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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A PROPOSTA DELES E A NOSSA: a batalha entre a verdade e a mentira?




Prof. Rosenverck E. Santos

Certo dia, um desses jornalistas capacho das oligarquias, que não é burguês, mas defende ideologicamente os interesses da elite (e os seus obviamente) vociferou que o PSTU continuava com o mesmo mantra de todas as eleições. O que esse jornalista queria dizer é que o PSTU mais uma vez não apontava as propostas e se repetia na mesma cantilena. Vamos refletir sobre esse mantra jornalístico.

Desde a redemocratização do Brasil quantas propostas, nas muitas eleições passadas e na atual, vocês já ouviram? Quantas propostas milagrosas de diferentes candidatos e partidos anunciaram o fim da miséria, a melhoria da educação, o aumento de salário de professores e professoras, o saneamento básico de todas as cidades, dentre centenas de milhares de outras propostas? Esses candidatos – os de sempre! – com os mesmos mantras de propostas foram eleitos, e por que a miséria continua? os salários são baixos e os esgotos e doenças estão aí em céu aberto? Quantos candidatos e partidos depois de eleitos e após dezenas de propostas anunciadas, vem a público anunciar que as propostas não foram encaminhadas e que ficam para uma próxima chance! Resposta: nenhum!

Então significa que elas, as famosas propostas, foram implementadas? Então porque os problemas supracitados continuam? Resposta: (e isso o jornalista não diz) as propostas não eram propostas, eram mentiras! Mas quem não tem propostas não é o PSTU?

Reduzir a jornada de trabalho, fazer a reforma agrária, criar uma empresa pública de transporte, reestatizar as empresas privatizadas como a CEMAR e o banco do Estado, fazer concurso público para professores e professoras e aumentar o salário, implementar o salário mínimo indicado pelo DIEESE, construir as políticas de cotas raciais vinculadas às sociais em todos os setores públicos, fazer obras públicas que garantam emprego, reduzir impostos dos trabalhadores e trabalhadoras e sobretaxar as empresas, não pagar a dívida externa etc., etc., etc., não são propostas?

Existe um modelo de proposta a ser seguido? As propostas da burguesia e oligarquia são propostas, dos trabalhadores são mantras? As propostas deles são verdades, as nossas são mentiras? Vejamos o que diz a sabedoria da África.
Uma história africana nos conta que, certo dia, a verdade e a mentira entraram numa guerra violenta, cujo resultado foi a mentira cortando a cabeça da verdade. Desesperada a verdade começou a tatear o chão, as árvores, as pedras procurando a cabeça; a cabeça que a mentira cortou... Até que encontrando uma cabeça, arrancou-a do lugar onde estava e a recolocou no pescoço... A partir daí, a verdade passou a vida inteira contando mentiras...

É essa a verdade das oligarquias e da burguesia! A verdade com a cabeça da mentira! Cabeça que engana cuidadosamente estudada e organizada pelo publicitário, afinal: a propaganda é a alma do negócio! Isso mesmo: - negócio! A eleição pra burguesia e pra oligarquia (e isso não está no mantra da verdade do jornalista) é um negócio que vai gerar lucros e enriquecê-los da noite para o dia; ou do dia para a noite, como queiram, afinal de contas a ordem dos fatores não altera o resulta do furto!

Sendo assim, acredito que esse modelo (manual, formulário, roteiro, mantra(?), cartilha) de propostas – que os jornalistas ligados as emissoras e jornais da oligarquia e burguesia defendem – parece seguir a máxima nazista segundo a qual uma mentira contada mil vezes se torna verdade! Portanto, cuidado com a mentira travestida de verdade ou a verdade da mentira da burguesia. É a mesma coisa como 2+2 são 15, 12 e 65...

Poderia ser 16, mas não seguimos essa cartilha e esse modelo, pois em verdade não mentimos aos trabalhadores e trabalhadoras já que a luta de nosso povo, portanto de nós mesmos, não segue cartilha. Ela é dinâmica, flexível, histórica e verdadeira conhecedora de uma única verdade: a resistência!

Sendo assim, não precisamos de milhares de propostas de verdades mentirosas, pois a nossa grande proposta é o agir! Agir na greve, na manifestação, nas passeatas, nos movimentos sociais e sindicais, no movimento negro, na luta da classe explorada e oprimida pelo capital. Olhe para o lado num desses lugares de resistência e verás um bandeira nossa e um(a) militante do PSTU dizendo o que é preciso ser tido e fazendo o que é preciso fazer. Portanto, nossa grande proposta – mãe de todas as outras, citadas acima e que estão nos programas, sites, panfletos e jornais – é o fazer! Pois, assim como é expresso em nosso mantra: é preciso lutar é possível vencer!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

LULA E A HIPÓCRITA DEFESA DA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

A luta pela redução da jornada de trabalho vem sendo travada desde o século dezenove, na Europa, quando a extensão da jornada e as condições de trabalho tornaram-se extremamente desumanas. Com advento do capitalismo e na medida em que o trabalho assalariado se consolidou, os patrões foram introduzindo tempos de trabalho mais elevados. Marx chamou de extração de mais valia absoluta este aumento da jornada de trabalho- JT.

Esta busca incessante por mais lucro, via extração de mais valia absoluta, possibilitou ao capital a adoção de jornada de trabalho acima de 14 horas por dia e mais de 3.750 horas por ano. Esta precarização das condições de trabalho e de vida foi o motor que impulsionou a organização dos trabalhadores contra o patronato. Isto logo se refletiu em diminuição de jornada de trabalho em vários países da Europa. Em 1847, a jornada diária foi fixada em 10 horas na Inglaterra em 1848 Paris adotou a mesma norma. Este processo de luta deu origem inclusive ao 1º de maio: dia internacional da luta dos trabalhadores. Este dia é tratado como dia do trabalho pela burguesia e alguns sindicalistas aliados destes.

Aqui no Brasil não foi diferente, tanto a ação dos patrões como a dos trabalhadores. Os bancários e professores conseguiram conquistar, via luta, cargas horárias diferenciadas que contribuiu em muito suas condições de vida e trabalho. No entanto, para maioria da classe trabalhadora a aplicação de mais valia absoluta continuou.
Como resultado do processo de luta dos trabalhadores metalúrgicos no final dos anos setenta do século passado, foi possível incluir na Constituição de 1988 uma jornada de trabalho de 44 horas semanais, mesmo contra votos de grande parte dos representantes dos patrões. Naquela época eles argumentavam que a redução da jornada iria os tornar mais pobres além de diminuir a produtividade. Nada disso se confirmou e os patrões hoje estão mais ricos e a produtividade aumentou enormemente.

Naquela época um dos parlamentares que votou favorável a redução da jornada de trabalho foi o deputado Lula. Os trabalhadores, que depositaram esperança no agora presidente Lula, esperavam uma redução de mais quatro horas (de 44 horas para 40) já que o mesmo utilizou-se do tema em seu programa eleitoral. Passado quase oito anos do mandato do governo Lula ele, ao lado das centrais pelegas e de braços dados com Dilma, volta a defender a redução da jornada para 40 horas como forma de criação de novos postos de trabalho. Pura hipocrisia ou frase de efeito em dia de “festa dos trabalhadores” com objetivo de atrair votos para sua candidata, pois o mesmo nunca moveu sua base parlamentar a apresentar nenhum projeto de lei neste sentido.

Da nossa parte, achamos importante a defesa da redução da jornada de trabalho, inclusive achamos que não deve ser de 44 para 46 horas, mas de 44 para 36 horas semanais. Tal objetivo só será alcançado com a luta direta dos trabalhadores e não através de promessas vazias de candidatos burgueses em períodos eleitorais.