domingo, 30 de maio de 2010

OS “GIGANTES” ANUNCIAM SÃO MARÇAL



Neste mês de junho a maioria dos povos do Planeta espera pelo início da copa do mundo. Em São Luís, uma pequena ilha do Nordeste brasileiro, além da copa, espera-se o dia de São Marçal. Este dia é o encerramento da maior festa popular desta encantada ilha: os festejos juninos. São várias atrações, que vão das tradicionais quadrilhas, passam pelo Tambor de Crioula, Cacuriá, quadrilhas, entre outras. No entanto, a mais empolgante de todas são os grupos de Bumba Boi.
Alguns têm tradição centenária, como o Boi da Maioba. Outros, com idade próxima deste, também têm um peso na tradição: Boi de Maracanã, Pindoba, Iguaíba, Juçatuba, etc. Tudo tem início, ainda que não de forma oficial, e com um tempo muito reduzido, no “Encontro de Gigantes”. Trata-se de uma reunião dos maiores cantadores de Boi da Ilha. Berra-se nos quatro cantos da ilha que o tal encontro partiu de uma idéia do cantor e compositor Roberto Rice. Antigamente esta reunião acontecia em baixo da Ponte Bandeira Tribuzzi. Não é comum você ouvir no mesmo espaço cantadores como Chiador (Boi de Ribamar), Chagas (Boi da Maioba), Umberto (Boi de Maracanã) e outros mais. Após entender o reclame dos moradores o encontro mudou para a Praça Maria Aragão. Neste ano aconteceu na última sexta-feira (28).
Dado o ponta pé inicial, só resta agora esperarmos os primeiros dias de junho para seguirmos os batalhões pesados da ilha. As matracas e pandeirões vão ecoar pelos bairros da cidade. Vamos brindar ainda com os Bois de Zabumba, alguns da capital e outros do interior do Estado. Já chegando no final do mês duas importantes datas são aguardadas: o encontro dos Bois no Largo de São Pedro e, no último dia do mês, a festa de São Marçal no bairro do João Paulo. Este encontro, antes reprimido pela polícia, hoje faz parte da programação oficial do municipal, porém não oficial para os brincantes, já que não se submetem as regras de horário de entrada ou saída estimuladas pelo poder público para cada grupo de Bumba Boi.
Depois da passagem do último Boi na Avenida São Marçal todos voltam felizes para suas casas a espera do próximo encontro de Gigantes e, neste ano em particular, de preferência com o caneco da copa do mundo não mão da seleção brasileira.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Marina Silva e o neoliberalismo verde

Tal como Collor, FHC e Lula, agora é Marina Silva que aparece para alguns como novidade e com promessa de mudança. No entanto, um olhar mais atento veremos que ela tem algo comum aos outros listrados acima: estar a serviço do capital. A começar pela seu candidato a vice-presidente da república, dono da Natura. Abaixo publicamos uma matéria do site do PSTU sobre o tema (a foto foi extarida do blog do psolsp e não faz parte da materia):

"A senadora Marina Silva saiu do PT disposta a se candidatar à presidência e ser uma alternativa à falsa polarização entre PT e PSDB. Essa foi a versão da senadora e de seu novo partido, o PV, para tal movimentação. Agraciada com generoso espaço na mídia, Marina se colocou enquanto uma alternativa ecológica e sustentável. Uma novidade nessas eleições tão mornas.Dia após dia, porém, vai ficando mais difícil para Marina Silva se diferenciar das duas candidaturas majoritárias. Mais que isso, a senadora que um dia representou a luta dos povos da floresta contra o capitalismo predatório, hoje encarna o discurso neoliberal mais radicalizado e conservador.


A verdadeira face de Marina - Nos sete anos que Marina ocupou o Ministério do Meio Ambiente, o governo Lula liberou os transgênicos e, entre outras coisas, aprovou o projeto que aluga áreas da floresta amazônica ao capital privado. Órgãos federais como o Ibama foram desmembrados e esvaziados para facilitar a concessão de licenças ambientais. A ex-ministra pode alegar que, no governo, não teve forças para se contrapor a isso e que ficou isolada. Seria uma explicação, embora não chegue a ser uma justificativa.


As recentes declarações da candidata do PV, porém, não expressam nenhuma pressão de qualquer outro setor, mas o próprio programa político da ex-ministra. Foi com a liberdade de candidata que Marina disse, por exemplo, que, caso fosse Lula, vetaria o fim do fator previdenciário, medida aprovada pelo Congresso. O fator foi criado por FHC para obrigar os trabalhadores a se aposentarem cada vez mais tarde. Mais que isso, em entrevista à rádio CBN no dia 24 de maio, a candidata do PV defendeu uma reforma da Previdência.


Ouça a entrevista de Marina na rádio CBN - Para quem acompanha o discurso de Marina Silva não chega a ser exatamente uma novidade. Quando o Banco Central decidiu subir a taxa de juros, enquanto José Serra criticava a medida, e Dilma tentava passar ao largo da polêmica, Marina não hesitou em apoiar Henrique Meirelles. A candidata também defende abertamente a “autonomia de fato” do Banco Central. Para elaborar seu programa de governo, a ex-ministra convocou uma equipe de economistas neoliberais, cogitando até mesmo o nome do ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, que comandou a economia durante o governo Itamar Franco.


A farsa do discurso ecológico - Se Marina Silva não se distingue de Dilma e Serra com relação à política econômica, ela pelo menos traz à tona o discurso ecológico, certo? Errado. Com relação à usina de Belo Monte, por exemplo, que contrapõem radicalmente ambientalistas e comunidades indígenas de um lado, e governo e empreiteiras de outro, a ex-ministra nem se posiciona contrária ao projeto. Defende tão somente “maior tempo” para se discutir a questão.


Marina prega o discurso do desenvolvimento sustentável, ou seja, não vê qualquer contradição entre capitalismo e “sustentabilidade”. Isso se expressa na escolha de seu vice, um dos donos da Natura e o 13º homem mais rico do Brasil, o empresário Guilherme Leal, cujo patrimônio é estimado em 2,1 bilhões de dólares. A relação entre o gigante dos cosméticos e a senadora, porém, não é recente. A empresa foi a maior doadora da campanha eleitoral de Marina em 2002.


A empresa, porém, tão afeita ao discurso da sustentabilidade, tem uma ideia bem peculiar do que seja isso. Exemplo disso é o processo movido em 2009 pelo Ministério Público Federal contra a empresa, acusada de “biopirataria” no Acre, o mesmo estado de Marina. Segundo o MPF, a Natura teria usurpado um fruto utilizado por índios da região, o murmuru, para a produção de shampoos e sabonetes, patenteando o fruto. Ou seja, a empresa utilizou um conhecimento milenar dos indígenas para lucrar e ainda quis se tornar proprietária do fruto. Questionada, Marina limitou-se a afirmar que tal disputa era “natural”.


Isso para não falar da exploração da Natura às suas 800 mil “consultoras”, ou vendedoras subempregadas e precarizadas, sem os mínimos direitos trabalhistas. Esse é o exemplo de “ética” e “sustentabilidade” em que a candidatura Marina quer se espelhar.


Sustentabilidade para poucos - Um dos aspectos explorados pelo comitê de campanha do PV é a biografia de Marina Silva. Vindo de uma família miserável de seringueiros do Acre, Marina teve uma trajetória de vida e superação admirável. Partindo desse aspecto, a ideia do partido é traçar um paralelo com a biografia de Lula.


Infelizmente, não foi somente a trajetória pessoal que Marina herdou do presidente, mas também o abandono dos princípios que nortearam sua militância no início e a defesa incondicional dos interesses do grande capital. A única coisa sustentável do programa político de Marina, assim, são os lucros dos bancos e grandes empresas."

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Dilma vai a Nova York garantir a investidores a continuidade da política econômica

Do site do PSTU - (http://www.pstu.org/)

Nos próximos meses será a vez de Serra e Marina Silva fazerem o juramento de fidelidade aos mercados

Nesse dia 20 de maio a pré-candidata do PT, Dilma Roussef, viajou a Nova York para uma agenda com uma série de atividades eleitorais. Mas o que uma candidata à presidência do Brasil foi fazer nos EUA? Pedir votos certamente que não foi. Dilma, com o atual deputado e ex-ministro Antonio Palocci a tiracolo, foi falar a grandes investidores e empresários internacionais, reafirmando seu compromisso com a atual política econômica e reeditando um ritual cumprido por Lula oito anos antes.


Seguindo os passos de Lula - Em, 2002, durante a campanha eleitoral que daria a primeira presidência ao PT, o país vivia uma grave crise financeira, com o governo FHC recorrendo aos empréstimos do FMI, e reforçando os planos de ajuste e de arrocho para pagar em dia os juros das dívidas. Com as eleições os mercados se agitavam e exigiam o compromisso dos candidatos de manter essa mesma política. FHC então se reuniu com os quatro principais candidatos na época: Lula (PT), Serra (PSDB), Ciro Gomes (então no PPS) e Garotinho (PMDB), fazendo com que cada um declarasse publicamente que manteria o acordo com o Fundo Monetário Internacional. Evidentemente, essas conversas tinham como alvo o favorito disparado na campanha: Lula.O PT, àquela altura, já não assustava os donos do PIB, como em 1989 quando o então presidente da FIESP enxergou uma fuga de empresários caso Lula fosse eleito. Ainda assim, o candidato do PT procurou acalmar o mercado e lançou a famosa “Carta ao povo brasileiro”. O documento é, na verdade, uma carta ao sistema financeiro internacional, na qual Lula se compromete a não mudar os rumos da política econômica e “cumprir todos os contratos”. Significou um marco para o partido ao reafirmar seu compromisso ao neoliberalismo.


Uma vez eleito, Lula cumpriu sua promessa, radicalizou o arrocho fiscal e aumentou a meta de superávit primário. E ainda fez mais. Logo no primeiro ano de governo, Lula impôs a reforma da Previdência ao setor público, utilizando o velho discurso da Previdência quebrada, tão usado pelos tucanos. Para liderar o Banco Central, o escolhido foi ninguém menos que um banqueiro do Bank Boston, o então deputado tucano eleito por Goiás, Henrique Meirelles, recentemente homenageado em Nova York por sua longa folha de serviços prestados.

Acalmando os donos do dinheiro - Agora, é a vez de Dilma prestar seu juramento aos deus mercado. Na agenda de Dilma em Nova York, além da presença na premiação do presidente do Banco Central, houve um encontro fechado com investidores realizado pelo banco Itaú, além de uma palestra organizada pela Bovespa. Vários compromissos para se apresentar pessoalmente aos donos da banca e garantir ao sistema financeiro internacional que o atual rumo do país não sairá da rota.

Aos investidores, Dilma reafirmou seu compromisso com todos os eixos da política econômica de Lula, que por sua vez foi herdada de FHC. Isso significa: a “independência” do Banco Central, a política de juros altos e tudo o mais que isso implica. “Minha afirmação a eles é que o Brasil vai continuar crescendo com inclusão social, mobilidade social ascendente e, ao mesmo tempo, manterá a estabilidade econômica perseguindo o controle da inflação”, afirmou aos jornalistas.

Dilma Roussef ainda reivindicou a política econômica dos governos “nos últimos vinte anos”, num lance até aqui inédito, pelo menos nos discursos públicos do PT. Até agora o partido, após autocrítica ao assumir a presidência, reivindicava políticas do governo FHC como o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, embora na prática o PT implementasse de conjunto tudo o que os tucanos já haviam feito em seus oito anos de governo. “Os últimos vinte anos” reivindicados agora por Dilma inclui também toda o programa de privatização iniciado por Collor, assim como a abertura desenfreada da economia do país imposta pelo “caçador de marajás”.

A medida parece ter surtido efeito. Os investidores estão convencidos de que, para seus interesses, tanto faz ser eleito Dilma ou Serra. “Do ponto de vista internacional, a maior parte dos seguidores do assunto acha que as políticas vão continuar sob qualquer um dos candidatos”, declarou à imprensa o executivo Tom Glocer, da Thomson Reuters, uma empresa de consultoria financeira.

Preparando para o que vem aí - Nos próximos meses, será a vez de José Serra e Marina Silva cumprirem essa mesma agenda de Dilma. Ambos já foram convidados a conversar com investidores em Nova York. Alguém poderia perguntar, por que a ânsia em fazer os principais candidatos declararem seu compromisso ao mercado quando nem mesmo as candidaturas foram ainda oficializadas pelos partidos? A resposta para isso pode estar do outro lado do oceano. A grave crise fiscal que atinge praticamente todos os países da Europa, e os sucessivos pacotes de cortes nos salários e na Previdência prenunciam o que está por vir.

E, para os investidores não pode haver dúvida. É preciso ter certeza que não haverá hesitação na hora de sacrificar os salários ou as aposentadorias para manter a “credibilidade” do país, ou seja, o pagamento dos juros da dívida pública. E essa certeza, tanto Dilma, quanto Serra ou Marina, garantem.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O NOVO BABY LOOK DE ROSEANA


Os jornais e blog´s noticiam que Roseana e o PT do Maranhão marcharão juntos nas próximas eleições. Esta informação é ilustrada com fotos. Em uma dela Roseana aparece abraçada a uma camisa (baby look) do PT entregue a ela pelo grupo de Macaxeira.

Não de hoje que a camisa do PT mudou de cor. A eleição de Lula em aliança com o burguês José de Alencar, os ataques aos aposentados, a sua defesa do governo Bush, o envio de tropas brasileiras ao Haiti, a sua aliança com Jader Barbalho, as alianças eleitorais com o PSDB em várias partes deste país nas eleições municipais, inclusive aqui no Maranhão são demonstrações de que aquela estrela há muito deixou de ser vermelha.

No entanto, para os trabalhadores e militantes do Maranhão em particular o novo baby look de Roseana é o coroamento desta trasmutação de cor do Partido dos Trabalhadores. O PT em outros estados há muito vem fazendo aliança com os coronéis das antigas. Foi com Jader Barbalho que elegeu a atual Governadora do Pará. Atualmente, participa de vários governos no nordeste em aliança com o que há de mais atrasado na política brasileira.

Roseana, mais do que o tempo de TV, consegue enterrar de vez o já combalido PT maranhense. Faz mais: nestas eleições vai se apegar num dos maiores símbolos de combate já construído pela classe trabalhadora, embora hoje não mais seja a expressão disto.

Agora só resta a Dutra e companhia enfiar a viola no saco e criar um novo partido ou se incorporar a outros da base lulista. E, para ser coerente, deixar de denunciar Macaxeira e centrarem fogo no principal personal stylist de Roseana: o Lula.

JOÃO EVANGELISTA NÃO É NOSSO PAI

Um sindicato é composto de vários trabalhadores com concepção de mundo e da realidade imediata diferenciada. Alguns destes trabalhadores, em determinado momento, farão parte de sua direção. Logo, na direção, esta diferenciação também se expressará.

Digo Isto para esclarecer que a posição da direção, exposta no blog do SINDSALEM, em relação a atuação política do deputado João Evangelista em vida não é unanimidade. A afirmação de que este falecido deputado é “considerado como um “pai” pelos servidores daquela Casa Parlamentar não pode ser atribuída à totalidade dos servidores.

Quando João Evangelista assumiu a presidência da Assembleia Legislativa ele proferiu em discurso a intenção de promover alguns benefícios aos servidores internos e, para a sociedadeem geral a intenção da realização de concurso público. Estes benefícios (internos) divulgados só foram implementados a partir da fundação do nosso sindicato.

Quanto ao concurso público até a sua morte ele não se concretizou. Ao contrário do seu discurso, a sua administração tentou de todas as formas impedir que os atuais servidores concursados tomassem posse. Para que isto se tornasse realidade foi necessário que parte destes servidores entrasse na justiça para obrigá-lo a cumprir a posse. Portanto, não é verdade que João Evangelista foi o responsável pelas conquistas dos servidores.

No máximo nós poderíamos dizer que ele, em função da nossa organização, não teve alternativa a não ser implementar algo que na sua ótica era só mero discurso. Esta afirmativa converge com a verdade se considerarmos que as conquistas só vieram a torna-se realidade mais de dois anos depois da sua posse como presidente da Assembleia, que coincide com a formação do SINDSALEM.

Luís Noleto – Diretor de Formação do SINDSALEM

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Servidores do judiciário federal estão em greve contra PLP 549/09


Por Hélcio Duarte Filho - Luta Fenajufe Notícias


Greve nacional no Judiciário Federal e Ministério Público da União (MPU) contra o congelamento salarial começou no dia 6, já atinge 10 estados e deve alcançar mais 7 em menos de uma semana. Servidores de pelo menos 17 estados do país já decidiram em assembleias aderir à greve nacional, iniciada no dia 6 de maio pela aprovação do PCS-4 (Plano de Cargos e Salários) e contra o congelamento salarial que o governo Lula tenta impor ao funcionalismo.
A greve começa a uma semana de data decisiva para os servidores: o projeto de lei que ameaça congelar salários (PLP 549/2009) poderá ser votado na sessão do dia 12 da Comissão de Trabalho da Câmara. Os servidores pressionam para que o PL 6613/2009, do PCS do Judiciário Federal, também entre na pauta nesse dia.
A mobilização dos servidores parece já surtir algum efeito na movimentação da cúpula do Judiciário. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowiski, teria conversado com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), sobre o PCS do Judiciário, no encontro que os dois tiveram na quinta-feira 6, primeiro dia da greve. Segundo a coluna do jornalista Ricardo Noblat, Lewandowiski teria alertado Temer sobre a paralisação no Judiciário em um ano que tem eleições. Noblat afirma ainda que nos próximos dias quem visitará a Câmara será Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal.
A paralisação começou com a adesão de servidores de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas, Maranhão, Mato Grosso (desde o dia 5), Amazonas e Roraima (desde o dia 3). O TRE da Bahia entrou na greve no dia 7. Houve ainda paralisações e protestos, nos dias 5 e/ou 6, em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará, Pará, Pernambuco e no Paraná, embora sem que a categoria tenha parado por tempo indeterminado.


Decidiram quando entram na greve os servidores do Piauí (segunda, 10); Paraná, Minas Gerais, SP/Campinas (TRT-15), Pernambuco, Paraíba, Rondônia/Acre (JT) e Brasília (todos a partir do dia 12).

O QUE A CRISE EUROPÉIA TEM HAVER COM O BRASIL?

Contribuição do Jornal Opinião Socialista - PSTU

A crise econômica e a greve geral na Grécia se transformaram num símbolo mundial. A propaganda enganosa do fim da crise começa a se enfraquecer. O horizonte volta a se encher de nuvens carregadas. Um novo momento da crise já atingiu a Europa.

O novo pacote de quase um trilhão de dólares articulado pelos países imperialistas deu um alívio momentâneo. Voltamos à montanha russa de 2008, em que esse tipo de pacote gerava euforia nas bolsas, que durava uma ou duas semanas, para ceder lugar a novas crises. O problema de fundo é que a crise não foi superada, e as medidas parciais do imperialismo só agravam as contradições.

Por outro lado, a resposta dos trabalhadores gregos, com três greves gerais e a maior mobilização em 30 anos, indica uma mudança muito importante em relação a 2008 e 2009. Naquele momento, a dimensão dos ataques da patronal não correspondia ao tamanho das lutas dos trabalhadores. Acuados pela ofensiva da patronal e a ameaça do desemprego, o proletariado reagiu de maneira limitada. Agora os gregos estão abrindo claramente a possibilidade de derrotar o pacote do governo. Mais ainda, estão dando um exemplo que pode acabar sendo seguido pelos trabalhadores europeus, em resposta aos planos de austeridade que os governos querem impor.

E o que isso tem a ver com o Brasil?
Tudo. O Brasil refletiu o início da crise passada de forma imediata. Ainda no primeiro trimestre de 2008, o país entrou em recessão, acompanhando a dinâmica internacional. Isso prova que, ao contrário do que Lula afirma, o Brasil não está imunizado contra a crise.

O país escapou de uma crise bem maior pela recuperação internacional no início de 2009 e por ter um mercado interno importante. Mas agora, no caso de uma nova crise, a gravidade de seus reflexos no Brasil poderia ser bem maior. A economia brasileira está completamente aberta para o mercado mundial e depende das decisões de investimentos das multinacionais aqui instaladas. Quem definiu os prazos da recuperação da economia brasileira não foi o governo Lula, mas as indústrias automobilísticas com seus planos de investimentos, ou a Vale com sua aposta na manutenção do crescimento chinês. Se o novo momento da crise for maior e mais duradouro que o de 2008, o Brasil poderá ser mais duramente afetado, caso as multinacionais mudem seus planos.

Para a sorte de Lula, o mais provável é que essa crise não atinja com força o Brasil de imediato, antes das eleições de outubro. Os dados da economia ainda apontam crescimento, que deve continuar em 2010. Já deve haver alguns reflexos de imediato, com a limitação de fluxos de investimentos no país e fuga de capitais especulativos. No entanto, está claro que a crise atingirá o país no mandato do presidente a ser eleito em outubro.

Pode ser que a postura do governo, querendo evitar de todas as maneiras o fim do fator previdenciário para as aposentadorias do INSS, já seja uma sinalização da futura crise. Tanto o governo quanto a oposição burguesa têm de se mover com uma preocupação dupla: evitar um desgaste eleitoral, mas não deixar que a situação econômica escape do controle.

É por isso que os trabalhadores e jovens deste país devem se somar às lutas concretas como a atual em defesa da aposentadoria, contra o possível veto de Lula ao fim do fator previdenciário. Ou ainda contra o Senado, que pode adiar a votação da matéria até depois das eleições.

Mas também é necessário apontar uma alternativa socialista dos trabalhadores, que dê uma resposta diferente para a crise. Uma resposta distinta às de Lula-Dilma, Serra-FHC e Marina Silva, que têm o mesmo programa para a economia brasileira. Zé Maria, pré-candidato a presidente pelo PSTU, está apresentando um programa que aponta a ruptura com o imperialismo e o não pagamento das dívidas interna e externa, como forma de evitar os efeitos da crise econômica sobre o país.