quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Nota da CSP Conlutas sobre reportagem da Revista Veja


A Revista Veja desta semana, em matéria sobre os black blocs, tenta estabelecer uma relação entre a CSP Conlutas e esse grupo, que absolutamente não é verdadeira.
A matéria afirma que os black blocs são apoiados por uma “organização (...) composta de advogados que ficam a postos, nas ruas e em delegacias, para ajudar manifestantes detidos em confrontos de rua. Em São Paulo, quem faz esse papel são os advogados da CSP-Conlutas, entidade sindical ligada ao PSTU”.
A Veja, mais uma vez, distorce declarações de nossa Central e, dessa forma, se presta ao papel de desinformar.
A CSP Conlutas é uma central sindical e popular, composta por sindicatos, organizações populares e juvenis. Atua em todo o país e esteve presente nos protestos de junho, nas mobilizações que seguiram e nas paralisações nacionais de 11 de julho e 30 de agosto, convocadas pelas centrais sindicais.
Não temos nenhuma ligação com os black blocs. Temos outros métodos e formas de atuação. A Central tem, no seu interior, militantes de partidos de diferentes ideologias, mas preserva a sua autonomia frente aos partidos políticos e sua independência frente ao estado e suas instituições.
É reconhecida a atuação da Central na defesa das reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras por ela representados(as).
É sabido por todos que a truculência da polícia do governador Alckmin (PSDB- SP) desatou uma onda de solidariedade aos poucos milhares de manifestantes que iniciaram a luta contra o aumento das passagens em São Paulo em 2013. Os militantes da CSP Conlutas estavam nessas manifestações.
Foi fruto dessa truculência absurda que os atos se massificaram e se espalharam por todo o país, afirmando que a luta não era apenas pelos 20 centavos.
A CSP Conlutas teve alguns de seus militantes detidos, junto com algumas dezenas de jovens nessas manifestações. E colocou os advogados ligados à Central à disposição para liberar esses manifestantes.
Da nossa parte, não houve distinção quanto a esses jovens terem ou não ligação com a Central, ou serem ou não ligados aos black blocs, pois se tratava, naquele momento, da defesa do direito democrático de manifestação, que o governador Alckmin (PSDB) tentava impedir. Trata-se de um gesto de solidariedade que é obrigação de qualquer organização dos trabalhadores.
A ilação feita pela Revista Veja, em sua reportagem, misturando uma ação de solidariedade da nossa Central com um suposto pagamento a pessoas para tumultuarem manifestações no Rio de Janeiro é muito grave. Tenta criar um ambiente de criminalização das lutas sociais no país, chegando ao cúmulo de transformar em crime até mesmo a atividade dos advogados.
Em sua sanha por buscar responsáveis pela trágica morte do jornalista Santiago, já condenada por nossa Central em nota oficial, tenta agora atingir partidos políticos de esquerda, sindicatos e advogados, no exercício de suas prerrogativas profissionais.
A CSP Conlutas repudia os ataques infundados da Revista Veja. Seguiremos defendendo o direito democrático de manifestação e não aceitaremos que sob a trágica morte do jornalista Santiago e a dor dos amigos, profissionais e familiares, com os quais nos solidarizamos, se abram as portas para ataques às organizações sindicais e populares como a nossa Central, que lutam em defesa dos direitos da população trabalhadora, ao direito de manifestação e às liberdades democráticas.

São Paulo, 17 de fevereiro de 2014.
Secretaria Executiva Nacional da
CSP CONLUTAS – Central Sindical e Popular 

www.cspconlutas.org.br

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Como fazer uma campanha suja?

Jeferson Choma, da redação do PSTU

Logo após a prisão dos dois acusados de acionar o rojão que atingiu o cinegrafista, estes governos não perderam tempo em exigir a “mão pesada da ordem” sobre as manifestações. Tentam se aproveitar do clima de comoção nacional para aprovar a toque de caixa a chamada lei antiterrorismo, apelidada (com justiça) de “AI-5 padrão FIFA”. O objetivo é claro: ampliar a escalada repressiva e a perseguição contra as manifestações e os movimentos sociais.
Vale lembrar que, desde as mobilizações de junho, diversos setores dos trabalhadores e da juventude brasileira aprenderam uma importante lição: que é possível lutar, realizar protestos e conquistar suas reivindicações. Por isso assistimos desde passeatas de policiais até manifestações nos bairros populares. A lei antiterrorismo vai tentar amedrontar e evitar a reedição das mobilizações que tomaram o país depois de junho.
Também é parte da estratégia de criminalização envolver organizações que nada têm a ver com as ações realizadas por organizações como os “Black Bloc’s”. É o que está acontecendo neste momento com o PSTU e o PSOL. Nesse dia 13 foi divulgada amplamente pela imprensa a suposta participação destes dois partidos num suposto esquema de financiamento de militantes que participam dos protestos.
Trata-se de uma mentira que está se transformando em uma verdadeira campanha suja pela imprensa. O ataque ao PSTU tem como objetivo atacar um partido que desde o início apoiou e esteve presente nos protestos. Todos sabem que desde o ano passado o PSTU foi o único partido de esquerda que criticou publicamente os Black Blocs por discordar de sua metodologia de ações por fora e (muitas vezes) contra o movimento.
Nesta quinta-feira, 13,  o blogueiro de O Globo, Ricardo Noblat, deu o tom da campanha. Mesmo sem nenhuma prova, ele postou a nota intitulada “Beneficiários da violência”, na qual acusa a extrema-esquerda “como o PSOL e o PSTU” por se favorecerem com os confrontos. “Eles querem chegar ao poder a qualquer preço. Sem bandeiras capazes de atrair votos no curto prazo, apelam para a violência. E alguns dos seus integrantes chegam ao ponto de financiá-la”, diz.
Em nota, o PSTU refuta as acusações, responsabiliza os governos pelo aumento da repressão e reafirma suas diferenças com os “Black Bloc’s”. Diferenças estas publicadas em inúmeros artigos do Portal do partido, que sequer foram consultados por Noblat.
Perguntamos ao blogueiro: por que não investigar as relações do advogado dos acusados com o governo Cabral e com as milícias que atuam no Rio de Janeiro? Esse advogado já defendeu o miliciano Natalino José Guimarães. Em uma de suas entrevistas à imprensa, o advogado deixou clara suas críticas aos atos no Rio contra o governo Cabral.
A verdade que Noblat faz questão de esconder é que os maiores beneficiários com a morte trágica do cinegrafista são o governo Dilma, Cabral, as empreiteiras e a FIFA. Todos muitos satisfeitos com essa situação, porque querem passar a ofensiva e evitar as mobilizações em defesa do transporte, educação e saúde pública.  É esse o jogo que os governos e a FIFA fazem hoje. Quem mais vai jogar no time deles?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Nota do PSTU sobre os últimos acontecimentos no Rio de Janeiro - Partido responde a informações veiculadas em setores da imprensa

1- Temos orgulho de ser parte das manifestações da juventude e dos trabalhadores em defesa de serviços públicos gratuitos e de qualidade, como saúde, educação, moradia e transporte. Achamos que é por isso que estamos sendo atacados.
2- Responsabilizamos o governo Cabral e Paes pelo aumento das passagens do transporte e pela repressão policial às legítimas manifestações. Acreditamos que os governos tem utilizado a trágica  morte do cinegrafista para criminalizar o movimento.
3- Assumimos publicamente, desde o ano passado, a crítica aos ‘Black Blocs’ e grupos afins por terem uma metodologia fora do movimento de massas, com ações inconseqüentes e equivocadas.
4- Alguns setores da imprensa divulgaram depoimentos dos suspeitos que indicariam “que os partidos que levam bandeiras são os mesmos que pagam os manifestantes”. Um dos presos informa já ter visto “bandeiras do PSOL, PSTU e FIP" (como divulgado por jornais como Extra e Globo). Nós nos indignamos com essa acusação. Todos que conhecem nossa prática sabe que isso não corresponde  à realidade. É necessário investigar com clareza  o suposto aliciamento nas manifestações. Pode ser que haja setores da direita fazendo isso.
5- É importante que as organizações da sociedade civil, como a OAB, possam acompanhar as investigações para garantir a transparência da mesma. 
 
6- O advogado dos acusados recentemente atacou as manifestações contra o governo Cabral e já foi advogado das milícias, tendo por isso uma atitude suspeita no caso.
 
7- Por último, este tipo de acusação contra o PSTU  não nos intimida. Seguiremos sendo parte das mobilizações contra os governos e por direitos e exigimos que se apure a verdade e puna os responsáveis.
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
13 de fevereiro de 2014

domingo, 9 de fevereiro de 2014

PSTU lança Saulo Arcangeli pré-candidato a Governador nesta quarta


Atividade contará com a presença de Zé Maria, pré-candidato do Partido à Presidência

Nesta quarta-feira, dia 12 de fevereiro, o PSTU Maranhão fará em São Luís o lançamento oficial da candidatura do servidor público federal e professor universitário Saulo Arcangeli ao governo do Estado. A atividade iniciará a partir das 9 horas com uma coletiva à imprensa na Assembleia Legislativa e logo após às 10h30 ocorrerá um ato político no auditório do Sindicato dos Bancários no Centro.

A candidatura de Saulo, um ativista presente nas principais lutas que ocorreram no Maranhão nos últimos anos, é a expressão no campo eleitoral das reivindicações dos trabalhadores e da juventude maranhense que desejam não só o fim de uma Oligarquia, mas também buscam construir um Maranhão livre do latifúndio e do coronelismo.

Ao mesmo tempo, o PSTU mantém o chamado feito ao PSOL e PCB no sentido da constituição de uma Frente de Esquerda que apresente uma única candidatura ao Governo do Estado em 2014.

Lançamento da pré-candidatura de Zé Maria à Presidência da República em São Luís

Estará presente também o presidente nacional do Partido, o metalúrgico Zé Maria de Almeida, que é o pré-candidato do PSTU à Presidência da República. “Minha candidatura parte da necessidade de apresentar uma alternativa de classe e socialista perante as candidaturas da presidente Dilma Roussef (PT) e os candidatos da direita representados pelo PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos” afirma Zé Maria.

Segundo o pré-candidato do PSTU, estes dois campos políticos, no entanto, representam o mesmo modelo econômico e o mesmo projeto para o país, que privilegia os bancos, grandes empresas e o agronegócio em detrimento das necessidades e reivindicações dos trabalhadores, do povo pobre e da juventude.

Quem é Saulo Arcangeli?


Candidato a governador do Estado pelo PSOL em 2010, saiu deste partido em 2011 e ingressou no PSTU, por onde foi candidato a vereador de São Luís em 2012. Servidor público federal do Ministério Público da União e professor universitário da UEMA, é dirigente sindical do Sintrajufe e da CSP Conlutas, Central Sindical e Popular.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Nota de Zé Maria sobre a proposta da Frente de Esquerda nas eleições 2014

Zé Maria é pré-candidato do PSTU à Presidência da República

Zé Maria é metalúrgico e presidente Nacional do PSTU
O PSTU, no final do ano passado, lançou o meu nome como pré-candidato à Presidência da República mantendo e reafirmando, ao mesmo tempo, a proposta de constituição de uma Frente de Esquerda envolvendo, alem do próprio PSTU, também o PSOL e o PCB (veja aqui).

Em entrevistas à imprensa recentemente, o pré-candidato lançado pelo PSOL, senador Randolfe Rodrigues, tem anunciado suas propostas e informa que convidou a ex-deputada Luciana Genro para ser sua candidata à vice, ao mesmo tempo em que diz estar “conversando” com o PSTU e o PCB no sentido da constituição da Frente. Da parte do PSTU, esclarecemos que não fomos contatados, nem houve qualquer conversa com a direção do PSOL até agora.

Estranhamos essa situação na medida em que a construção de uma Frente pressupõe acordo sobre o programa da candidatura, critérios para financiamento, independência de classe, etc. Já havíamos tornado pública nossa preocupação pela distância programática que existe entre nós e as propostas defendidas pelo pré-candidato definido pelo PSOL. Assim, não temos como deixar de registrar que a proposta de assegurar tarifa zero para o transporte público com aumento progressivo do IPTU, conforme dito pelo senador em entrevista ao Jornal Zero Hora de quatro de janeiro, o que manteria o controle das empresas privadas, não tem o nosso acordo. Tampouco o governo João Goulart é referência para nossa proposta de reforma agrária.
O transporte público deve ser estatizado para acabar com as máfias que controlam o setor e para garantir um serviço de qualidade a toda população. A reforma agrária que queremos fazer implica no fim do latifúndio e do domínio do agronegócio sobre as terras do país, de modo que elas possam ser usadas para produzir alimentos para o povo.

Esse é o caminho que precisamos adotar se queremos realmente mudar o país e atender as demandas que a juventude e os trabalhadores levaram às ruas nas jornadas de junho passado. Caso contrário, seríamos “mais do mesmo” que aí está. O programa da Frente de Esquerda deve partir das lutas da juventude e dos trabalhadores e suas reivindicações para mudar efetivamente o nosso país. E é a serviço destas lutas para mudar o país que deve estar a campanha da esquerda socialista.

Por outro lado, lembramos que a constituição da Frente de Esquerda pressupõe o respeito ao espaço de todos os partidos que comporão a aliança. Isso significa que, entre outros critérios, caso o PSOL venha a indicar o candidato à presidente na frente de esquerda, obviamente a candidatura à vice deve ficar com o PSTU.

Nas próximas semanas, realizarei uma rodada de debates e palestras por várias regiões do país apresentando as idéias que o nosso partido tem para as eleições presidenciais e também para as tarefas e desafios colocados pela luta da nossa classe durante todo este ano, com destaque para as mobilizações que queremos construir no período da Copa do Mundo.
 São Paulo, 28 de janeiro de 2014
Zé Maria 

sábado, 25 de janeiro de 2014

UM ESTADO POR FORA DA LEI E UMA IMPRENSA POR DENTRO DA FRALDA

Escrito pelo Professor Hertz

Completamente desgastada pelas inúmeras denúncias em nível nacional e internacional, Roseana Sarney tenta desesperadamente recompor a imagem do seu governo criando um “estado de exceção” contra a periferia por dentro do “Estado de direito” e para isso conta com a “mão amiga” da inescrupulosa da mídia do Maranhão. 

Os jornais “Aqui” e o "Itaqui Bacanga", por exemplo, não preservam uma única palavra da tal ética jornalística. Os corpos são apresentados sem o mínimo de pudor, sem respeito aos familiares e as matérias são escritas sem direito ao contraditório. Os títulos das matérias que relatam casos de homicídios são verdadeiras chacotas. As versões das autoridades são sempre apresentadas como verdades absolutas. A cretinice midiática é tamanha que esses jornalistas sequer se esforçam para relacionar a onda de violência do Maranhão com o IDH do estado. Não fossem as redes sociais e a imprensa nacional a situação seria bem mais dramática. 

Se a ciência política tem fases de desenvolvimento que podem ser relacionadas ao gênero humano, a imprensa maranhense de tão submissa que é aos ditames das oligarquias não consegue sair da infância jornalística. A maioria das matérias não apresentam dados científicos e as estatísticas se limitam a contagem de corpos desfalecidos, nada mais que isso! Quando ousam dá sentido cientifico ao que escrevem o resultado é catastrófico porque não conseguem ultrapassar as barreiras do racismo e do menosprezo aos pobres que orientam suas posições políticas. 

A última edição da revista “Maranhão Hoje” contém duas matérias no mínimo instigantes. Uma delas tenta traçar o perfil psicológico dos assassinos da pequena Ana Clara. O objetivo é associá-los aos pobres e aos negros de maneira geral. A outra matéria apresentada as 40 personalidades mais influentes do Maranhão, entre as quais Roseana Sarney, João Alberto e João Castelo. Em nenhum momento essas “personalidades” são associadas ao crime, por que saquear o Estado em beneficio dos ricos e utilizar esse mesmo Estado para massacrar pobres e negros não é tipificado como crime para um jornalismo que ainda não conseguiu se livrar do uso de fraldas.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

QUAL É A SAÍDA PARA A O ESTADO DE DECOMPOSIÇÃO DA OLIGARQUIA SARNEY : intervenção federal ou a formação de um governo dos trabalhadores?

O câncer político instalado há quase meio século nas instituições do Maranhão atingiu um estado insuportável de degeneração      que deixa a mostra todos os seus sintomas.   As ações das organizações criminosas dos “de baixo” são expressões das da extrema pobreza do nosso povo e das disputas políticas encarniçadas existentes nas organizações criminosas dos “de cima”.  Há farelo político espalhado para tudo enquanto é lado.


A oligarquia Sarney nunca esteve tão desconfortável.  Já não consegue manipular a consciência dos trabalhadores do Maranhão como se manipulam substâncias químicas em laboratórios clandestinos.  As propagandas vinculadas na imprensa da oligarquia são para tentar maquiar o estado pútrido desse grupo. Pouco antes de ser derrubado do poder, o imperador Dom Pedro II usava e abusava de propagandas mentirosas em jornais e revistas da época. Nelas, o mesmo aparecia sempre com o semblante altivo em meio à desgraça do seu reinado, já sem apoio da igreja, dos latifundiários e do exército. No último domingo (05/01) Roseana Sarney deu uma entrevista no jornal O Estado do Maranhão, de propriedade de sua família, procurando pintar em cores alegres a aquarela desbotada do seu decadente governo.  Turismo e futebol figuraram como tema central, enquanto a segurança pública foi tratada como um tema de outro planeta.

72 detentos mortos em Pedrinhas em pouco mais de um ano, quase o dobro dos executados por aplicação da pena morte nos EUA em 2013. Lá foi 39, segundo relatório anual do Centro de Informação da Pena de Morte (DPIC). Em média, um detento está sendo executado por semana no Maranhão. Isso soa entranho para o mundo, mesmo para o mundo capitalista onde prisão nada mais é do que uma instituição política criada para disciplinar o corpo e a vida dos trabalhadores. Sim, deve-se disciplinar, não exterminar, assim pensam os setores mais lúcidos e civilizados da burguesia.  

As exigências da OEA (Organizações dos Estados Americanos) para Roseana Sarney expõem ainda mais quão os órgãos do seu governo estão prestes a ter falências múltiplas. Não é bom para os capitalistas constatar que um estado do país que figura como sétima economia do mundo (o governo Roseana afirma que a média maranhense é superior a nacional) tenha um sistema penal com fortes traços medievais.  Ao serem presos, os detentos não sabem se serão conduzidos para a cela ou para a guilhotina.

 O IDH do Maranhão que figura sempre entre os piores do país está na raiz do problema, mas é dessa raiz que esse grupo se nutre.  Por isso, a oligarquia está sem moral política para combater o crime porque não é possível uma árvore arrancar sua própria raiz.  A cada medida desesperada do seu governo, os criminosos “de baixo” reagem com mais audácia. Ônibus queimados, delegacias metralhadas, inocentes feridos e mortos, Força Nacional impotente, secretário de segurança fraseológico etc. A população está em pânico, mas não solidária ao governo.  A solidariedade é para com as vitimas dos ataques aos coletivos ocorrido no ultimo final de semana em São Luís. 

Ordenar a PM a ocupar um inferno de concreto superlotado, o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, que não comporta mais nem púlpito para pregações celestiais foi mais um tiro que Roseana deu na própria cabeça. As organizações de “baixo” mostraram para o Brasil que quem realmente comanda o crime no Maranhão não está do lado de dentro da “muralha”, nem os das organizações “de baixo”, nem os das organizações “de cima”.  

Jogaram presos de facções rivais nos mesmos pavilhões, nas triagens e até nas mesmas celas.  Naturalizaram a corrupção instalada no sistema prisional e até mesmo na Secretaria de Segurança Pública do Maranhão. Deram asas ao crime por que achavam que assim, com os pobres divididos, seria mais fácil controlá-los. Permitiram que o assassino do quilombola Flaviano fosse um arquivo queimado em Pedrinhas.  Esticaram demais a corda podre, desceram ao fundo do poço, e, agora, não conseguem voltar escalando os tijolos limosos.
 
O QUE FALTA PARA OLIGARQUIA CAIR?

As esperanças que ainda restam à oligarquia Sarney para continuar no poder são depositadas no mesmo processo que a maior parte da Oposição do Maranhão acredita ser possível utilizar para derrotar essa própria oligarquia, ou seja, as eleições de outubro deste ano. Sobre esse ponto queremos travar o debate.

A principal Oposição ao grupo Sarney se organiza em torno do grupo do ex-deputado Flavio Dino. Esse grupo reúne fortíssimos setores econômicos e empresariais (industriais, agronegócio, latifundiários, etc.) e políticos arquiconservadores como o coronel da cidade de Caxias, Humberto Coutinho, o ex-prefeito de Bacabal e latifundiário Zé Vieira e o deputado e ex-delegado de polícia Raimundo Cutrim, ambos aliados históricos da oligarquia.

Contudo, esse grupo não é simplesmente burguês/oligárquico, ou uma fração burguesa/oligárquica in natura. O PC do B de Flavio Dino atrai para seu campo político um grande número de organizações sociais e sindicais, bem como intelectuais de classe média, além da pequena burguesia maranhense. Nesse caso, a melhor definição para esse grupo é que conforma uma Frente Popular, ou seja, um grupo com um programa claramente burguês, mas com grande apoio popular, tal como ocorreu em 2006 com Jackson Lago.

Nesse caso quem define os rumos políticos desse grupo em seu conjunto não são os que pertencem aos grupos de maior base social (os trabalhadores e suas organizações), mas aqueles possuem a maior base material (a fração burguesa-oligárquica).

Para essa fração, a oligarquia deve ser hiperdesgastada, mas não derrubada nas ruas. Todas as suas fichas são depositadas nas eleições de outubro. A oligarquia sabe disso, e mais, sabe que é esse tipo de Oposição que segura as organizações populares, sindicais e camponesas para que novas jornadas de junho e agosto não se repitam antes de outubro de 2014. Mas essa confiança tem limites.

As jornadas de junho no Maranhão, como em todo o Brasil, ocorreu por fora das organizações tradicionais e traidoras da classe trabalhadora. O grupo Sarney não dará “cheque em branco” às irritações populares com seu governo cambaleante. Prova disso está no cerco militar ao Palácio dos Leões.

A esperança da oligarquia está, portanto, depositada na combinação de algumas medidas de exceção para barrar manifestações de massa e, sobretudo, no viés eleitoreiro dos grupos que se agregam em torno de Flávio Dino. Assim, a decomposição da oligarquia Sarney só não avança para óbito político definitivo porque à quimioterapia oportunista e eleitoreira do grupo de Flavio Dino garante a ela alguma sobrevida.

A NOSSA APOSTA PRINCIPAL É NA MOBILIZAÇÃO PERMANENTE DA CLASSE TRABALHADORA

É notório que o PSTU cresceu nos últimos anos entre os trabalhadores e a juventude do Maranhão. Por mais que a pequena burguesia e a direita tente nos jogar na vala comum de seus partidos, a vanguarda de nossa classe está aprendendo na experiência da luta real que nós somos diferentes, apesar de não sermos infalíveis.

Em todas as frentes que atuamos, sobretudo na CSP CONLUTAS e suas entidades, o nosso partido não mede esforços tocar a luta. Contudo, sabemos que todo partido revolucionário deve encarar a realidade de frente. Não somos uma organização que dirige carro no escuro com faróis apagados.

Somos ainda muito pequenos e sem base social suficiente para impor uma queda à oligarquia Sarney. Essa decisão não depende de nossos desejos e nem muito menos de nossas frases e consignas, mas da realidade objetiva do nosso estado (e essa condição está dada com crise social e política) e da subjetividade da nossa classe (mais ou menos dada,  pois a indignação, mas sem mobilização política ) e de um partido com forte influencia de massa, o que ainda não somos.

Entendemos, porém, que todos esses processos tendem a avançar. A tentativa de relocalização de muitos políticos e grupos econômicos em torno de Flavio Dino atestam um mal estar socioeconômico e político geral em nosso estado.  Grupos burgueses e oligárquicos não dão giros políticos a toa.   
A tentativa de eleger Flavio Dino em detrimento da derrubada do grupo Sarney nas ruas é parte de um projeto que visa apenas readequar em novas bases a dominação de classe em nosso estado.  No que pese as intenções “humanitária” de Flavio Dino, a estrutura fundiária continuará intocada, os grandes grupos econômicos continuarão sugando nossas riquezas e aprofundando a miséria do nosso povo e a violência não cessará.

O grupo de Flavio Dino não terá como apresentar um programa classista para o Maranhão por que sua base material fundamental não está entre os trabalhadores e os camponeses, e isso já ficou bem claro nas eleições de 2010. Em 2014 Flávio Dino estará mais a direita.

Isso tem a ver com o silêncio que mantém em torno da consigna “Fora Roseana Sarney”. De maneira geral a burguesia não ocupa as ruas para derrubar governos burgueses, ainda que sejam governos desgastados e antipatizados pela própria burguesia. Isso só poderá ocorrer mediante a ameaça de tomada de poder pelos trabalhadores. O PSTU também tem candidato para as eleições de 2014, Saulo Arcangeli, mas não vamos subordinar nossas lutas às eleições burguesas.
A nota lançada por Flávio Dino sobre o sobre a crise da oligarquia é, no mínimo, complacente.  Ao invés de convocar população e os movimentos às ruas, Flavio Dino propõe “a constituição de um Gabinete de Crise, com a participação de todas as instituições do sistema de Segurança e de Justiça, juntamente com a sociedade civil (por exemplo: Judiciário, Ministério Público, OAB, SMDDH, Defensoria Pública, Polícias estaduais, Polícia Federal, Guarda Municipal, Forças Armadas)”. Infelizmente setores do PSOL do Maranhão coadunam dessa mesma posição ao defender intervenção federal como uma saída para a crise. É preciso lembrar que foi uma intervenção federal que levou Sarney ao poder em 1965 e que as Forças Armadas são braços dos poderosos e seus governos.
O PSTU acredita que já passou da hora da classe trabalhadora ajustar as contas com o grupo Sarney.  A consigna “Fora Sarney” que ecoou pelo Maranhão em junho e em agosto de 2013 deve ser retomado com mais força e com um programa classista para pôr abaixo esse grupo. Defendemos que os trabalhadores governem a partir da formação de conselhos populares em pólos de todas as microrregião do estado. Para isso é necessário que confiem em suas próprias forças e não esperem outubro chegar, pois  oligarquia está podre, mas não será derrubada pelo vento.

Fora Roseana Sarney e toda a oligarquia!
Por um governo dos Trabalhadores com formação de conselhos populares no campo e na cidade!
Confisco de todos os bens da oligarquia !
Mais verbas para Educação, Saúde, Moradia e Transporte.
Desmilitarização e unificação da policia
Suspensão de todos os despejos forçados no campo e na cidade!
Reforma agrária sobre o controle dos trabalhadores!
Imediata titulação das terras dos quilombolas