de forma clara como uma imprensa que tem um lado. Não há disfarces nem ilusão de imparcialidade. Seus jornalistas são produzidos pelo próprio movimento operário. Assim, antes de jornalistas, são ativistas comprometidos com a classe trabalhadora.

O Opinião Socialista, apesar de seus breves 15 anos, se inscreve nessa longa tradição de imprensa operária. Uma tradição, infelizmente, abandonada pela quase totalidade das organizações que um dia reivindicaram a estratégia da revolução socialista, mas que com o passar dos anos se acomodaram com a perspectiva meramente eleitoral.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A ALUMAR QUE VOCÊ NÃO VÊ NA TV – PARTE 1



Conforme prometido este blog estará relatando detalhes de um processo que vários eletricistas movem contra a ALUMAR. Este processo completará 22 anos em outubro de 2011. Com esta atitude nós vamos demonstrar como a justiça brasileira é cega, mas tem olfato de classe e também a influencia da ALUMAR sobre a justiça do trabalho.

Tudo começou em 1989 quando a direção do SINDIMETAL - Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos do Estado do Maranhão ajuizou uma demanda trabalhista em nome de 95 eletricistas exigindo da empresa o cumprimento de uma lei (Lei 7.369/85 ) que concede um adicional (30%) de periculosidade para os profissionais que trabalham em sistema elétrico de potência. Na época fora realizado uma pericia e seu resultado foi favorável ao pagamento deste direito aos eletricistas.

Em sua primeira defesa a Alumar alegava que não seria obrigada a pagar, pois não é fornecedora de energia (tipo Cemar/Eletronorte), mas sim consumidora. Ou seja, para ela só é possível sofrer acidente elétrico o trabalhador de uma empresa fornecedora de energia. Diga-se de passagem, que só na primeira fase de operação o consumo de energia da Alumar daria para energizar toda a cidade Recife no estado de Pernambuco. Além do mais, a mesma possui mais subestação, na sua unidade fabril, do que todas que a CEMAR utiliza para iluminar o Estado do Maranhão, pois para produzir um quilo de alumínio são necessários oito quilowatts de energia. Nesta fase a produção da empresa era de 250 toneladas mês. Hoje já estamos na quinta fase de produção. Ao longo do processo a empresa vai mudando seus argumentos, na medida em que provamos a sua fragilidade jurídica.




Depois de ser derrotada em seus argumentos jurídicos a empresa começou a perseguir os envolvidos no processo. Sua primeira atitude foi chamar um a um e pressioná-los a desistir do processo sob pena de perder o emprego. Esta ameaça surtiu efeito na maioria dos trabalhadores e a empresa apresentou uma lista à justiça assinada por alguns “desertores” do processo. A parte que não concordou, sob orientação da direção do SINDIMETAL, assinou outra lista que, além de afirmar que não abririam mão do direito, denunciavam ao judiciário e também a Organização Internacional do Trabalho – OIT, a pressão exercida pela empresa. Esta ação mínima fez com que eu e outros trabalhadores, até então meros observadores da ação sindical, entrássemos para a luta na condição de protagonistas. É a prova de que a consciência de classe pode dá saltos num processo de luta direta.

Esta atitude de resistência fez com o juiz do processo tomasse a seguinte decisão: chamar todos os eletricistas em audiência para que os mesmos afirmassem de viva voz se queriam ou não permanecer no processo. Após essa averiguação oral alguns, confirmaram a pressão, e por isto autorizaram a retirada de seus nomes do processo. No entanto, a grande maioria se negou a desistir. Assim, na luta, os gringos sofreram a primeira derrota.

Veio o julgamento final de primeira instância e a Juíza Kátia Arruda deu ganho de causa aos 95 trabalhadores, anulando assim as pretensões da ALUMAR de excluir de imediato grande parte dos trabalhadores. Em sua decisão a juíza disse que os trabalhadores que desistiram só o fizeram porque foram obrigados pela multinacional. Esta decisão já faz mais de 20 anos. A ALUMAR, não convencida, vai tomar outras medidas que serão relatadas no próximo capitulo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

SÃO PEDRO E SÃO MARÇAL DUAS FESTAS POPULARES


Dizem que festa popular é uma uma manifestação popular, cuja a intensidade ultrapasse os limites de uma atividade festiva individual e passe abranger o coletivo. Neste sentido, acabo de chegar da maior festa popular do Brasil. São dez e meia da noite e retornei da festa de São Marçal. Ela acontece há oitenta e cinco anos na Avenida São Marçal no bairro do João Paulo na cidade de são Luís do Maranhão. É o encontro de diversos grupos de bumba-meu-boi. O ápice da brincadeira chama-se "desafio", quando dois grupos de bumba-meu-boi de matraca se encontram e entram em confronto para ver quem cala a voz do grupo adversário ou contrário como comumente se chama. O som contagiante lhe impossibilita ficar parado.

Esta festa popular é antecipada por outra de mesma magnitude que acontece no largo de são Pedro, aonde os bois vão até a capela do santo referido, para serem batizados. Esta acontece no bairro da Madre de Deus.



Nas duas festas, que participo todas as vezes que estou na ilha, tive a oportunidade de brincar de perto em dois grandes batalhões pesados da grande ilha. No dia de São Pedro acompanhei o batalhão da Madre Deus. Descemos a Rua do Teixeira num sol escaldante, mas o calor do sol parecia ser de caloria insignificante diante do calor que irradiava dos brincantes. Tinha uma cabocla que soltava alegria pelos poros junto com a fumaça da Katiroba.

Já no João Paulo acompanhei outro batalhão pesado. Este é do bairro do Barreto. Os cantadores se intitulam quarteto fantástico. Lembro-me de três nomes: Zé Paulo, Sereno e Zé Roque. Os acompanhei desde às quatro horas da tarde. O percurso inicial até o palanque oficial por onde passa todos os bois não conta 500 metros. No entanto, levamos mais de cinco horas para chegarmos ao palanque.

Quando sair de lá ainda faltava passar, boi de Matinha, bairro de Fátima e Pindoba, isto depois de haver passado dezenas de outros batalhões pesados. Agora é só aguardar o próximo ano e repetir a dose. Para você que é maranhense, brasileiro ou de qualquer canto deste planeta fica o convite para estarem no próximo ano nestas duas festas que não precisa de abadá e nem se paga ingresso, por isto ela é genuinamente popular.

terça-feira, 28 de junho de 2011

NOTA DE REPÚDIO

O Movimento Quilombola da Baixada Ocidental Maranhense (MOQUIBOM) vem a público manifestar seu repúdio, diante de várias notícias publicadas em veículos controlados pela senhora Roseana Sarney Murad, sobre a recente vinda, ao Maranhão, das Ministras de Estado Maria do Rosário (Direitos Humanos), Luiza Bairros (Igualdade Racial), Márcia Quadrado (Desenvolvimento Agrário, em exercício), do presidente nacional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda e do presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araújo.

Após décadas de grilagem, pistolagem, assassinatos, torturas e todo tipo de violência contra os camponeses do Maranhão, causa indignação ver a senhora Roseana Sarney noticiar, orgulhosa, que teria dado “uma bronca” neste grupo de autoridades federais, que vieram para cá ouvir nossas legitimas e históricas reivindicações. A suposta grosseria virou notícia e, segundo essas mesmas notícias, o problema teria sido a quebra do protocolo. Às favas com o protocolo! Nós não estamos nem um pouco preocupados com isso. No Maranhão, diante de tanto sangue derramado de nossos irmãos e irmãs, da impunidade que favorece assassinos de camponeses, da corrupção evidente, da completa degeneração do poder público e do avanço avassalador da grilagem, nós não temos nenhum compromisso com protocolos palacianos.

Por razões bem diferentes, o povo maranhense também grita!

A senhora Roseana, se gritou, foi porque certamente queria um espetáculo de mentiras, com fotos e imagens de TV e ela no papel de benfeitora, com todos os outros atores políticos (inclusive as vítimas do latifúndio) atuando como meros coadjuvantes. Jamais compactuaremos com isso! Nós queremos coisas bem diferentes. Nós exigimos respostas concretas do Estado brasileiro! Foi revoltante ler uma mentira publicada no jornal O Estado do Maranhão, de propriedade da senhora Roseana, no dia 21 de junho, véspera da chegada das autoridades federais. Lá estava dito, na primeira página: “Ministras vêm ao Maranhão para conhecer programas fundiários do governo”.


Quanta falta de respeito com a nossa luta! Conhecer programas do governo? Mentira! O presidente do Instituto de Terras do Maranhão, sr. Carlos Alberto Galvão, declarou que o órgão dirigido por ele não tem capacidade para atender 20% da demanda atual – arrecadação de terras públicas para assentar camponeses, titulação de terras quilombolas – por falta de funcionários e recursos financeiros. A verdade é que as ministras vieram ao Maranhão atendendo a uma exigência nossa que, diante de inúmeras situações de opressão, acampamos em frente ao Palácio dos Leões e do Tribunal de Justiça, depois fomos para dentro do INCRA, com 21 pessoas ameaçadas de morte chegando ao extremo de fazer greve de fome. Foi essa legítima pressão social que trouxe todas essas autoridades federais ao Maranhão.

O que importa o protocolo ou a birra de quem quer que seja, diante da imensa gravidade da nossa situação, dos despejos, de lavradores assassinados, de ameaças de morte, associações queimadas, sede de organizações invadidas?

Esperamos, agora, que o governo federal não se intimide com a difícil realidade política do Maranhão, cumpra seu papel e honre os compromissos e a palavra empenhada diante de centenas de pessoas. E esperamos que o governo estadual também apresente à sociedade maranhense um Plano de Trabalho que, efetivamente tenha a capacidade de retirar 1,5 milhão de maranhenses da situação de extrema pobreza - consequência da alta concentração de terras em tão poucas mãos que expulsam e matam; e, da “apropriação por parte de pequenos grupos, mediante influências políticas e corrupção ativa, daquilo que pertence a todos. Esses pequenos grupos fazem do bem público um patrimônio pessoal” (Carta dos Bispos do Maranhão).

Queremos deixar bem claro que o nosso movimento quilombola tem a total e absoluta autonomia em relação a partidos e governos. Por isso, temos a liberdade para seguir reivindicando, cobrando, exigindo e, se preciso for, radicalizando, por aquilo que acreditamos ser o justo.
Nossa luta continuará!


São Luís – MA, 27 de junho de 2011

Pelo Movimento Quilombola da Baixada
Givanildo Nazaré Santos Reges
João da Cruz
Almirandir Madeira Costa
Catarino dos Santos Costa
Maria Teresa Bitencourt

domingo, 26 de junho de 2011

Não é a Grécia. É o capitalismo, estúpido!

Este texto de responsabilidade de Atilio Boron originalmente foi escrito em espanhol.


Os meios de comunicação, consultores, economistas, bancos de investimento, os bancos centrais, ministros das finanças, os líderes não dizem outra coisa a não ser falar de "crise grega". Afora as colocações mal formuladas um representante mais preparado do imperialismo, Bill Clinton, afirma que a crise é do capitalismo e não da Grécia. Que este país, por ser um dos elos mais fracos da cadeia imperialista, é que apresenta com mais clareza os elementos da crise capitalista.

O alarme dos capitalistas, sem dúvida justificado, é que o colapso da Grécia pode arrastar outros países como Espanha, Irlanda, Portugal e comprometendo seriamente a estabilidade econômica e política das grandes potências da União Européia.

Conforme relatado pela imprensa financeira internacional, representando os interesses da "comunidade de negócios" (leia-se: oligopólios gigantes que controlam a economia mundial) a resistência popular às medidas de austeridade brutal proposto pelo ex-presidente da Internacional Socialista e atual primeiro-ministro grego Georgios Papandreou Andreas ameaçam deixar fora todos os esforços até agora se mostrados estéreis para aliviar a crise.

A inquietação se espalha entre os patrões diante das dificuldades econômicas existentes em Atenas, por isso exigem aplicação de políticas brutais de seus supostos salvadores. Com toda a razão e justiça os operários não querem assumir uma crise causada pelos banqueiros, que ameaça uma enorme explosão social que poderá repercutir em toda a Europa e paralisar as lideranças gregas e européias.

A injeção de fundos concedidos pelo Banco Central Europeu, o FMI e os países da zona euro principais têm apenas agravado a crise e estimular movimentos especulativos de capital financeiro. O resultado mais visível foi aumentando a exposição dos bancos europeus ao que já aparece como um inevitável padrão grego. As prescrições well-known do FMI, o Banco Mundial e o Banco Central Europeu: redução dos salários e pensões, demissões em massa de funcionários públicos, leilões de empresas estatais e a desregulamentação dos mercados para atrair investimentos tiveram os mesmos efeitos sofridos por vários países na América Latina, nomeadamente Argentina.

Parece que o curso dos acontecimentos na Grécia está caminhando para um colapso estrondoso como o dos argentinos em dezembro de 2001. Além de algumas diferenças óbvias, há muitas semelhanças para esta previsão. O plano econômico é o neoliberalismo e as mesmas políticas de choque, os principais atores são os mesmos: o FMI e os cães de guarda do imperialismo global, e os vencedores são os mesmos: concentrar capital e especialmente na banca de finanças, os perdedores são também os mesmos: empregados, trabalhadores e setores populares e de resistência social a essas políticas e têm a mesma força que costumava ter na Argentina. É difícil imaginar um pouso suave, aterrissagem suave, nesta crise. O previsível e mais provável é justamente o oposto, como ocorreu no país sul-americano.




É claro que ao contrário da crise da Argentina, o grego está destinado a ter um impacto global incomparavelmente maior. Assim, o mundo dos negócios vê com horror o "contágio" possível da crise e seus efeitos devastadores em todas metrópoles dos países capitalistas.

Estima-se que a dívida pública grega atingiu 486.000 milhões, representando 165% do PIB daquele país. Mas tal coisa ocorre em uma região, a "zona euro", onde a dívida agora está em 120% do PIB nos países do euro, com casos como 143% Alemanha, França, 188% e Grã-Bretanha com 398%. Não devemos esquecer também que a dívida pública dos EUA está agora em cem por cento do seu PIB. Em uma palavra: o coração do capitalismo global está gravemente doente.

Ao contrário da dívida pública da China em relação ao seu PIB, que é enorme, é apenas 7% deste, na Coréia do Sul é de 25% e 34% do Vietnã. Há um tempo em que a economia é sempre política, transforma-se em matemática e os números de cantar. E a música que eles cantam é sempre a mesma: os países estão à beira de um abismo e que a sua situação é insustentável.

A dívida Grega, - disfarçada com sucesso como má gestão e desenvolvimento através de conluio criminoso de interesses entre o governo conservador de Kostas Karamanlis banco de investimento gregos e os favoritos da Casa Branca, Goldman Sachs, - foi financiado por muitos bancos, principalmente na Alemanha e menor grau, na França.

Agora os papéis da dívida são classificados pela agencia Standard & Poors (S & P) entre os piores do mundo: CCC, ou seja, eles têm dívidas de um devedor insolvente e não pagar. Na mesma posição ou pior ultraneoliberal é o Banco Central Europeu, razão pela qual um padrão teria conseqüências cataclísmicas grega para este verdadeiro ministro das finanças da União Européia, localizado fora de qualquer controle democrático.

O resultado das perdas com a falência não só comprometem os bancos gregos expostos, mas também os países em dificuldades, como Espanha, Irlanda, Itália e Portugal, que incorreria pagamentos de juros muito mais elevados do que o presente para equilibrar suas finanças deterioradas. Não precisa muito esforço para imaginar o que aconteceria caso aconteça, como se teme, uma moratória dos pagamentos gregos, que teria primeiro impacto sobre a linha de água da locomotiva européia, na Alemanha.

Os problemas da crise grega (e européia) são estruturais na origem. Não devido a erros ou contratempos inesperados, mas expressar o tipo de resultados previsíveis e esperados quando a especulação e o parasitismo assumi o posto de comando do processo de acumulação de capital. Para alguma coisa no calor da Grande Depressão dos anos trinta John Maynard Keynes recomendou em sua famosa Teoria Geral do Emprego, Juros e Dinheiro, eutanásia do rentista como pré-requisito para assegurar o crescimento econômico e reduzir as flutuações cíclica endêmica no capitalismo. Seu conselho não foi atendido e hoje existem aqueles setores que detêm a hegemonia capitalista, com conseqüências conhecidas por todos. Comentando sobre esta crise, Istvan Meszaros, disse há poucos dias que "uma crise estrutural requer soluções estruturais", medidas que são estritamente rejeitadas pelos administradores da crise. Desejam curar um paciente em estado crítico com aspirina.

É o capitalismo que está em crise para sair dela torna-se imperativo dizer não ao capitalismo o mais rapidamente possível. Só assim superaremos um sistema perverso que leva a humanidade ao Holocausto em meio a um enorme sofrimento e depredação ambiental sem precedentes.

Assim, a chamada "crise grega" é o sintoma agudo da crise geral do capitalismo, que os meios de comunicação da burguesia e do imperialismo dizem por três anos que há formas de melhorar, embora as coisas estejam piorando. O povo grego, com uma forte resistência, demonstra vontade de acabar com um sistema que é inviável. Vamos ter que acompanhá-lo em sua luta e organização de solidariedade internacional para tentar evitar a repressão feroz que é o método, assunto preferido de capital para resolver os problemas criados pela sua ganância exorbitante. Talvez a Grécia, que há mais de 2500 anos inventou a filosofia, a democracia, drama, tragédia e tantas outras coisas, possa retornar às suas origens e inventar a revolução anticapitalista do século XXI. A Humanidade seria profundamente grata.


"Rompa o isolamento. Volte a sentir a satisfação moral de um ato de liberdade... Faça circular esta informação" - Rodolfo Walsh

sábado, 25 de junho de 2011

OS SOBREVIVENTES DO VÔO 1656/89 e ALUMAR QUE VOCÊ NÃO VÊ NA TV.



Ao entrar no site do Consórcio de Alumínio do Maranhão - ALUMAR veremos que ele é “um dos maiores complexos de produção de alumina e alumínio primário do mundo. Inaugurado em Julho de 1984, é formado pelas empresas Alcoa, RioTintoAlcan e BHP Billiton...” O site também diz que a empresa incorpora o conceito de sustentabilidade e que “as pessoas estão sempre em primeiro lugar. ”

Trabalhei nesta empresa por dez anos e posso afirmar que a única coisa que é verdadeiro neste site é alta lucratividade e a remessa de bilhões de dólares para seus países donos (EUA, CANADÁ e a Rainha da Inglaterra) a custa do sangue, suor da classe trabalhadora e das riquezas maranhenses e brasileiras.







Nos próximos meses estarei narrando como a ALUMAR se comporta em relação a seus trabalhadores, particularmente os eletricistas. Foi nesta profissão que trabalhei lá por dez anos. Na época, através do SINDIMETAL, eu e mais 94 eletricistas entramos com um processo (1656/89 - há 22 anos) reivindicando o adicional de periculosidade para a nossa categoria. Esse adicional é um direito dos trabalhadores assegurado pela Lei 7.369/85, uma vez que as atividades ali desempenhadas envolviam serviços de manutenção corretiva/preventiva do sistema elétrico da empresa, manuseando equipamentos e instalações cujo risco elétrico é maior que o da CEMAR e ELETRONORTE.


Este primeiro processo, envolvendo 95 eletricistas, só está durando 22 anos graça à relação perniciosa que ALUMAR exerce com alguns membros da justiça do trabalho. Além deste processo, existem outros três que envolvem um total de mais de 400 eletricistas. Este blog estará lhe esclarecendo, passo a passo, todos os detalhes sobre o primeiro processo numa saga intitulada OS SOBREVIVENTES DO VÔO 1656/89 e ALUMAR QUE VOCÊ NÃO VÊ NA TV.