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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vote contra a direita, vote 16

Escrito por Zé Maria

As eleições estão chegando, e a campanha chega à reta final. Está na hora de decidir em quem votar. Vote contra a direita, vote nos candidatos do PSTU.


Alguns podem pensar que é melhor votar em Dilma para evitar a volta da direita. De fato, as pesquisas têm demonstrado grande possibilidade de Dilma se eleger no primeiro turno. Serra é o representante das privatizações – que Lula não cancelou. Mas quem é a direita?

Na verdade, são “duas direitas” disputando o aparato de Estado. Dilma e Serra têm o mesmo projeto para o país. Nos governos do PSDB e nos dois mandatos de Lula, os banqueiros e os grandes empresários se deram muito bem. No governo Lula, lucraram mais que no de FHC. Alguns dos setores mais importantes da burguesia estão apoiando Lula.



Nós, do PSTU, queremos conversar com os trabalhadores e jovens que estão prestes a votar. Durante os últimos meses, tentamos mostrar aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros uma alternativa que realmente os representasse e atendesse às suas necessidades.



As candidaturas de Dilma, Serra e Marina são apoiadas e financiadas pelos maiores bancos e pelas maiores empresas do país. Depois, no governo, eles pagarão esses favores com ataques aos direitos dos trabalhadores, arrocho salarial e sucateamento da saúde, educação, transportes.



Nós, ao contrário, queremos o apoio dos trabalhadores e estudantes conscientes. Precisamos do seu voto.

Temos orgulho de não aceitar dinheiro de nenhum setor da burguesia. Mantemos nossa independência financeira, o que é imprescindível para manter nossa independência política em relação a todos os setores da burguesia. Ficamos com nossos poucos recursos e nossa campanha modesta.

Em compensação, você não vai ver o PSTU nos noticiários envolvido em escândalos de corrupção. Você não vai ver o PSTU na TV defendendo políticas contra os aposentados, anunciando cortes de recursos para a saúde e a educação.

O PSTU vai estar ao seu lado, nas lutas do dia-a-dia, nas campanhas eleitorais, nas greves por melhores condições de trabalho, pela reforma agrária e todas que servirem para trazer benefícios aos trabalhadores e à juventude, pelo fim da exploração.

Dizemos aos trabalhadores que, se não houver um programa econômico que rompa com o imperialismo e o FMI, as mudanças necessárias ao país não vão acontecer, pois as nossas riquezas são sugadas. É por isso que defendemos o não-pagamento das dívidas, a estatização dos bancos e o controle de capitais e apoiamos as lutas por salário e emprego dos trabalhadores.

Um voto seu no PSTU significa um voto num programa socialista que, se não fossem nossas candidaturas, estaria ausente da campanha eleitoral em boa parte do país. Você que está conosco nas lutas aposte em nós também nas eleições.

Vote em nossos candidatos e convide seus colegas de trabalho, amigos, familiares, vizinhos a votarem 16 também. Some-se à nossa campanha ajudando a convencer mais pessoas a votar em nossos candidatos.

Não será um voto perdido. É um voto para manter viva a luta da classe trabalhadora contra os patrões e fortalecê-la para o futuro. É hora de fortalecer a verdadeira esquerda no país. O voto contra a direita, o verdadeiro voto de protesto é no 16!

Contra burguês, vote 16!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Marina Silva e o neoliberalismo verde

Tal como Collor, FHC e Lula, agora é Marina Silva que aparece para alguns como novidade e com promessa de mudança. No entanto, um olhar mais atento veremos que ela tem algo comum aos outros listrados acima: estar a serviço do capital. A começar pela seu candidato a vice-presidente da república, dono da Natura. Abaixo publicamos uma matéria do site do PSTU sobre o tema (a foto foi extarida do blog do psolsp e não faz parte da materia):

"A senadora Marina Silva saiu do PT disposta a se candidatar à presidência e ser uma alternativa à falsa polarização entre PT e PSDB. Essa foi a versão da senadora e de seu novo partido, o PV, para tal movimentação. Agraciada com generoso espaço na mídia, Marina se colocou enquanto uma alternativa ecológica e sustentável. Uma novidade nessas eleições tão mornas.Dia após dia, porém, vai ficando mais difícil para Marina Silva se diferenciar das duas candidaturas majoritárias. Mais que isso, a senadora que um dia representou a luta dos povos da floresta contra o capitalismo predatório, hoje encarna o discurso neoliberal mais radicalizado e conservador.


A verdadeira face de Marina - Nos sete anos que Marina ocupou o Ministério do Meio Ambiente, o governo Lula liberou os transgênicos e, entre outras coisas, aprovou o projeto que aluga áreas da floresta amazônica ao capital privado. Órgãos federais como o Ibama foram desmembrados e esvaziados para facilitar a concessão de licenças ambientais. A ex-ministra pode alegar que, no governo, não teve forças para se contrapor a isso e que ficou isolada. Seria uma explicação, embora não chegue a ser uma justificativa.


As recentes declarações da candidata do PV, porém, não expressam nenhuma pressão de qualquer outro setor, mas o próprio programa político da ex-ministra. Foi com a liberdade de candidata que Marina disse, por exemplo, que, caso fosse Lula, vetaria o fim do fator previdenciário, medida aprovada pelo Congresso. O fator foi criado por FHC para obrigar os trabalhadores a se aposentarem cada vez mais tarde. Mais que isso, em entrevista à rádio CBN no dia 24 de maio, a candidata do PV defendeu uma reforma da Previdência.


Ouça a entrevista de Marina na rádio CBN - Para quem acompanha o discurso de Marina Silva não chega a ser exatamente uma novidade. Quando o Banco Central decidiu subir a taxa de juros, enquanto José Serra criticava a medida, e Dilma tentava passar ao largo da polêmica, Marina não hesitou em apoiar Henrique Meirelles. A candidata também defende abertamente a “autonomia de fato” do Banco Central. Para elaborar seu programa de governo, a ex-ministra convocou uma equipe de economistas neoliberais, cogitando até mesmo o nome do ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, que comandou a economia durante o governo Itamar Franco.


A farsa do discurso ecológico - Se Marina Silva não se distingue de Dilma e Serra com relação à política econômica, ela pelo menos traz à tona o discurso ecológico, certo? Errado. Com relação à usina de Belo Monte, por exemplo, que contrapõem radicalmente ambientalistas e comunidades indígenas de um lado, e governo e empreiteiras de outro, a ex-ministra nem se posiciona contrária ao projeto. Defende tão somente “maior tempo” para se discutir a questão.


Marina prega o discurso do desenvolvimento sustentável, ou seja, não vê qualquer contradição entre capitalismo e “sustentabilidade”. Isso se expressa na escolha de seu vice, um dos donos da Natura e o 13º homem mais rico do Brasil, o empresário Guilherme Leal, cujo patrimônio é estimado em 2,1 bilhões de dólares. A relação entre o gigante dos cosméticos e a senadora, porém, não é recente. A empresa foi a maior doadora da campanha eleitoral de Marina em 2002.


A empresa, porém, tão afeita ao discurso da sustentabilidade, tem uma ideia bem peculiar do que seja isso. Exemplo disso é o processo movido em 2009 pelo Ministério Público Federal contra a empresa, acusada de “biopirataria” no Acre, o mesmo estado de Marina. Segundo o MPF, a Natura teria usurpado um fruto utilizado por índios da região, o murmuru, para a produção de shampoos e sabonetes, patenteando o fruto. Ou seja, a empresa utilizou um conhecimento milenar dos indígenas para lucrar e ainda quis se tornar proprietária do fruto. Questionada, Marina limitou-se a afirmar que tal disputa era “natural”.


Isso para não falar da exploração da Natura às suas 800 mil “consultoras”, ou vendedoras subempregadas e precarizadas, sem os mínimos direitos trabalhistas. Esse é o exemplo de “ética” e “sustentabilidade” em que a candidatura Marina quer se espelhar.


Sustentabilidade para poucos - Um dos aspectos explorados pelo comitê de campanha do PV é a biografia de Marina Silva. Vindo de uma família miserável de seringueiros do Acre, Marina teve uma trajetória de vida e superação admirável. Partindo desse aspecto, a ideia do partido é traçar um paralelo com a biografia de Lula.


Infelizmente, não foi somente a trajetória pessoal que Marina herdou do presidente, mas também o abandono dos princípios que nortearam sua militância no início e a defesa incondicional dos interesses do grande capital. A única coisa sustentável do programa político de Marina, assim, são os lucros dos bancos e grandes empresas."