Como era esperado, o governo Dilma aprovou com larga vantagem a proposta de R$ 545 para o salário mínimo na Câmara dos Deputados. O governo realizou uma violenta ofensiva para garantir uma maioria esmagadora ao seu projeto, que incluiu ameaças à base aliada e uma propaganda terrorista na mídia.
Com o projeto do governo, os cerca de 47 milhões de trabalhadores e aposentados que sobrevivem com o mínimo não terão aumento real em 2011, enquanto a economia do país cresceu, segundo estimativas, quase 8%.
É a primeira vez desde 1997 que o salário mínimo não tem reajuste real. O valor estabelece apenas a inflação (INPC) do período, pouco mais de 6%, e está bem abaixo da inflação da cesta básica, que em São Paulo, por exemplo, alcançou 16%.
Show de hipocrisia
A votação na Câmara do novo piso nacional foi um show lamentável de cinismo de hipocrisia. De um lado, o governo defendendo o “acordo” estabelecido com as centrais sindicais como CUT e Força Sindical, e de outro, essas mesmas centrais e a oposição de direita, capitaneadas pelo DEM e PSDB, propondo um mínimo de míseros R$ 560 ou R$ 600.
A discussão que se arrastou durante todo esse dia 16 na Câmara teve ares de um filme surrealista. O governo fez de tudo para pintar um cenário apocalíptico caso fosse aprovado um valor acima dos R$ 545. O ministro da Fazenda Guido Mantega chegou a fazer, no dia anterior, um corpo-a-corpo com os parlamentares para pedir voto ao governo.
Durante a discussão sobre o salário, pouco antes da votação, um deputado do governo chegou a advertir sobre uma suposta “insegurança jurídica” que tomaria conta do país caso o governo “descumprisse” o acordo com as centrais. Um desavisado que ligasse a TV Câmara no momento da discussão poderia ter a impressão de que se estava propondo o não pagamento da dívida externa.
Na defesa do não aumento no salário mínimo, deputados do PT e da base governista pintaram um cenário de conto de fadas sobre a situação dos trabalhadores brasileiros, chegando ao escárnio. “Todo trabalhador tem hoje o seu celular, a sua TV de plasma” , discursou o deputado Paulo César (PR). “O salário não é o mais importante para o trabalhador”, chegou a afirmar outro parlamentar.
Encenação
A relatoria do Projeto de Lei dos R$ 545 ficou a cargo do deputado Vicentinho (PT), ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da CUT. Ao defender a proposta, o deputado petista foi vaiado pelos manifestantes nas galerias do plenário, que ainda cantaram: “você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão” . Respondendo aos manifestantes, Vicentinho afirmou ter ao seu lado o apoio de seu sindicato.
O relator rejeitou logo de cara 12 emendas apresentadas ao projeto do governo. Entre as emendas rejeitadas por “inadequação financeira ou inconstitucionalidade” estava a proposta dos R$ 700 do PSOL que, estranhamente, aceitou fazer parte desse lamentável teatro, embora denunciassem a hipocrisia dos demais partidos.
Deputados do PSDB e DEM, que durante anos aplicaram uma política de arrocho, faziam loas ao salário mínimo e a importância de sua valorização. O PT, PCdoB e demais partidos da base do governo, por outro lado, defenderam uma política fiscal “responsável e equilibrada”, tal como os tucanos e então pefelistas faziam durante o governo FHC.
As propostas não diferiam muito uma da outra, mas a ofensiva do governo para aprovar, com folga, o seu projeto parecia questão de vida ou morte. Uma mensagem clara direta do Planalto chegou à Câmara: quem votasse contra o governo poderia dizer adeus a emendas e cargos. A ameaça fez o PDT, do ministro do Trabalho Carlos Lupi, a retirar a proposta de R$ 560.
Sobraram então a proposta de R$ 600 do PSDB, rejeitada por 376 deputados a 103, e a do DEM, estabelecendo os R$ 560 e apoiado pela maioria das centrais, que perdeu por 361 a 120. Uma vitória com folga para o governo.
O projeto vai agora para o Senado e deve ser votado no próximo dia 24.
Mensagem ao mercado financeiro
O esforço do governo Dilma em garantir uma vitória esmagadora na questão do salário mínimo tem o mesmo sentido do anúncio do corte recorde do Orçamento. Trata-se de, logo no início do mandato, indicar ao mercado financeiro que ele terá absoluta prioridade nos próximos quatro anos, como teve nos últimos 16.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
FANTASMAS COM A “PENA” NA MÃO

O Diário da Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão publicado nesta quarta-feira, dia 16 de fevereiro de 2011, corrobora matéria publicada neste blog com o titulo “Jornalismo na Assembléia: toma lá, da cá”, e de outras relacionada a aplicação do dinheiro público nesta casa Legislativa.
Enquanto na Assembléia Legislativa do Paraná o presidente daquele parlamento demite 300 servidores fantasmas na tentativa de moralizar na nossa o caminho é o inverso. Se verificarem o Diário citado, encontrarão, na pagina 23, a nomeação de futuro fantasminhas. O mais grave aqui é que entre estes fantasmas iniciantes, alguns são filhos de jornalistas, o que implica dizer que em pouco tempo os desmandos daquela casa serão acobertados ou no mínimo eles usarão suas penas para justificar os atos do atual presidente Arnaldo Melo. Abaixo enumerarei a paternidade de alguns ghosts:

JOSE RENATO DE SOUSA - Símb. DANS-3 - Chefe de Gabinete.
LUIS ASSIS CARDOSO S. DE ALMEIDA- Símb. DANS-I - Assessor Parlamentar. Blogueiro Luis Cardoso que recentemente publicou matéria contra o sindicato dos servidores efetivos estáveis da Assembléia Legislativa - SIDSALEM por fazer reivindicações justas para os servidores daquela casa.
ROBERTO FERNANDES DA SILVA JUNIOR - Símb. DANS-I - Assessor Parlamentar.Filho do Radialista da Mirante Roberto Fernandes.
Também existe fantasma vindo do além-mar: GLAUCIO DE SOUSA ERICEIRA - Símb. DAS-4 – Assessor de Comunicação Social e atual Assessor da Prefeitura de S. J. de Ribamar. Este não consegui identificar a paternidade, talvez naufragou pelas praias daquela bela cidade.
A lista publicada é extensa e deve está repleta de fantasma e como eles não são muito perceptíveis a olho nu, peço aos leitores que ao verificarem o Diário nos informem se identificarem mais alguns. Se aqui no Maranhão tivéssemos bastantes promotores sérios casos como esses seriam uma página virada da nossa história.
OBS: Publicação retificada no dia 17 de fevereiro para corrigir informações
JORNALISMO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA: “TOMA LÁ, DA CÁ”

É grande o rebuliço entre jornalistas (de fato), alguns blogueiros (se passando por jornalistas) e radialistas que faziam a cobertura da Assembléia Legislativa, que foram exonerados na transição do antigo presidente Marcelo Tavares para o atual Arnaldo. O rebuliço é para voltarem a fazerem parte do quadro de pessoal na gestão do atual Presidente.
Alguns já são conhecidos nos corredores da casa e representam legitimamente os seus respectivos diários e rádios reconhecidos em nosso estado. Outros são marinheiros de primeira viagem e estão pressionando deputados para fazerem parte da lista dos mais de 80 servidores comissionados que integrarão a Secretaria de Comunicação da “casa do povo”.
Dos citados, mesmos os que representam legitimamente seus matutinos, alguns não querem só os seus nomes de volta na folha de pagamento, querem também garantir os nomes de suas esposas, filhos, cunhadas, ex- mulheres e por aí vai.
A tática é simples: alguns publicam matéria contra o inchaço de funcionários no parlamento estadual (que é verdade e correto) ou contra pronunciamentos dos deputados no sentido de garantirem seus pleitos; outros publicam matérias bajuladoras. Os primeiros, depois de atingirem seus objetivos, voltarão a serem brandos com os seus supostos algozes e com os desmandos do parlamento em questão. Os que fazem parte do segundo bloco continuaram bajuladores. E assim, o jornalismo de fato continuará de baixa qualidade e os seus leitores totalmente desinformados.
Egito: governo militar faz ameaças contra greves, que se espalham pelo país
Da redação do SITE Opinião Socialista do PSTU
• Tudo indica que a luta do povo egípcio não terminou com a queda de Mubarak. Sentindo-se fortalecidos, os trabalhadores partem agora para a luta direta por melhorias de suas condições de vida. As greves que deram o empurrão final para o fim da ditadura que durava 30 anos espalham-se agora por vários setores e regiões do Egito, tanto no setor público quanto privado.
Trabalhadores de ônibus e ferroviários do transporte público no Cairo, bancários do Banco Nacional do Egito, o maior do país, petroleiros, metalúrgicos e servidores públicos das mais diferentes áreas, desafiam o governo militar e cruzam os braços. Trabalhadores de um hospital fizeram uma greve que só terminou com a queda do diretor do hospital, ligado ao governo Mubarak e acusado de incontáveis humilhações. Um jornalista da BBC chegou a afirmar que há “uma série de mini-revoluções em curso após a queda de Mubarak” .

O Conselho Supremo Militar que está no poder, emitiu um comunicado nesse dia 14 de fevereiro conclamando os trabalhadores a encerrarem as greves e voltarem ao trabalho. “Nobres egípcios vêem que essas greves em tempos delicados como este levam a resultados negativos” , diz o “Comunicado nº 5” emitido através da TV estatal. A declaração adquire tom de ameaça ao afirmar que o Exército “preveniria caos e desordem”.
Trabalhadores do transporte protestam no Cairo nesse dia 14
A posição do Exército não surpreende já que, mesmo nos momentos finais da ditadura de Mubarak, a instituição pediu aos egípcios para voltarem para casa e encerrarem os protestos. No dia seguinte à renúncia do ditador, os soldados retiraram à força as barracas e manifestantes que insistiam em permanecer na Praça Tahrir.
O novo governo pretende agora colocar fim à revolução e, ao que parece, consolidar um governo militar no país para realizar uma transição que assegure seus privilégios. Em relação às greves, por enquanto apenas “pediram” o final do movimento. A agência de notícias Reuters, porém, chegou a noticiar que fontes militares revelaram que o Exército pretende a proibição das greves e das reuniões sindicais.
Nenhuma confiança no Exército
O novo governo encabeçado pelo general Mohamed Tantawi, conhecido como o “poodle de Mubarak”, não deu qualquer prova de que cumpriria suas promessas de realizar a transição rumo a uma democracia. Apesar de ter dissolvido o Parlamento e suspendido a Constituição da era Mubarak, continua em vigor o estado de emergência e os presos políticos não foram libertos.
O povo egípcio, porém, assim como ignorou o Exército quando pedia a queda de Mubarak, não dá mostras de que ouvirá as Forças Armadas agora. A revolução no Egito continua.
• Tudo indica que a luta do povo egípcio não terminou com a queda de Mubarak. Sentindo-se fortalecidos, os trabalhadores partem agora para a luta direta por melhorias de suas condições de vida. As greves que deram o empurrão final para o fim da ditadura que durava 30 anos espalham-se agora por vários setores e regiões do Egito, tanto no setor público quanto privado.
Trabalhadores de ônibus e ferroviários do transporte público no Cairo, bancários do Banco Nacional do Egito, o maior do país, petroleiros, metalúrgicos e servidores públicos das mais diferentes áreas, desafiam o governo militar e cruzam os braços. Trabalhadores de um hospital fizeram uma greve que só terminou com a queda do diretor do hospital, ligado ao governo Mubarak e acusado de incontáveis humilhações. Um jornalista da BBC chegou a afirmar que há “uma série de mini-revoluções em curso após a queda de Mubarak” .

O Conselho Supremo Militar que está no poder, emitiu um comunicado nesse dia 14 de fevereiro conclamando os trabalhadores a encerrarem as greves e voltarem ao trabalho. “Nobres egípcios vêem que essas greves em tempos delicados como este levam a resultados negativos” , diz o “Comunicado nº 5” emitido através da TV estatal. A declaração adquire tom de ameaça ao afirmar que o Exército “preveniria caos e desordem”.
Trabalhadores do transporte protestam no Cairo nesse dia 14
A posição do Exército não surpreende já que, mesmo nos momentos finais da ditadura de Mubarak, a instituição pediu aos egípcios para voltarem para casa e encerrarem os protestos. No dia seguinte à renúncia do ditador, os soldados retiraram à força as barracas e manifestantes que insistiam em permanecer na Praça Tahrir.
O novo governo pretende agora colocar fim à revolução e, ao que parece, consolidar um governo militar no país para realizar uma transição que assegure seus privilégios. Em relação às greves, por enquanto apenas “pediram” o final do movimento. A agência de notícias Reuters, porém, chegou a noticiar que fontes militares revelaram que o Exército pretende a proibição das greves e das reuniões sindicais.
Nenhuma confiança no Exército
O novo governo encabeçado pelo general Mohamed Tantawi, conhecido como o “poodle de Mubarak”, não deu qualquer prova de que cumpriria suas promessas de realizar a transição rumo a uma democracia. Apesar de ter dissolvido o Parlamento e suspendido a Constituição da era Mubarak, continua em vigor o estado de emergência e os presos políticos não foram libertos.
O povo egípcio, porém, assim como ignorou o Exército quando pedia a queda de Mubarak, não dá mostras de que ouvirá as Forças Armadas agora. A revolução no Egito continua.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Egito: a esfinge de estômago vazio.
A globalização industrial no Magreb e norte da África está levou a uma inaudita espiral de desemprego, miséria e fome absoluta para a população. É isso que move as atuais rebeliões sociais na região. Por JOSÉ MARTINS

De Tunis ao Cairo, povos lutam para se desfazer de seus grilhões. Esse é título da coluna de Silvia Cattori em seu indispensável blog Political Writings. Veja como a sensibilidade de uma combatente jornalista é capaz de descrever com perfeição a natureza das coisas: “Quando, em 17 de Dezembro de 2010, um jovem estudante tunisino, Mohamed Bouazizi, levado ao desespero, se imolou em fogo, depois que uma policial seqüestrou os poucos legumes que ele vendia para garantir dignamente as necessidades de sua família, quem poderia imaginar que seu gesto iria incendiar o coração de milhões de pessoas, tomar conta da Tunísia, conduzir um mês depois à fuga de Ben Ali e à queda do seu regime, livrar povos inteiros de seus medos e levá-los à revolta?”
Aqui é o estômago que comanda as idéias e as rebeliões políticas no norte da África e Oriente Médio. A fome que assola a população foi o estopim de rebeliões simultâneas do Magreb (Argélia, Marrocos e Tunísia) ao Egito, Jordania, Iêmen, etc. A questão palestina e outros conhecidos problemas do chamado mundo árabe não determinam os atuais acontecimentos. Não estamos frente a meras motivações étnicas, nacionais, religiosas ou, como preferem os ideólogos do império, a um “choque de civilizações”. Não se trata de cristãos (e judeus) de um lado e de muçulmanos do outro. Trata-se de capital (e capitalistas) de um lado, e trabalhadores do outro. As causas dessas atuais rebeliões são predominantemente materiais, quer dizer, econômicas.
Diferentemente de muitas outras grandes produtoras de petróleo da área, como a Líbia e as demais localizadas em torno do Golfo Pérsico, as economias atualmente convulcionadas do Magreb, Egito, etc. não têm muito petróleo. São marcadas mais por uma nova estrutura econômica criada pela onda de globalização produtiva (indústrias montadoras e agronegócio exportador) das últimas décadas. Compõem um novo e lucrativo espaço de valorização (lucro) das empresas maufatureiras e agroindustriais. É essa nova base de imperialismo econômico – introduzida nestes países de maneira mais intensa neste início de século 21 – que aumentou rapidamente a miséria da sua população e agora transforma a natureza dos conflitos políticos da região.

PULANDO DO NAVIO – No Egito – com cerca de 80 milhões de habitantes a serem tosquiados pelo novo capital globalizado e coalhado de montadoras globais, é a velhíssima luta de classes que ultrapassa a geopolítica e entra em cena de forma mais decisiva, acelerando o processo social. Os dirigentes das gigantes empresas globais sentem a porrada. Vislumbrando nas rebeliões atuais sinais de derretimento do Estado e ingovernabilidade burguesa, os capitalistas são os primeiros a pular do navio:
“Empresas internacionais estão interrompendo as operações no Egito, enquanto uma revolta contra o governo local entra no sétimo dia, depois de deixar ao menos 125 mortos. A cervejaria Heineken, a empresa do setor químico AkzoNobel, a companhia de produtos de consumo Unilever e as montadoras Nissan Motor e General Motors (GM) estão entre as empresas que suspenderam a produção no país. A Heineken informou que interrompeu as operações, retirou 25 funcionários estrangeiros em aviões particulares e pediu que os empregados egípcios fiquem em casa. A cervejaria emprega 2.040 pessoas no país. Um porta-voz da Unilever informou que as operações da companhia no Egito estão suspensas desde quinta-feira. Segundo ele, a empresa pretende retirar dois funcionários e 12 consultores estrangeiros do país assim que possível.”
“A atual situação política no Egito afetou a maior parte das indústrias, inclusive as automotivas. A instabilidade vivida pelo país fez com que a maioria das fábricas fechasse as portas por tempo indeterminado. A preocupação, além da falta de peças, é de que os veículos não cheguem a seus destinos. Até agora, Mercedes-Benz, BMW, Nissan e General Motors já emitiram comunicados oficiais, informando a suspensão de suas atividades. Já a Volkswagen, por enquanto, só parou as linhas de montagem, mas é provável que em breve outros setores também sejam fechados, para evitar vandalismo. A Mercedes ainda tomou a ação de retirar seus trabalhadores estrangeiros do país, para garantir sua segurança. O Egito hoje é um dos maiores produtores da região, tendo presentes em seu território muitas marcas como Brilliance, BYD, Chery, Chevrolet, Daewoo, Fiat, Hyundai, Isuzu, Jeep, Jinbei, Lada e Mahindra, além das citadas acima.”
Como na China, no México, no Haiti, etc., as “empresas mundiais” instaladas no Egito foram centralizadas em plataformas de exportação ou Zonas Francas, paraísos de desregulamentação, onde essas empresas são totalmente isentas de impostos e demais taxas, com liberdade para movimentar entrada e saída de capitais, ausência de leis trabalhistas, etc. É o que explica orgulhosamente em seu site a própria General Authority for Investiment [Autoridade Geral de Investimento] do governo egípcio: “O Egito tem incentivado a criação de Zonas Francas [Free Zones] desde o início dos anos 1970, com o objetivo de aumentar as exportações, atrair investimentos externos, introduzir tecnologias avançadas e criar mais oportunidades de emprego.
As Zonas Francas estão localizadas no território nacional mas são consideradas áreas ao largo do território [offshore]. Os investidores que operam dentro das Zonas Francas exportam acima de 50% de sua produção total. Dentre os incentivos e garantias da Zona Franca estão a isenção permanente [life time, no original] de todos os impostos e taxas; ausência de qualquer regulamentação sobre importações/exportações; opção de vender pequena parte da produção no mercado interno, desde que sejam pagas as tarifas alfandegárias; ausência de regulamentações trabalhistas. Para facilitar as operações de importações/exportações, as Zonas Francas estão usualmente localizadas junto a portos marítimos e aeroportos”
A chamada escola neoclássica da Economia Política corresponde à visão mais liberal e vulgar da economia e do mundo capitalista. É a visão econômica mais didática e popular, predominante tanto na academia quanto nos governos e na mídia em geral. É a visão apologética da naturalidade da propriedade privada, do Estado, do mercado e do capital. Qual cidadão comum poderia imaginar um mundo sem essas coisas tão “naturais”? Os neoclássicos (e seus primos keynesianos) existem para negar ideologicamente essa possibilidade.

As classes dominantes no Egito (e nas demais economias do norte da África) crêem piamente nas promessas dos manuais neoclássicos de Economia Internacional ensinada nas faculdades de Economia do mundo todo. E fizeram zelosamente o trabalho sujo de encarcerar sua faminta população nas imundas linhas de montagem industrial das Zonas Francas e projetos de agronegócios. Mas até agora, a despeito de uma enorme satisfação (e gordos lucros, off course) dos capitalistas estrangeiros e nacionais com a rígida aplicação daqueles manuais, os resultados são muito diferentes que fora prometido à população trabalhadora pela propaganda imperialista das maravilhas do livre mercado. Os resultados desta aventura das burguesias do Magreb e norte da África estão a levar a uma inaudita espiral de desemprego, miséria e fome absoluta nos seus países. A aplicação prática da ideologia econômica liberal, que prometia felicidade e bem-estar para todos, acabou fornecendo o combustível para as atuais rebeliões populares.
EXTASE LIBERAL E RESSACA DO CAPITAL – Não é por acaso que para qualquer aspecto político, geopolítico, cultural, religioso, etc. que se considere nas atuais rebeliões a economia está presente. As razões estão no recente processo de globalização que inundou a região de capital e sua ação altamente dissolvente de velhas estruturas nacionais. No Egito, por exemplo, a principal economia da área, as privatizações e a forte abertura das fronteiras ao capital globalizado resultaram, no período 2003/2007, em um forte afluxo de investimentos externos diretos (IED). Vejam os números oficiais a respeito, apresentados em recente relatório da Economic and Social Commission for Western Asia (ESCWA).
2003 – US$ 450 milhões;
2004 – US$ 2,161 bilhões;
2005 – US$ 5,376 bilhões;
2006 – US$ 10,043 bilhões;
2007 – US$ 11,578 bilhões.
Em 2007, o fluxo liquido de IED no Egito era cerca de 25 vezes maior que em 2003. Como percentagem do PIB, pulou de mero 0.6% em 2003 para 8.8% em 2006. Essa velocidade de expansão do IED foi disparadamente a maior do mercado mundial. Na América Latina, por exemplo, o volume de entrada de IED no mesmo período não chegou a dobrar. Para a China – reconhecidamente um dos maiores receptores mundiais deste tipo de investimento – o fluxo de entrada saltou de US$ 53,5 bilhões para US$ 69,5 bilhões. Apenas cerca de 30% maior.
Essa enorme onda de investimentos resultou em uma taxa muito elevada de crescimento do PIB – de aproximadamente 4% de crescimento em 2004 para mais de 7% em 2008. As reservas internacionais também subiram velozmente, de US$ 14,9 bilhões em 2004 para US$ 34,7 bilhões em 2008. Mas havia uma pedra no meio do caminho. A crise de 2008/2009 interrompeu bruscamente esse “crescimento brasileiro” da economia egípcia. E a superprodução da fase anterior de êxtase liberal transformou-se em uma ressaca do capital: queda na produção, crescentes déficits macroeconômicos e níveis socialmente inaceitáveis de desemprego.
Em detalhado trabalho do economista Samir Radwan tratando desse impacto da crise global de 2008/2009 sobre o Egito, encontramos as seguintes conclusões: “A crise econômica e financeira global se transmitiu negativamente na economia egípcia de maneira muito particular, desde meados de 2008. O impacto foi mais pronunciado no setor real da economia do que no setor bancário. O impacto na economia real refletiu-se nos seguintes indicadores: 1) declínio do crescimento do PIB de 7,2% em 2007/2008 para aproximadamente 4% em 2008/2009; 2) redução do fluxo de IED e declínio do investimento interno; 3) aumento do retorno de migrantes e expectativa de queda nas remessas; 4) pressões crescentes no balanço de pagamentos; 5) colapso das bolsas de valores; 6) desaceleração do crescimento de setores econômicos, especialmente no setor do turismo, manufaturas e Canal de Suez.
Observação da Crítica: Esse fator dos migrantes é muito importante para as economias da região. Uma massa enorme de trabalhadores migra para o exterior (principalmente para os países produtores de petróleo do Golfo Pérsico) e remetem grande parte dos seus rendimentos para a família que ficou no Egito, Tunísia, etc. São volumes relativamente elevados para o balanço de pagamentos do país. Agora, com a crise atingindo o investimento e emprego naqueles países petrolíferos, os migrantes retornam para o Egito, o que origina dois problemas: um macroeconômico, na medida em que o grande volume de divisas remetidas anteriormente desaparece e deixa de ser contabilizado no balanço de pagamentos; outro social, na medida em que o retorno desses trabalhadores agora engrossa as multidões de desempregados em seu país de origem e suas famílias vêem desaparecer suas fontes de sustento.
A prolongada recessão do mercado de trabalho e a conseqüente deterioração social são os mais sérios aspectos da crise econômica e financeira global no Egito. O maior impacto imediato da crise foi a incapacidade do mercado de trabalho se ajustar, exacerbando o problema do desemprego, e agravando a situação de grupos específicos como as mulheres e os jovens”
O show capitalista tem que continuar. Crescimento econômico ou revolução. Para a economia voltar a crescer o capital tem que recuperar a taxa de lucro do período de expansão do ciclo anterior. Mas para isso os trabalhadores devem receber menos pelo seu trabalho e pagar mais pelos seus alimentos. É esse processo que leva milhões de pessoas, como Mohamed Bouazizi, ao desespero e à morte. Resumindo: a exploração e miséria dos trabalhadores devem aumentar para que o capital se recupere da crise. Mas essa necessidade destaca dois problemas muito graves na economia do Egito e vizinhança: o preço da força de trabalho já é muito baixo e o preço dos alimentos está mais alto do que nunca. Dá para arrochar ainda mais? Trataremos desses problemas no próximo boletim.
Para receber semanalmente em seu email análises econômicas como esta que você acabou de ler, assine e divulgue o boletim CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA, do 13 de Maio, Núcleo de Educação Popular, S.Paulo. Em 2011, estamos completando 25 ANOS DE VIDA. Vinte e quatro anos informando e educando a classe trabalhadora! ASSINE AGORA A CRÍTICA Ligue agora para (11) 9235 7060 ou (48) 96409331 ou escreva um e-mail para criticasemanal@uol.com.br e saiba as condições para a assinatura!

De Tunis ao Cairo, povos lutam para se desfazer de seus grilhões. Esse é título da coluna de Silvia Cattori em seu indispensável blog Political Writings. Veja como a sensibilidade de uma combatente jornalista é capaz de descrever com perfeição a natureza das coisas: “Quando, em 17 de Dezembro de 2010, um jovem estudante tunisino, Mohamed Bouazizi, levado ao desespero, se imolou em fogo, depois que uma policial seqüestrou os poucos legumes que ele vendia para garantir dignamente as necessidades de sua família, quem poderia imaginar que seu gesto iria incendiar o coração de milhões de pessoas, tomar conta da Tunísia, conduzir um mês depois à fuga de Ben Ali e à queda do seu regime, livrar povos inteiros de seus medos e levá-los à revolta?”
Aqui é o estômago que comanda as idéias e as rebeliões políticas no norte da África e Oriente Médio. A fome que assola a população foi o estopim de rebeliões simultâneas do Magreb (Argélia, Marrocos e Tunísia) ao Egito, Jordania, Iêmen, etc. A questão palestina e outros conhecidos problemas do chamado mundo árabe não determinam os atuais acontecimentos. Não estamos frente a meras motivações étnicas, nacionais, religiosas ou, como preferem os ideólogos do império, a um “choque de civilizações”. Não se trata de cristãos (e judeus) de um lado e de muçulmanos do outro. Trata-se de capital (e capitalistas) de um lado, e trabalhadores do outro. As causas dessas atuais rebeliões são predominantemente materiais, quer dizer, econômicas.
Diferentemente de muitas outras grandes produtoras de petróleo da área, como a Líbia e as demais localizadas em torno do Golfo Pérsico, as economias atualmente convulcionadas do Magreb, Egito, etc. não têm muito petróleo. São marcadas mais por uma nova estrutura econômica criada pela onda de globalização produtiva (indústrias montadoras e agronegócio exportador) das últimas décadas. Compõem um novo e lucrativo espaço de valorização (lucro) das empresas maufatureiras e agroindustriais. É essa nova base de imperialismo econômico – introduzida nestes países de maneira mais intensa neste início de século 21 – que aumentou rapidamente a miséria da sua população e agora transforma a natureza dos conflitos políticos da região.

PULANDO DO NAVIO – No Egito – com cerca de 80 milhões de habitantes a serem tosquiados pelo novo capital globalizado e coalhado de montadoras globais, é a velhíssima luta de classes que ultrapassa a geopolítica e entra em cena de forma mais decisiva, acelerando o processo social. Os dirigentes das gigantes empresas globais sentem a porrada. Vislumbrando nas rebeliões atuais sinais de derretimento do Estado e ingovernabilidade burguesa, os capitalistas são os primeiros a pular do navio:
“Empresas internacionais estão interrompendo as operações no Egito, enquanto uma revolta contra o governo local entra no sétimo dia, depois de deixar ao menos 125 mortos. A cervejaria Heineken, a empresa do setor químico AkzoNobel, a companhia de produtos de consumo Unilever e as montadoras Nissan Motor e General Motors (GM) estão entre as empresas que suspenderam a produção no país. A Heineken informou que interrompeu as operações, retirou 25 funcionários estrangeiros em aviões particulares e pediu que os empregados egípcios fiquem em casa. A cervejaria emprega 2.040 pessoas no país. Um porta-voz da Unilever informou que as operações da companhia no Egito estão suspensas desde quinta-feira. Segundo ele, a empresa pretende retirar dois funcionários e 12 consultores estrangeiros do país assim que possível.”
“A atual situação política no Egito afetou a maior parte das indústrias, inclusive as automotivas. A instabilidade vivida pelo país fez com que a maioria das fábricas fechasse as portas por tempo indeterminado. A preocupação, além da falta de peças, é de que os veículos não cheguem a seus destinos. Até agora, Mercedes-Benz, BMW, Nissan e General Motors já emitiram comunicados oficiais, informando a suspensão de suas atividades. Já a Volkswagen, por enquanto, só parou as linhas de montagem, mas é provável que em breve outros setores também sejam fechados, para evitar vandalismo. A Mercedes ainda tomou a ação de retirar seus trabalhadores estrangeiros do país, para garantir sua segurança. O Egito hoje é um dos maiores produtores da região, tendo presentes em seu território muitas marcas como Brilliance, BYD, Chery, Chevrolet, Daewoo, Fiat, Hyundai, Isuzu, Jeep, Jinbei, Lada e Mahindra, além das citadas acima.”
Como na China, no México, no Haiti, etc., as “empresas mundiais” instaladas no Egito foram centralizadas em plataformas de exportação ou Zonas Francas, paraísos de desregulamentação, onde essas empresas são totalmente isentas de impostos e demais taxas, com liberdade para movimentar entrada e saída de capitais, ausência de leis trabalhistas, etc. É o que explica orgulhosamente em seu site a própria General Authority for Investiment [Autoridade Geral de Investimento] do governo egípcio: “O Egito tem incentivado a criação de Zonas Francas [Free Zones] desde o início dos anos 1970, com o objetivo de aumentar as exportações, atrair investimentos externos, introduzir tecnologias avançadas e criar mais oportunidades de emprego.
As Zonas Francas estão localizadas no território nacional mas são consideradas áreas ao largo do território [offshore]. Os investidores que operam dentro das Zonas Francas exportam acima de 50% de sua produção total. Dentre os incentivos e garantias da Zona Franca estão a isenção permanente [life time, no original] de todos os impostos e taxas; ausência de qualquer regulamentação sobre importações/exportações; opção de vender pequena parte da produção no mercado interno, desde que sejam pagas as tarifas alfandegárias; ausência de regulamentações trabalhistas. Para facilitar as operações de importações/exportações, as Zonas Francas estão usualmente localizadas junto a portos marítimos e aeroportos”
A chamada escola neoclássica da Economia Política corresponde à visão mais liberal e vulgar da economia e do mundo capitalista. É a visão econômica mais didática e popular, predominante tanto na academia quanto nos governos e na mídia em geral. É a visão apologética da naturalidade da propriedade privada, do Estado, do mercado e do capital. Qual cidadão comum poderia imaginar um mundo sem essas coisas tão “naturais”? Os neoclássicos (e seus primos keynesianos) existem para negar ideologicamente essa possibilidade.

As classes dominantes no Egito (e nas demais economias do norte da África) crêem piamente nas promessas dos manuais neoclássicos de Economia Internacional ensinada nas faculdades de Economia do mundo todo. E fizeram zelosamente o trabalho sujo de encarcerar sua faminta população nas imundas linhas de montagem industrial das Zonas Francas e projetos de agronegócios. Mas até agora, a despeito de uma enorme satisfação (e gordos lucros, off course) dos capitalistas estrangeiros e nacionais com a rígida aplicação daqueles manuais, os resultados são muito diferentes que fora prometido à população trabalhadora pela propaganda imperialista das maravilhas do livre mercado. Os resultados desta aventura das burguesias do Magreb e norte da África estão a levar a uma inaudita espiral de desemprego, miséria e fome absoluta nos seus países. A aplicação prática da ideologia econômica liberal, que prometia felicidade e bem-estar para todos, acabou fornecendo o combustível para as atuais rebeliões populares.
EXTASE LIBERAL E RESSACA DO CAPITAL – Não é por acaso que para qualquer aspecto político, geopolítico, cultural, religioso, etc. que se considere nas atuais rebeliões a economia está presente. As razões estão no recente processo de globalização que inundou a região de capital e sua ação altamente dissolvente de velhas estruturas nacionais. No Egito, por exemplo, a principal economia da área, as privatizações e a forte abertura das fronteiras ao capital globalizado resultaram, no período 2003/2007, em um forte afluxo de investimentos externos diretos (IED). Vejam os números oficiais a respeito, apresentados em recente relatório da Economic and Social Commission for Western Asia (ESCWA).
2003 – US$ 450 milhões;
2004 – US$ 2,161 bilhões;
2005 – US$ 5,376 bilhões;
2006 – US$ 10,043 bilhões;
2007 – US$ 11,578 bilhões.
Em 2007, o fluxo liquido de IED no Egito era cerca de 25 vezes maior que em 2003. Como percentagem do PIB, pulou de mero 0.6% em 2003 para 8.8% em 2006. Essa velocidade de expansão do IED foi disparadamente a maior do mercado mundial. Na América Latina, por exemplo, o volume de entrada de IED no mesmo período não chegou a dobrar. Para a China – reconhecidamente um dos maiores receptores mundiais deste tipo de investimento – o fluxo de entrada saltou de US$ 53,5 bilhões para US$ 69,5 bilhões. Apenas cerca de 30% maior.
Essa enorme onda de investimentos resultou em uma taxa muito elevada de crescimento do PIB – de aproximadamente 4% de crescimento em 2004 para mais de 7% em 2008. As reservas internacionais também subiram velozmente, de US$ 14,9 bilhões em 2004 para US$ 34,7 bilhões em 2008. Mas havia uma pedra no meio do caminho. A crise de 2008/2009 interrompeu bruscamente esse “crescimento brasileiro” da economia egípcia. E a superprodução da fase anterior de êxtase liberal transformou-se em uma ressaca do capital: queda na produção, crescentes déficits macroeconômicos e níveis socialmente inaceitáveis de desemprego.
Em detalhado trabalho do economista Samir Radwan tratando desse impacto da crise global de 2008/2009 sobre o Egito, encontramos as seguintes conclusões: “A crise econômica e financeira global se transmitiu negativamente na economia egípcia de maneira muito particular, desde meados de 2008. O impacto foi mais pronunciado no setor real da economia do que no setor bancário. O impacto na economia real refletiu-se nos seguintes indicadores: 1) declínio do crescimento do PIB de 7,2% em 2007/2008 para aproximadamente 4% em 2008/2009; 2) redução do fluxo de IED e declínio do investimento interno; 3) aumento do retorno de migrantes e expectativa de queda nas remessas; 4) pressões crescentes no balanço de pagamentos; 5) colapso das bolsas de valores; 6) desaceleração do crescimento de setores econômicos, especialmente no setor do turismo, manufaturas e Canal de Suez.
Observação da Crítica: Esse fator dos migrantes é muito importante para as economias da região. Uma massa enorme de trabalhadores migra para o exterior (principalmente para os países produtores de petróleo do Golfo Pérsico) e remetem grande parte dos seus rendimentos para a família que ficou no Egito, Tunísia, etc. São volumes relativamente elevados para o balanço de pagamentos do país. Agora, com a crise atingindo o investimento e emprego naqueles países petrolíferos, os migrantes retornam para o Egito, o que origina dois problemas: um macroeconômico, na medida em que o grande volume de divisas remetidas anteriormente desaparece e deixa de ser contabilizado no balanço de pagamentos; outro social, na medida em que o retorno desses trabalhadores agora engrossa as multidões de desempregados em seu país de origem e suas famílias vêem desaparecer suas fontes de sustento.
A prolongada recessão do mercado de trabalho e a conseqüente deterioração social são os mais sérios aspectos da crise econômica e financeira global no Egito. O maior impacto imediato da crise foi a incapacidade do mercado de trabalho se ajustar, exacerbando o problema do desemprego, e agravando a situação de grupos específicos como as mulheres e os jovens”
O show capitalista tem que continuar. Crescimento econômico ou revolução. Para a economia voltar a crescer o capital tem que recuperar a taxa de lucro do período de expansão do ciclo anterior. Mas para isso os trabalhadores devem receber menos pelo seu trabalho e pagar mais pelos seus alimentos. É esse processo que leva milhões de pessoas, como Mohamed Bouazizi, ao desespero e à morte. Resumindo: a exploração e miséria dos trabalhadores devem aumentar para que o capital se recupere da crise. Mas essa necessidade destaca dois problemas muito graves na economia do Egito e vizinhança: o preço da força de trabalho já é muito baixo e o preço dos alimentos está mais alto do que nunca. Dá para arrochar ainda mais? Trataremos desses problemas no próximo boletim.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Povo egípcio derruba Mubarak : Milhões de pessoas comemoram pelas ruas do Egito a queda de Mubarak

O ditador do Egito, Hosni Mubarak, que comandava o país há 30 anos, acaba de renunciar. O anúncio foi realizado pelo seu vice, Omar Suleiman, que também deixa o seu posto. Dezoito dias após o começo da revolução que sacudiu o país e atraiu a atenção de todo o mundo, finalmente cai o ditador que por anos comandou um regime opressivo aliado dos EUA e Israel.
A queda da ditadura de Mubarak ocorre em meio aos massivos protestos que se seguiram ao pronunciamento em que o ditador se recusava a deixar o posto, na noite desse dia 10 de fevereiro. Ocorre também poucas horas após o próprio Exército ter anunciado apoio ao processo de transição defendido por Mubarak e conclamado a população a voltar para casa.
A população, porém, desafiando o governo e as próprias Forças Armadas, continuou nas ruas do país. Milhares marcharam e cercaram os principais prédios públicos do Cairo, além da sede da TV estatal, e sitiaram o palácio presidencial.
Além das massivas manifestações, várias greves estouravam pelo país, exigindo além de reivindicações como aumento salarial, a queda do governo. Os trabalhadores anunciavam também uma greve geral a partir desse dia 12 pela saída do ditador.

Comemoração
Milhões de egípcios comemoram nas ruas a queda do ditador. O correspondente do PSTU no Cairo, Luiz Gustavo Porfírio, relatou o momento em que o povo egípcio foi informado da renúncia de Mubarak. ”Há uma euforia coletiva nas ruas, as pessoas cantam, pulam, os mais religiosos gritam Alah Mabak (Deus é grande), é o momento mais emocionante da minha vida”
Ao que tudo indica, as mobilizações não devem terminar com a saída de Mubarak. ”As pessoas estão mobilizadas, há muita reclamação sobre os baixos salários, o nível de pobreza, há muita insatisfação da juventude, e as pessoas não vão parar, o espírito revolucionário invadiu o coração de todos”, relatou Luiz Gustavo em meio às comemorações nas ruas do Cairo.
Nenhuma confiança no Exército
Durante sua declaração, Suleiman afirmou que Mubarak repassava o poder ao Conselho Supremo das Forças Armadas. O Exército, que ficou até o último momento ao lado do ditador, já sinalizou claramente que fará tudo para manter a essência do regime de Mubarak, ainda que o mesmo não esteja mais no poder.
Nesse dia 10, pouco antes do pronunciamento de Mubarak, o povo reunido na praça Tahrir gritavam “civil, civil, não militar”, diante da possibilidade dos militares tomarem o poder, possibilidade que acabou se concretizando nesse dia 11.
BIRA DO PINDARÉ: UM DISCURSO LIBERAL

Em março completarei seis como funcionário público concursado da Assembleia Legislativa do Maranhão. Em todos este tempo não dou muito ouvidos aos discurso dos deputados, pois são, na sua grande maioria, vazios de conteúdo. Isto é até compreensível em um parlamento de maioria pragamatizantes e no qual os interesses são pessoais e de fortalecimento das ideologias burguesas.
No entanto nesta nova Legislatura resolvir acompanhar o primeiro discurso do Deputado Bira do Pindaré. Já disse antes que não espero que Bira faça do seu mandato uma trincheira revolucionária e socialista. Porém esperava que o seu discurso mostrasse no minimo um enfrentamento, sem tergiversamento, a oligarquia Sarney que ele sempre combateu em discursos fora do parlamento. Também esperava que ele apontasse pelo menos elementos clssistas. Não foi isso que ouvi.
O discurso do Deputado Bira está publicado no Diário da Assembleia do dia nove de fevereiro de 2011. Ele começou descrevendo sua vida pessoal e política partidária e sindical. Fez uma análise dos problemas do maranhão. Mostrou o alto grau de probreza do nosso povo mesmo tendo uma enorme riqueza natural, mas na hora de apontar os culpados dissse: "Qual é a razão de tanta pobreza? Se não é a natureza, eu só posso acreditar que infelizmente houve muita safadeza ao longo dessa triste história do nosso Estado do Maranhão."
Um outro momento do discurso que justifica o titulo deste texto é quando o nobre Deputado declara de qual lado vai estar, diz ele: "Não estou aqui para ser contra fulano ou contra sicrano. Estou aqui para defender uma causa, a causa do povo, a causa do povo do Maranhão, das pessoas que precisam apenas de uma oportunidade
para viver dignamente e superar todas as barreiras que existem neste Maranhão."
Para ser justo gostaria de salientar que ele se reconheceu como socialista e elogiou a luta de nossos Heróis, como Negro Cosme e saudoso Magno Cruz.
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