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terça-feira, 17 de maio de 2011

As intensas manifestações populares que vêm acontecendo em diferentes países árabes tem despertado solidariedade e muita curiosidade em entender o contexto dessas mobilizações. É preciso discutir e refletir sobre a natureza dos protestos e de sua potencialidade para o avanço das lutas dos trabalhadores em nível mundial.
Por isso, convidamos Fábio Bosco - militante da LIT/QI-Liga Internacional dos Trabalhadores/Quarta Internacional (esteve no Egito após a queda do Mubarak) - para um Debate, compartilhando suas impressões sobre a Revolução no mundo Árabe e o que ocorre nesses países, como na Libia.















O QUE? Debate "As Revoluções no Mundo Árabe"

QUANDO? 18/05 - 17:30

ONDE: Auditório CCET-UFMA

PARTICIPE!!!!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Protestos na Líbia pedem o fim da ditadura Kadafi

A ditadura líbia de Muamar Kadafi, há 42 anos no poder, pode ser o próximo regime a cair no mundo árabe. Há seis dias, intensos protestos foram registrados em todo o país contra o ditador. A reação do governo foi extremamente sanguinária. Organizações dos direitos humanos estimam entre 230 a 400 o número de pessoas mortas pelas forças de repressão pró-regime.




Os protestos contra Kadafi ganharam força na semana passada, quando um ativista e advogado dos direitos humanos foi preso. Na quinta-feira o leste do país foi tomado por uma "dia de fúria", em homenagem a uma manifestação realizada em Bengasi em 2006, na qual cerca de uma dúzia de pessoas foi morta. O exército atirou nos manifestantes provocando inúmeras mortes. Localizada na região leste da Líbia, Bengasi é a segunda cidade do país e o epicentro das atuais manifestações.



No dia seguinte, houve novos protestos durantes os funerais da vítima do dia anterior. Mais uma vez, as forças militares leais a Kadafi despejaram suas balas sobre a população. Imagens dos protestos gravados pelos próprios manifestantes mostram grupos armados perseguindo pessoas que vão caindo depois de serem atingidas pelas balas.




O banho de sangue provocou mais fúria da população. Ao longo do final de semana, tumultos violentos se espalharam por todo o país. A revolta chegou a Musratha, terceira cidade do país, e o mais importante: chegou a capital Trípoli nesta última segunda-feira – considerada um reduto do regime. Inicialmente os manifestantes estavam reivindicando reformas e o fim da corrupção. Contudo, reivindicam agora o fim do regime e a saída de Kadafi.

Apesar da sangrenta repressão do governo, as manifestações não param de crescer. Por outro lado, a ditadura deu sinais de que vai endurecer a repressão. À TV estatal do país, o filho do ditador Seif al-Islam Kadafi disse que seu pai vai lutar até que "último homem esteja de pé" e que o exército vai garantir a segurança da nação a qualquer custo. A provocação de Seif al-Islam Kadafi provocou ainda mais ódio entre as massas.

No entanto, há sinais evidentes de elementos de crise no interior do exército e do regime. Há informações de que soldados do exército passaram a apoiar os manifestantes. Em Bengasi, há informações de que manifestantes se apoderaram de veículos militares, inclusive tanques e grandes quantidades de armas e munições do exército. No entanto, o regime ainda conta com um forte aparato repressivo. Há dezenas de milícias armadas que são lideradas por parente ou gente de confiança de Kadafi.

Por outro lado, diplomatas e membros do governo líbio também estão abandonando o barco. O embaixador líbio na Índia, Ali Al-Issawi, deixou o cargo em resposta à violência do governo. O embaixador da Líbia junto à Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, disse que está se unindo à revolução. O embaixador líbio na China também renunciou. O ministro da Justiça líbio, Mustafa Abdeljalil, também se demitiu nesta segunda-feira em protestos a sangrenta situação do país.

Em Trípoli, a sede central do governo líbio e o prédio que abriga o Ministério da Justiça foram queimados, segundo a rede de TV Al Jazira. O prédio é o local onde o Congresso Geral do Povo, ou Parlamento, se reúne.

Um jornalista da Al Jazira sugere que regime se deteriora a cada momento. "Praticamente não há forças da ordem. Não se sabe onde foram. Esta situação favorece os rumores alarmantes", afirmou o jornalista Nezar Ahmed da Al Jazira sobre a situação da capital. O jornalista disse que há apenas um cordão policial em torno da sede da rede de televisão estatal Libya TV. Ele também mencionou uma possível fuga de Kadafi do país.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A VIDA TAMBÉM É POESIA



Depois de tudo fiz está poesia. A chamei de anagramas do amor, pois os fragmentos do poema podem ser colocados em qualquer ordem e mesmo assim expressarão o que sentir. Se você tem dúvida teste você mesmo e estará criando outra poesia e não será mais a mesma e nem a minha. Se tentares envie de volta para mim.





ANAGRAMAS DO AMOR

EU TE ESCUTO
MESMO QUANDO NÃO FALA

TU ME OUVES
AINDA QUE ME CALO

EU SOU TEU EM QUALQUER
QUANTO DA SALA

EM TEMPO DE REVOLUÇÕES
SÓ TEU CORPO ME ACALMA

MEU CORPO ESTÁ EM CHAMA
MAS MINHA ALMA ESTÁ CALMA

É ASSIM QUANDO SE AMA
DE CORPO E ALMA

TU ME EXCITAS MESMO
QUANDO NÃO FALA

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Força feminina impulsionou revolução na Tunísia



Autoria: Eleanor Beardsley (av)
Revisão: Carlos Albuquerque


Enquanto a revolução ferve no Egito,
a Tunísia se reorganiza após queda do
ditador Ben Ali. Mas a mudança não foi só mérito
masculino: com um histórico de igualdade,
as tunisianas são uma exceção no mundo árabe.



As mulheres da Tunísia representaram um papel central na revolução popular que levou à derrubada do ditador Zine el Abidine Ben Ali. Ao contrário da população feminina de grande parte do mundo árabe, as tunisianas praticamente gozam de igualdade em relação aos homens. Porém algumas temem que partidos radicais islâmicos, até então banidos, retornem, provocando um retrocesso.

"Mais civilizadas"

Vozes femininas soaram fortes durante os protestos de massa no país. Na capital Túnis, senhoras idosas, adolescentes e mulheres trajando a túnica negra dos juízes desfilaram pelas ruas, exigindo o fim do regime autoritário. Quase nenhuma portava o lenço de cabeça muçulmano, e hoje elas parecem estar por toda parte, participando de tudo ao lado dos homens.


A advogada Irgui Najet, de 36 anos, está envolvida numa discussão de rua, defendendo o governo provisório da Tunísia. Impressionados com seus conhecimentos e com sua argumentação, os homens à sua volta dizem que ela deveria se candidatar à presidência. Ninguém parece ver sua condição feminina como um obstáculo.
Najet define a diferença entre as tunisianas e suas irmãs do mundo árabe: "Nós nos sentimos mais livres e mais civilizadas do que outras árabes. Especialmente após nossa revolução, temos pena das mulheres nos países vizinhos. Olhe a Líbia, onde elas têm que cobrir a cabeça e não podem sequer conversar com os homens: é uma catástrofe!".

Antecedentes feministas

A população feminina da Tunísia é bastante presente: consta mesmo que um terço dos juízes do país são mulheres. Diante da lei, elas possuem o mesmo direito ao divórcio que os homens, e a poligamia é ilegal. Desde 1962, têm acesso ao controle de natalidade e o aborto já foi legalizado em 1965: ou seja, oito anos antes dos Estados Unidos.

As tunisianas devem suas numerosas liberdades e a igualdade ao Código de Direito Civil de 1956, assim como a um excelente sistema educacional, aberto a todos. Elas também são gratas ao presidente Habib Bourguiba, o pai fundador que liderou a luta de independência em relação à França, e que desejava que as mulheres fossem parte integrante da sociedade.

Ninguém atribui o menor crédito ao deposto Ben Ali: segundo Khadija Cherif, ativista do feminismo há anos, o ex-ditador só fingia apoiar os direitos femininos para agradar ao Ocidente.

Um eventual retorno dos partidos radicais islâmicos, banidos sob Ben Ali, poderá representar uma ameaça, mas as mulheres permanecerão vigilantes, promete. "A força do movimento feminista tunisiano foi nunca ter se distanciado da luta pela democracia e pela sociedade laica. Continuaremos a combater, para assegurar que a religião continue totalmente separada da política."


Bildunterschrift: Força feminina, do véu muçulmano à minissaia
De lenço ou de minissaia

A advogada de 31 anos Asma Belkassem tampouco demonstra medo de uma volta dos extremistas religiosos: "O que está certo é que nós, mulheres, temos direitos na Tunísia. Ninguém vai tomá-los: nem os radicais, nem ninguém!".

O advogado Bilel Larbi confirma essa avaliação. Ele considera as manifestações de janeiro a melhor maneira de julgar as relações entre os sexos na Tunísia: "Veja como as tunisianas estiveram lado a lado com os homens. Elas foram às ruas protestar, de lenço na cabeça, de minissaia. Não importa: elas estavam lá!"

Larbi assegura: depois de ter se erguido juntos para derrubar o ditador, os homens da Tunísia não pretendem deixar ninguém retirar as liberdades das mulheres do país.

Egito: povo vai à rua para derrubar ditador

Para aqueles que insistem que as revoluções são feitas por partidos políticos e que elas não são mais possíveis aí vai uma excelente matéria publicada no Jornal Opinião Socialista do PSTU sobre um processo revolucionário em marcha no Egito:

JEFERSON CHOMA
da redação do Opinião Socialista

Uma revolução democrática varre o Egito. O país testemunhou os maiores protestos de sua história, nesta sexta-feira, 28. Centenas de milhares foram às ruas em várias cidades para exigir o fim da ditadura de Mubarak. Muitas mulheres e crianças participaram dos protestos.

Em Suez, os manifestantes saíram em massa às ruas enfrentaram a polícia e incendiariam seus veículos. Em Alexandria, há incêndios confrontos de disseminaram por toda a cidade. Cartazes com fotos de Mubarak são queimados. No Cairo, protestos se aproximam do Palácio Presidencial. Houve inúmeros confrontos com a polícia e os manifestantes continuaram nas ruas durante a noite. Mais de mil pessoas foram detidas. Uma das lideranças da oposição e Nobel da Paz, Mohammad El Baradei, está sob prisão domiciliar.




Uma revolução nas ruas
Cenas exibidas pela rede de TV Al Jazeera são impressionantes. Vários manifestantes gritam diante dos policiais pedindo o fim do regime e a queda do Mubarak. Um manifestante entrou na frente da câmera da rede de TV e gritou “Acabou Mubarak”.
Eles lançam pedras e sapatos contra as forças de segurança, que não pouparam jatos de água, gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter os manifestantes.

Os protestos aumentaram depois do fim das orações muçulmanas de sexta-feira. Às sextas, milhões de pessoas em todo o Egito vão às mesquitas para fazer orações. Líderes religiosos aproveitaram para pedir a população mulçumana apoiar os protestos. No dia anterior, a Irmandade Muçulmana, partido mulçumano e maior grupo oposicionista do país, anunciou seu apoio aos atos de hoje.

O governo cortou a internet para impedir que os manifestantes utilizasse a web e assim pudessem coordenar suas ações. Não deu certo. Às 18 horas (horário local) Mubarak decidiu enviar o Exército para as ruas e impôs o toque de recolher no Cairo. Talvez essa seja a última tentativa do ditador se preservar o poder. Contudo, os egípcios continuam nas ruas, apesar do toque de recolher imposto pelo regime e incendiaram a sede do Partido Nacional Democrata, de Mubarak. Também ocorreram explosões perto do Ministério da Informação. As imagens da Al Jazeera mostraram manifestantes tentando empurrar veículo militar para o rio Nilo. Depois do toque de recolher, veículos blindados foram para as principais avenidas de Cairo. Apesar da repressão dura das forças de segurança, contudo, as dezenas de milhares de manifestantes não recuam e fontes de segurança dizem que os protestos já se espalharam por ao menos 11 das 28 províncias egípcias. A TV Al Jazeera exibiu cenas da população cercando os tanques militares e chamando os soldados, todos literalmente atônitos, a aderirem à revolução.

Segundo as últimas informações, o governo mobilizou a própria guarda presidencial para atuar junto ao protesto no Cairo, uma vez que o exército parece ter sido ineficaz para reprimir a população. A guarda presidencial foi deslocada para o prédio da TV estatal, que estava sob ataque de manifestantes.

Semeando o deserto
O Egito foi o país mais importante do mundo Árabe a se levantar contra a ditadura depois que uma revolução que acabou com 23 anos de ditadura na Tunísia
A exemplo dos tunisianos, os egípcios se queixam do desemprego, da corrupção e do autoritarismo. O país enfrenta uma forte inflação do preço dos alimentos, o que é particularmente trágico para uma nação em que mais da metade da população vive abaixo da linha da pobreza, com 2 dólares por dia.



Como se não bastasse, os egípcios enfrentam uma ditadura cruel há mais de 30 anos. Assim, o descontentamento econômico se une a um profundo descontentamento político. Há uma raiva profunda pelas injustiças, as desigualdades e a corrupção do regime de Mubarak. O idoso ditador se aferra ao poder e tenta emplacar seu filho para sucedê-lo, algo que desagrada até mesmo os burocratas e militares que o sustentam no poder.
“É a primeira vez que protesto, porque nos transformamos em uma nação acovardada. Mas finalmente estamos dizendo Não”, desabafou a Associated Press Ismail Syed, um trabalhador de um hotel que luta para viver com um salário de 50 dólares ao mês.
A revolução da Tunísia também detonou o gatilho de vários protestos no mundo árabe. Na Argélia, protestos também rebentaram no país, e o governo respondeu com a tradicional força bruta, fazendo vários mortos e dezenas de feridos, mas ensaiou um recuo, baixando o preço de alguns produtos, o que mostrou sua preocupação com a revolta popular. No entanto, a revolta não diminuiu. Em Argel e muitas outras cidades, os populares saqueiam edifícios do governo e agências bancárias e carros são queimados.



Na Jordânia, milhares saíram às ruas nesta sexta-feira na capital Amã contra o custo de vida e a política econômica do governo. Os protestos também chegam ao Iémen, o mais pobre e instável dos países árabes. Nesta última quinta-feira, pelo menos 16 mil os iemenitas a manifestar-se na capital, Sanaa. O chefe de Estado iemenita, Ali Abdallah Saleh, está no poder há quase 33 anos.

Governo por um fio
A situação política de Mubarak se deteriora a cada momento. Os protestos colocaram em xeque seu governo e ameaçam derrubá-lo. Fiel aliado do imperialismo norte – americano no mundo árabe, Mubarak é, ao lado da ditadura saudita, um dos sustentáculos de Israel no Oriente Médio – participou do odioso bloqueio a Faixa de Gaza imposto pelo Estado sionista. Além disso, recebe dos EUA mais de 2 blilhões de doláres, a maior ajuda recebida pelo imperialismo depois de Israel. O imperialismo tem horror a revolução no Egito, que pode incendiar todo o mundo árabe.

Por isso, ao que tudo indica, diante da magnitude dos protestos o governo dos EUA já prepara alguma “saída alternativa” à continuidade de Mubarak. Um indicador foi a declaração da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: “Estamos preocupados com o uso da força. Pedimos ao governo Egito que contenha as suas forças de segurança. Os manifestantes devem ter o direito de se expressar pacificamente. (...)O Egito deveria permitir as manifestações” , disse. A declaração indica que o imperialismo poderá deixar Mubarak a sua própria sorte: no lugar de apoio incondicional a Mubarak, agora fala em “reformas”.



Por outro lado, o ditador poderá intensificar a repressão sobre o povo e derrotar a revolução. Mas isso também poderá acelerar a sua queda. A possibilidade de o Exército remover Mubarak (ou sair da frente pra deixar cair) não pode ser descartada. Se for assim, a medida se assemelharia muito ao que ocorreu na Tunísia com Ben Ali. Mas a simples remoção do ditador aplacaria a fúria da população? É bem provável que não, a julgar pela continuidade dos massivos protestos na Tunísia após a queda de Ben Ali. O povo do Egito já mostrou que não aceitará nada mais do que uma mudança radical e o fim total do regime.