terça-feira, 31 de agosto de 2010

POR QUE NÓS DO QUILOMBO URBANO APOIAMOS O PSTU




O sentimento contra partidos políticos é muito forte entre a juventude das periferias de nosso país, e não sem razão. Nosso povo é obrigado a votar de dois em dois anos, mas é impedido de decidir sobre os rumos de suas próprias vidas durante os mandatos. Tudo fica restrito há alguns picaretas que transformam o parlamento em um espaço de discursos evasivos ou num balcão de negócios de suas famílias e empresas.

Além do mais, a periferia não agüenta mais tanta promessa de melhoria de educação, saúde de qualidade, geração de emprego e ter como retorno só repressão da polícia, o único braço do Estado visível em nossos bairros. Muitos, por necessidade ou por descrença na política, preferem “vender” seus votos, visto que na democracia dos ricos a maioria dos candidatos também virou mercadoria. Milhões e milhões de reais são despejados nas contas desses senhores e senhoras, uma verdadeira farra eleitoral num país que tem mais da metade da população (54%) vivendo em situação de pobreza, no Maranhão 3 milhões vivem com menos de 120 reais.

Por outro lado, os partidos que no passado diziam defender os trabalhadores hoje nos envergonham. O exemplo do PT é desastroso, apóiam Roseana, João Alberto e Lobão, ou seja, apóiam os carrascos históricos do povo negro e pobre do nosso estado. Marina Silva é do partido de Sarney Filho, o PV, e seu vice, o empresário Guilherme Leal é um dos donos da Natura e o 13º homem mais rico do Brasil. Ele é acusado de roubar descobertas indígenas para fabricação de sabonetes e xampu. O PC do B de Flávio Dino segue a mesma linha, participou em dois governos de Roseana Sarney, enquanto Jackson Lago após derrotar o grupo Sarney nas eleições de 2006, resolveu atacar os trabalhadores com a tal “Lei do Cão” e a periferia com repressão policial. COM TANTA PICARETAGEM SERIA NATURAL ESSE SENTIMENTO CONTRA PARTIDOS... PARA NÓS DO QUILOMBO URBANO, NÃO!

Nosso apoio ao PSTU é por que esse foi o único partido que ao longo dos seus 16 anos não nos decepcionou. O PSTU participa das eleições, mas aposta mesmo é na luta direta dos trabalhadores. Seus candidatos são da classe trabalhadora, da periferia, são negros e, acima de tudo, são de luta. O PSTU não aceita financiamentos de empresas e nem de empresários por que seu compromisso é com a classe trabalhadora e não com a burguesia. Por isso mesmo a imprensa burguesa tem excluído o PSTU dos debates, assim como excluem a periferia de seus programas, a não ser daqueles como Bandeira 2 e o De Olho Em Você.

Apoiamos o PSTU por que esse humilde e valente partido sempre esteve conosco nas lutas mais encarniçada que tivemos contra a violência policial, como no caso de Gerô, das diversas prisões de nossos militantes, na campanha pelo fim da guerra interna na periferia ou mesmo nas marchas da periferia que realizamos desde 2006. Apoiamos o PSTU por que esse partido compreende a importância da luta racial contra a dominação capitalista. Assim como o PSTU nós do Quilombo Urbano não acreditamos nas eleições, mas queremos disputar a consciência de nossa juventude que em sua grande maioria votam nos partidos burgueses.

Por tudo isso e muito mais motivos aprovamos a candidatura de nosso histórico militante Hertz como candidato a Vice- de Marcos Silva. Estamos nessa disputa por que não se trata apenas de coleta de votos, mas de combater todos os tumores do capitalismo (racismo, machismo, homofobismo, violência policial, etc.) por dentro e por fora das eleições. Estamos nessa disputa por que queremos destruir o capitalismo e construir uma sociedade socialista que tanto defendemos em nossas canções, encenações corporais e artes visuais.

PELA CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO, APOIAMOS O PSTU!!!

MOVIMENTO HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO QUILOMBO URBANO

Na semana da Pátria, campanha vai exigir o fim dos grandes latifúndios Organizar o plebiscito pelo limite da propriedade da terra


André Freire
de São Paulo (SP)do Opinião Socialista/PSTU


Várias entidades dos movimentos sociais brasileiros que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, como o MST, a CNBB e outros setores ligados à Igreja Católica estão organizando na semana da pátria, de 1º a 7º de setembro, um plebiscito nacional pelo limite da propriedade da terra. Duas perguntas constam nas cédulas desta campanha:

1) Você concorda que as grandes propriedades de terra no Brasil devem ter um limite máximo de tamanho?

2) Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?


A campanha chama todos a votarem sim nas duas perguntas.

Além do plebiscito, a campanha inclui um abaixo-assinado que tem o objetivo de mobilizar os movimentos sociais para apoiar uma Emenda Constitucional que prevê que, para uma terra cumprir sua função social, ela precisa ter um limite máximo territorial de 35 módulos fiscais. O módulo fiscal é um medidor que varia de região para região, sendo que, no mínimo, um módulo fiscal equivale a 5 hectares (regiões urbanas) e no máximo a 110 hectares (região amazônica).

Embora uma propriedade rural média seja calculada hoje em até 15 módulos fiscais, a campanha definiu exigir um limite superior, de 35 módulos fiscais. A partir deste limite, a propriedade poderia ser desapropriada, mesmo que seja considerada legalmente produtiva, e incorporada automaticamente ao patrimônio público.

A reivindicação da campanha, ainda que limitada (pois caso ela fosse atendida ainda se manteriam grandes propriedades), é uma oportunidade de discutir com a classe trabalhadora e a juventude brasileira a necessidade urgente da reforma agrária no Brasil.

Qualquer proposta que busque limitar a propriedade da terra no Brasil é uma reivindicação progressiva e que objetivamente se enfrentaria com o latifúndio, a burguesia e seus governos. Por isso a grande imprensa, o agronegócio e o governo Lula se opõem tão veementemente à proposta levantada neste plebiscito.

Nossa proposta é levar as urnas do plebiscito aos locais de trabalho, de estudo e para os bairros operários e populares, como uma forma de abrir a discussão com os trabalhadores e o conjunto dos explorados e oprimidos sobre a necessidade de fortalecer ainda mais a luta por uma reforma agrária radical e sob o controle dos trabalhadores.

Uma reforma agrária que realmente enfrente e exproprie sem indenização o latifúndio e seja controlado pelos trabalhadores só será conquistada com muita luta. Só devemos confiar na força da nossa organização e mobilização para arrancar esta conquista histórica. Não será através de uma mera concessão de um governo como o de Lula, que sempre governou aliado aos grandes empresários do agronegócio, e nem através da Legislação burguesa, votada em um Congresso Nacional formado em sua esmagadora maioria por políticos burgueses e corruptos, que vamos conquistar a reforma agrária que queremos.

Vamos chamar os trabalhadores e a juventude a participarem do plebiscito como mais uma forma de ampliar a discussão e a mobilização por uma reforma agrária que rompa com os limites estabelecidos pela legalidade burguesa. Somente com a força da luta e a organização dos trabalhadores rurais sem-terra foi possível obter os mínimos avanços na reforma agrária em nosso país.

Um debate com a direção do MST

A militância do PSTU estará lado a lado com o MST nas próximas semanas construindo em todo o país as atividades do plebiscito, assim como estivemos nos últimos anos ao lado deste importante movimento social brasileiro na luta pela reforma agrária em nosso país.

Por isso, queremos chamar fraternalmente a direção do MST a que rompa com o Governo Lula e, especialmente neste momento eleitoral, que rompa com a defesa que vem fazendo da candidatura de Dilma para Presidência da República.

Os quase oito anos deste governo já foram mais que suficientes para demonstrar que Lula governou aliado ao agronegócio e, por isso, não garantiu sequer as promessas de sua campanha de garantir um aumento expressivo no assentamento das famílias dos trabalhadores rurais sem terra.

Ao contrário do avanço da reforma agrária, vimos sim crescer a criminalização dos movimentos sociais, com a manutenção de uma política de repressão física e jurídica das mobilizações pela reforma agrária, como podemos ver nos seguidos assassinatos e prisões de líderes do movimento.

Somente um governo socialista e dos trabalhadores, que governe sem a burguesia, poderá, apoiado nas mobilizações, garantir uma reforma agrária radical e controlada pelos próprios trabalhadores.

Nossa proposta de reforma agrária

O PSTU propõe que uma das primeiras medidas de um governo realmente dos trabalhadores e socialista seja a nacionalização e a estatização sem indenização do latifúndio, dominado hoje majoritariamente pelo agronegócio e as grandes redes de supermercados, com grande participação do capital transnacional.

A única possibilidade de uma reforma agrária que realmente exproprie o latifúndio se dará através da ruptura com o sistema capitalista. Não podemos confiar que um setor chamado “progressista” da burguesia vá garantir de fato a reforma agrária em nosso país.

Nossa proposta é substituir as grandes propriedades privadas, através de sua expropriação sem indenização, por fazendas estatais baseadas na produção coletiva, onde os trabalhadores produzam os alimentos necessários para matar a fome do povo pobre brasileiro, controlando sua produção e a administração do fruto do seu trabalho.

Defendemos ainda, que este modelo de reforma agrária e de propriedade do campo devam ser construídos pelos próprios sem-terras, definidos democraticamente por estes trabalhadores.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CANDIDATOS DO AGRONEGÓCIO FOGEM DO DEBATE



Foto extráida do blog de Wilson Leite

No começo de agosto o DCE da UEMA, da cidade Imperatriz, entrou em contato com a coordenação de campanha do PSTU para oficializar sobre um debate com os candidatos a governador naquela cidade. Este convite foi extensivo a todos os partidos que tem candidatos a governo para o estado do maranhão. Em reunião os partidos participantes concordaram com debate e data do mesmo, 28 de agosto.

Os militantes e candidatos do PSTU se deslocaram até aquela cidade, mas infelizmente só apareceu para o debate, além de Marcos Silva, o candidato do PSOL Saulo Arcangeli. A ausência de ROSEANA já era esperada, pois explicar as propostas mentirosas de DUDA MENDONÇA não é fácil. Roseana já está acostumada a blefar para o povo do Maranhão. O que não se esperava era ausência de Jackson e Flávio Dino, já que estes se dizem diferentes daquela e estão aptos a debater os problemas do nosso estado por fora da telinha mágica e com uma platéia que não os dirá amém. A explicação para isto é clara. O publico que estava lá e os candidatos do PSOL e PSTU iriam desmascará-los e demonstrar a todos os presentes que eles e Roseana são candidatos da ordem e do capital e, mais especificamente, do agronegócio.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Por que Zé Maria deve falar


“Deixem Zé Maria participar!” ; “Deixem Zé Maria falar!” Estas são exigências que ganharam eco depois do debate da Band, que se recusou terminantemente a convidar Zé Maria, candidato a presidente pelo PSTU, ao evento que a emissora paulista levou para todo o país.

Qual o argumento esgrimido pelos que defendem os preceitos antidemocráticos que impedem que candidaturas ideológicas de esquerda – como a de Zé Maria – tenham acesso aos debates – e em alguns casos, conforme se observou no Jornal Nacional da Globo, sequer a uma simples entrevista? Dizem que o PSTU não conseguiu alcançar uma taxa eleitoral suscetível para eleger um ou mais parlamentares. Esse seria o critério para definir quem deve ou não participar dos debates e entrevistas “especiais”.

Até como critério isso é discutível, uma vez que poderíamos enumerar outros critérios, dentre os quais o da taxa de militantes, aspirantes e simpatizantes de cada agremiação partidária. Poderia se questionar por que isso não redunda em votos. Ora, os votos decorrem de outros estratagemas. Não resultam da organização partidária regular ou da militância, mas de outros fatores, fundamentalmente daqueles de natureza econômica.

Vejamos a eleição geral passada (2006). 254 deputados e 15 senadores eleitos receberam em torno de R$ 24,1 milhões das empreiteiras. Esses parlamentares ocuparam quase metade das vagas que estavam em jogo. É assim que são construídos os mandatos parlamentares dos “principais partidos”, à base de uma dinheirama que traz à tona o fator decisivo para formação das taxas eleitorais de cada um desses partidos e coligações.

Imaginem se optássemos por considerar outros “colaboradores” das campanhas eleitorais da burguesia, notadamente os banqueiros? É assim que as candidaturas burguesas ganham corpo e são eleitas. Eis o que serve de base para que as emissoras de TV possam decidir quem convidam e quem não convidam a participar das discussões eleitorais. Trata-se de um suporte decididamente apodrecido.

Pior: tentam responsabilizar os partidos eleitoralmente menores pelas crises, maracutaias e desarranjos do sistema político como se todos os partidos menores se resumissem às legendas de aluguel. Alguns abusam da boa vontade de leitores e ouvintes e procuram relacionar essas agremiações aos jogos escusos que ocorrem nos bastidores da vida política. Vejamos se é assim. Tomemos, por exemplo, o PMDB, a segunda máquina partidária em voto (tomando por referência a eleição de 4 anos atrás), suplantada apenas pelo PT. Não é esse partido que foi base de Sarney? De Collor? De FHC? De Lula? Não é ele que apóia Serra em São Paulo (Quércia) e Pernambuco (Jarbas Vasconcelos), ao passo que nacionalmente montou chapa com Dilma para presidência?

Os que falam de voto, de bancadas parlamentares e coisas do gênero são os mesmos que silenciam quanto à incoerência ideológica dos “grandes partidos”. São os mesmos que silenciam relativamente aos processos de formação de bancadas parlamentares. É desse modo que buscam legitimar a sua cumplicidade com a democracia dos ricos, que através dos seus representantes não se furtam em fechar as portas para que por aí não entrem as candidaturas que denunciam o capital e defendem o socialismo.

É preciso, para eles, que os socialistas existam somente às margens de uma história que deverá ser unicamente a história dos que precisam prometer o paraíso às massas – que seria um subproduto da sua decantada democracia. Esse é o seu regime democrático. Uma democracia puramente retórica. Nela, Zé Maria deve ser ouvido por poucos para que milhões não possam ouvi-lo. Ouvir Zé Maria seria ouvir o que os socialistas pensam do país e o que eles propõem para mudá-lo.

Daí a necessidade de silenciar e apagar a alternativa proposta pelo PSTU. Por isso, precisamos insistir que Zé Maria deve participar de todos os debates e entrevistas. Para que os socialistas possam falar para milhões de trabalhadores quais são as suas convicções e as suas propostas para mudar o Brasil. Mas igualmente para que – na contramão do critério dominante - se ouça a voz e se veja a imagem de um candidato que não recebe dinheiro dos empresários. É por isso também que Zé Maria deve falar. Só assim os debates deixarão de se resumir às propostas das candidaturas dos bancos e empreiteiras.

Fábio José foi vereador de Juazeiro do Norte (CE) pelo PSTU entre 2001 e 2005

NÃO BASTA SER MULHER, TEM QUE SER DE LUTA


No atual cenário da política brasileira e maranhense estamos presenciando a participação de mulheres na disputa eleitoral a cargos institucionais. São candidatas a deputadas federais e estaduais, senadoras e presidente de diferentes partidos políticos. O que isso tem de novo? A mídia nos faz crer que estamos vivendo uma verdadeira democracia, no entanto o que existe é um profundo desgaste da democracia burguesa associada à corrupção que assola as instituições capitalistas, administrada por políticos homens. Esta imagem desgastada precisa ser mudada, daí a figura da mulher ser imprescindível nesse processo para ganhar a confiança da população.

Falamos isso por que de fato nos programas da maioria das candidatas não há ruptura com o machismo e a exploração das mulheres, é o caso de Dilma (Candidata à Presidente - PT ) e Marina Silva (Candidata à Presidente – PV) que estão a serviço de quem as financia: grandes empresas, bancos e além disso não propõem ruptura com o sistema capitalista que explora e oprime a maioria das trabalhadoras.

O fato de serem mulheres não significa que as coisas vão mudar para as mulheres pobres e trabalhadoras, afinal fazem parte de uma classe social que nos explora e nos oprimem, através de baixos salários, trabalhos precarizados e ataques aos nossos direitos conquistados.

Para nós do PSTU as eleições não vão resolver os problemas da classe trabalhadora, é preciso organização e luta para combater essa sociedade, rumo ao socialismo.

Não basta apenas criar secretarias especiais de mulheres ou simplesmente cumprir exigência da ONU criando a Lei Maria da Penha, achamos a criação da Lei um fato importante, mas não foi suficiente para combater a violência doméstica, além disso, o Governo Lula reduziu o orçamento para combater tal violência, este fato impede de garantir os serviços essenciais à mulher agredida como casas de abrigo, creches, assistência médica e psicológica.

por Claudicea Durans (candidata ao senado pelo PSTU/Ma)

terça-feira, 24 de agosto de 2010



O camarada Dyl Pires dia 14 de agosto acabou levando o primeiro lugar no V Concurso de Poesia Falada dos Parlapatões, aqui na Roosevelt na cidade São Paulo. Ele Participou com o poema "FAMÍLIA" . Abaixo a poesia:


sempre fomos poucos

três mulheres e um homem

os rituais em torno da mesa

tinham como imagem respeitosa

restinhos de comida

que a mãe deixava cair

pelos cantos dos lábios

o movimento concentrava

um aprendizado insuspeito

de pertencimento

para bem depois se tornar

um desenho arqueológico da ausência

o homem cresceu solitário

passando máquina zero na cabeça

para ampliar a sozinhez

e assim como os xavantes

comunicar a saudade

as mulheres bordaram no tempo

duas cadeiras a menos

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Foto diferente da publicada no Jornal




Publicado no Joenal Peuqeuno e no Blo do Joenalista Manoel Santos

A professora Claudicéa Alves Durans, candidata a senadora pelo PSTU, explica que a sua candidatura tem o propósito de servir de instrumento para fortalecer as lutas concretas dos trabalhadores e da juventude. Maranhense de São Luís, que fez a graduação no curso de Pedagogia e Mestrado em Educação pela UFMA, Claudicéa prega a elaboração de “um programa socialista de enfrentamento ao governo Lula (PT), a Roseana Sarney (PMDB) e à oposição de direita (PSDB, DEM e PV) e à pseudo-oposição de esquerda (PT e PCdoB).”

Professora do Ensino Superior do IFMA (antigo Cefet), Claudicéa Durans iniciou sua trajetória de militância política no movimento popular e pastoral de juventude no bairro da Liberdade. Na UFMA, ainda como estudante participou do Movimento de Universitários Negros.

Hoje é militante sindical de base filiada ao Sindsep e Sinasefe. Integra ainda o Movimento Negro Quilombo Raça e Classe da Conlutas. É militante do PSTU desde a sua fundação em 1994. Abrigada neste partido disputou as eleições de vereador em São Luís no ano de 2008.

Agora, candidata ao Senado, Claudicéa sabe que vai enfrentar uma disputa desigual: “Os candidatos burgueses contam com amplos recursos e a conivência da imprensa e da Justiça. Essa máquina eleitoral riquíssima que está a seu favor vai desde a compra de votos até a utilização de cabos eleitorais pagos”, afirma a candidata a senadora do PSTU. Nesta entrevista ao Jornal Pequeno, Claudicéa Durans fala sobre suas idéias e propostas:

Jornal Pequeno – Qual a sua expectativa, do ponto de vista político e eleitoral, em relação às próximas eleições de outubro no Maranhão?

Claudicea Durans – Inicialmente gostaria de esclarecer que todas as candidaturas do PSTU no Brasil e no Maranhão estão inteiramente a serviço das lutas dos trabalhadores. Ao contrário dos outros partidos não somos políticos profissionais que só aparecem no período eleitoral para ludibriar a população com promessas que não irão ser cumpridas, pois estão presos por acordos com grandes empresas e bancos que financiam suas campanhas e depois de eleitos estabelecem contratos de serviços e obras públicas com tais empresas, por isso a elas estão presos política e financeiramente.

Nós do PSTU somos trabalhadores: professores, operários, bancários, servidores públicos, estudantes, ativistas conhecidos das lutas sindicais, estudantis e dos movimentos sociais e populares. Nossas candidaturas são para fortalecer as lutas concretas dos trabalhadores e da juventude, através de um programa socialista de enfrentamento ao governo Lula (PT), a Roseana Sarney (PMDB) e a oposição de direita (PSDB, DEM e PV) e a pseudo-oposição de esquerda (PT e PCdoB).

No campo eleitoral sabemos que vamos enfrentar uma disputa desigual, pois candidatos burgueses contam com amplos recursos e a conivência da imprensa e da justiça. Essa máquina eleitoral riquíssima que está a seu favor vai desde a compra de votos, cabos eleitorais pagos, que diga-se passagem é um absurdo vermos idosos, crianças e os jovens cabisbaixos, balançando bandeiras ou entregando panfletos em retornos de avenidas e praças públicas de São Luís, tentando sobreviver de migalhas, sofrendo humilhações para propagandear políticos de direita que nunca fazem nada em benefício da população. Nossa candidatura será realizada com contribuições dos trabalhadores e com isso temos orgulho de dizer que somos independentes dos patrões e dos governos.

JP – O que representa, no atual cenário político do Estado, a sua candidatura ao Senado da República?

Claudicea Durans – Pretendemos primeiramente fazer um diálogo com os trabalhadores sobre o que representa o Senado, instituição esta que surge na época do Império (1824), foi inspirada na Câmara de Lordes da Grã-Bretanha, cujos senadores não eram eleitos e possuíam cargos vitalícios. No período republicano o Senado inspirou-se no modelo federalista dos EUA, no qual os senadores representavam os estados e os deputados o povo. Este modelo se configurou no Brasil, os estados têm direito a três senadores e não se leva em conta a quantidade de habitantes de um estado para eleger os representantes.

Cada senador tem um mandato de oito anos, o que equivale o dobro dos deputados. Além disso, essa segunda câmara legislativa controla um orçamento de R$ 3,5 bilhões ao ano. O Senado historicamente no Brasil tem fortalecido as oligarquias, através de esquema político de negociação com o governo federal que tem financiado algumas poucas obras públicas para obter apoio desses senadores nos estados e dessa forma enganam a população, que fica permanentemente grata e comprometida em votar nesses senadores. O Maranhão é um exemplo típico desse acordão.

Com a política do governo Lula esse esquema foi ampliado, pois figuras como Collor de Melo, Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros ganharam sobrevida nesse governo. Vale lembrar que há um ano atrás o Senado foi palco de denúncias de corrupção, nepotismo por meio de atos secretos, desvios de verbas, contratos fraudulentos, a exemplo da Fundação Sarney com Petrobras.

Esta crise teve como principal protagonista Sarney, presidente do Senado, porém as denúncias foram arquivadas, o que mostra por um lado, o verdadeiro caráter de corrupção desta instituição e por outro lado, o papel que teve o governo do PT com apoio do PCdoB nessa política, aliás, todos nós lembramos quando Lula utilizou a mídia em defesa do Sarney, tudo para conseguir o apoio da base aliada (PMDB) à candidatura de Dilma à Presidência da República.

O PT de Lula não levou em conta a opinião da população, cerca de 74% queria o afastamento de Sarney. Também temos percebido que as poucas leis que são propostas em benefício dos trabalhadores têm passado por dois crivos: o primeiro a Câmara de Deputados, o segundo o Senado, daí porque tanto tempo os projetos de lei ficam em tramitação e quando são aprovados no Legislativo saem totalmente desfigurados do projeto original. Então para que duas câmaras com a mesma finalidade? As nossas candidaturas ao Senado pretendem dialogar com os trabalhadores sobre tudo isso e defendemos o fim do Senado por uma única câmara legislativa, além de colocar as nossas candidaturas a serviço da classe trabalhadora.

JP – Quem são os candidatos a suplente de senador em sua chapa? Fale sobre eles:

Claudicea Durans – Janilde Sousa Santos é professora da rede municipal e estadual de ensino e Valdelino Ferreira da Silva, operário da construção civil. Ambos representam setores importantes da classe trabalhadora.

JP – Qual sua análise da atual representação do Maranhão no Senado? Cafeteira? Mauro Fecury? Sarney?

Claudicea Durans – O Senado, como já havia afirmado antes, é uma instituição que serve aos interesses das oligarquias e da elite brasileira. No Maranhão estes senhores representam esses interesses. A população maranhense acaba até esquecendo que tem representação nessa instituição, pois não fazem absolutamente nada, só sabemos que eles estão lá quando vemos noticiadas em toda a imprensa denúncias de corrupção como a de Sarney no Senado, que para nós essa prática já é bastante conhecida durante as décadas que esteve à frente do Estado e da Presidência da República. É bom esclarecer que Sarney não é senador pelo Maranhão e sim pelo Amapá, através das manobras que utilizou para se eleger naquele Estado.

JP – Qual sua opinião sobre a questão das minorias, da inclusão social, do racismo e da questão do negro no Brasil e no Maranhão?

Claudicea Durans – A história da população afrodescendente no país e no Maranhão é marcada pela desigualdade socioeconômica, sustentada pelo preconceito, pela discriminação e pelo racismo. No debate racial deve-se ter como pano de fundo as experiências que tivemos no Brasil e que sedimentaram as relações sócio-raciais. Desta forma deve-se levar em conta o período prolongado de escravidão que durou quase 400 anos em contraste com apenas 122 anos de trabalho livre.
Não podemos esquecer que nós negros construímos esse país e fomos tratados apenas como coisa, objeto por quase quatro séculos, portanto o Estado brasileiro deve a nós uma dívida histórica por não garantir qualidade de vida digna.

Somado a isso fomos vitimas de valores discriminatórios e racistas que até hoje estão presentes no inconsciente brasileiro. É bom lembrar que no trajeto da sociedade a ciência, os intelectuais introjetaram e produziram mitos como da inferioridade do negro, da ideologia da mestiçagem e da democracia, utilizados para nos colocar como cidadãos de segunda classe, inferiores e invisíveis a ponto de não nos identificarmos enquanto grupo étnico e de classe e termos assim, uma identidade desfigurada pela estrutura social.

Esses elementos são fundamentais para entendermos o porquê de nossas reivindicações históricas, a exemplo das lutas do movimento negro por condições materiais que passa pela construção da identidade negra. Sabermos quem somos, para onde vamos, que papel temos na sociedade, são questões fundamentais nessa luta e enquanto tivermos crianças negras em condição de rua, adolescentes e jovens sendo dizimados pela violência, repressão policial, mulheres sendo violentadas, vitimas de violência e do machismo a nossa luta será necessária.

Nesta árdua luta não podemos deixar de registrar Magno Cruz, que precocemente encerrou a sua jornada aqui na terra, mas estará sempre presente em nossa memória, enquanto um referencial no combate à questão social e racial do Maranhão e do Brasil.

JP – Que propostas defende como candidata ao Senado?

Claudicea Durans – Apesar das conquistas do movimento negro a exemplo da Lei 10.639 que institui o ensino da África e dos afrodescendentes no currículo e as cotas para negros nas universidades, não podemos esquecer que estas conquistas estão sendo ameaçadas, sobretudo com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que não passou de um acordo entre o DEM de Demóstenes Torres, a Secretaria da Promoção da Igualdade Racial e o PT.

Este estatuto suprimiu pontos importantes como cotas para negros nas universidades públicas, participação dos negros em partidos políticos que na versão original era de 30% e foi reduzido para 10%; supressão do texto que tratava da regularização de terras para remanescente de quilombo e ainda estabeleceu-se o compromisso do governo em oferecer incentivos ficais às empresas privadas com mais de 20 funcionários que contratem pelo menos 20% de negros em seu quadro de funcionários.

Foram também retirados conceitos clássicos de nossa luta histórica como raça, escravidão e identidade negra sob o pretexto de já ter superado o racismo e que estamos avançando no sentido da democracia na sociedade brasileira. Nós do PSTU acreditamos que uma verdadeira política racial no país deve garantir o direito da titulação de terras aos quilombolas, as cotas nas universidades públicas, o combate ao racismo, pela garantia das condições de vida igual para todos. Discordamos da política adotada pelo governo Lula e de Roseana de segurança, que apenas militariza a política de segurança com a criação da Força Nacional e tem o papel de exterminar a juventude negra das periferias.

Não podemos esquecer um dos piores crimes de racismo no Brasil vivido por Gerô há dois anos atrás. Hoje os policiais condenados já estão soltos e alguns foram promovidos no governo Roseana, o que é um absurdo! Exigimos do governo Lula a imediata retirada das tropas brasileiras do Haiti, que cumprem o papel de reprimir nossos irmãos da América. Acreditamos também que o fato de apenas criar secretarias de promoção da igualdade racial que, diga-se de passagem, sem recursos próprios não resolverá o problema.

JP – Qual a posição do seu partido em relação à sucessão presidencial?

Claudicea Durans – Acreditamos que as eleições não irão resolver os problemas da classe trabalhadora e participamos dela para apresentar nosso programa socialista para os trabalhadores. A não participação dos trabalhadores nesse processo deixaria os dois blocos burgueses majoritários sem nenhuma contestação. Utilizamos este processo para fortalecer as lutas dos trabalhadores. Neste sentido, nosso candidato a presidente da República, Zé Maria de Almeida, um operário metalúrgico, vem expressar nossa estratégia socialista e a defesa dos trabalhadores.

As experiências com o PT de Lula e o PSDB de Serra já demonstraram para quem estes partidos governam. Para se ter uma idéia, nos oito anos de mandato de Lula as grandes empresas quadruplicaram seus lucros e só em 2009 foram entregues aos banqueiros 380 bilhões. Este valor representa 35% de todo o orçamento nacional, enquanto para a educação no mesmo ano destinou-se 2,88% e para saúde apenas 4,64% do orçamento.

O PSDB por onde tem passado tem valorizado a política de privatizações e congelamento de salários. Marina Silva (PV), por sua vez, não representa nada de novidade. Esteve presente no governo Lula como ministra do Meio Ambiente e em sua gestão houve um considerável aumento do agronegócio, defendeu recentemente o Banco Central no aumento das taxas de juros e tem nada mais que o dono da Natura – Guilherme Leal (13º mais rico do país) – como seu vice. Ele está sendo processado por biopirataria no Acre pelo Ministério Público.

Os trabalhadores precisam ter uma vida digna com educação, saúde e moradias de qualidade. Para isto somos radicalmente contrários ao domínio das grandes empresas e defendemos o não pagamento da dívida interna e externa.

JP – O seu partido, nestas eleições, tem a particularidade de ter uma candidata a vice-presidente da República negra e do Maranhão. Fale sobre isto:

Claudicea Durans – A professora Cláudia Durans é conhecida no Maranhão e no Brasil por sua atuação no movimento sindical à frente do ANDES – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior pela defesa da universidade pública e valorização do trabalho docente. A sua candidatura expressa a luta do povo nordestino, mulheres e negros contra a opressão.

JP – Como avalias as demais candidaturas ao Senado: Lobão, João Alberto, Vidigal, Zé Reinaldo, Roberto Rocha, Noleto, Professor Adonilson etc?


Claudicea Durans – Nós do PSTU apresentamos além da minha candidatura, a do companheiro Noleto como alternativas para o Senado. Acreditamos que candidatos como Lobão, João Alberto, Vidigal, Zé Reinaldo e Roberto Rocha representam apenas a continuação do atual modelo de exploração e dilapidação do patrimônio do estado do Maranhão para servir aos interesses do latifúndio e das grande empresas às custas da humilhação da grande maioria da população maranhense.

Sobre o companheiro Noleto, é um dos fundadores do nosso partido, militante sindical, demitido da Alumar por sua atuação em defesa dos interesses dos trabalhadores, além de ser um defensor contundente da necessidade da revolução socialista.

JP – Qual sua visão sobre a candidatura da governadora Roseana Sarney à reeleição?

Claudicea Durans – As experiências com os governos de Roseana foram um verdadeiro caos do ponto de vista dos trabalhadores. Viu-se a adoção de políticas privatizantes de importantes empresas como a Cemar, Banco do Estado (BEM), Copema e Emater. O seu governo foi mergulhado em situações de escândalos como o caso da Lunus e da empresa de confecções em Rosário. O Maranhão tem os piores indicadores sociais.
Na área de educação assistiu-se a implantação do tele-ensino, modelo de educação com formação aligeirada para alunos da rede pública em péssimas qualidades, buscava apenas mercantilizar a educação com a TV Globo. O seu governo de fato trouxe lucro para empresas, bancos e enriquecimento da sua família. Aos trabalhadores dedicou-se a ataques principalmente aos professores. Muitos trabalhadores foram demitidos com o aniquilamento e a extinção de empresas importantes que moviam a economia do estado.
A família Sarney é bastante desgastada no Maranhão. Todos nós conhecemos as mazelas deixadas por esta oligarquia que trata o estado como feudo seu, mas se mantém por um lado, através de propagandas midiáticas (é dona de TV, rádio e jornais) e por outro lado pelo PT, que tem como seu vice o ex-diretor do SINDSEP-MA Washington Luiz. Incondicionalmente o PT tenta manter o prestígio desse grupo com a classe trabalhadora, mas está tão desgastado quanto. Tudo isso é um absurdo! Absurdo também é o jingle de campanha de Roseana que, em um trecho diz: “Deus lhe deu outra chance”, como se não houvesse o dedo de seu querido pai na cassação de Jackson para o retorno do controle do Estado.

JP – E as candidaturas ao governo de Jackson Lago, Flávio Dino, Saulo Arcangeli etc?

Claudicea Durans – Há uma distorção muito grande no processo eleitoral. As eleições representam projetos políticos e não apenas competência para administrar a máquina do estado. Não se trata de meritocracia, onde alguns “dotados” aprenderam nas academias habilidades e competências para assumir cargos. É claro que a formação é importante neste tipo de processo, mas que tipo de formação? Para que e para quem esta formação está destinada?

Há políticos de direita que aprendem a falar em público sem ter tido nenhum contato com os trabalhadores, aprendem através de cursos de oratória destinado a esse público alvo. Para nós do PSTU nessas eleições é importante, para de fato mudar a situação da classe trabalhadora, um programa de governo que seja o conhecimento da realidade do Estado, mas também aponte saída para que a maioria – trabalhadores, estudantes e desempregados tenham vida digna, não é se atrelando à direita ou à situação como faz o PCdoB de Flávio Dino e o PDT de Jackson Lago para obter vantagens eleitorais.

Já tivemos experiência com a frente ampla que se constituiu no Estado para derrotar a família Sarney, porém essa frente foi apenas eleitoreira, e hoje o PT que fazia parte desse grupo foi de pires na mão compor alianças com Roseana Sarney. Quanto ao Saulo Arcangeli é um companheiro valoroso dedicado às lutas sociais, integra a Conlutas (nossa Central Sindical) nacionalmente.

JP – Que avaliação fazes das recentes pesquisas sobre os candidatos ao Senado e ao governo do Maranhão?

Claudicea Durans – As pesquisas realizadas no início da campanha eleitoral ainda não expressam o quadro real da sucessão no estado. O grande número de eleitores indecisos demonstra que as eleições estão indefinidas e uma parcela importante dos maranhenses já não suporta ver os nomes dos políticos mentirosos de sempre pedindo novamente o voto.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Programa eleitoral na TV: o nada embalado em superprodução hollywoodiano

Do site do PSTU
Diego Cruz
da redação



Em uma campanha que começou antecipada, o primeiro dia do programa eleitoral gratuito na TV, nesse dia 17 de agosto, foi cercado de expectativa. É lá que os candidatos vão tentar consolidar seu favoritismo ou virar nas pesquisas de intenções de votos. Não é novidade, portanto, os milhões que os grandes partidos gastam na produção dos programas eleitorais, que cada vez mais se aproximam de verdadeiras superproduções cinematográficas.

Se o último período já foi vazio de qualquer espécie de debate eleitoral, a despolitização que marca a campanha só tende a se aprofundar. O primeiro programa dos dois principais candidatos, José Serra e Dilma Roussef, já mostraram que os marqueteiros vão tentar esconder a completa ausência de diferença política entre as duas candidaturas, com muitos efeitos especiais, além de uma série de artifícios novelescos, como uma trilha sonora emocionante e o enfoque na biografia dos presidenciáveis. Tudo para não falar de política.

O Zé do PSDB

O que primeiro chama a atenção na propaganda eleitoral gratuita, que deveria em tese ser um espaço para os candidatos exporem suas ideias aos eleitores, é o profundo caráter antidemocrático dessas eleições. As coligações encabeçadas pelo PT e PDSB detêm juntas mais de 17 minutos do horário dedicado aos candidatos ao Planalto, monopolizando quase que totalmente o tempo dedicado aos presidenciáveis, enquanto as demais candidaturas se espremem em tempos que vão de 1 minutos e 23, que é o caso de Marina Silva, aos reduzidos 55 segundos do PSTU.

Nesse teatro eleitoral, os dois principais candidatos podem se dar ao luxo de esbanjar o tempo com longas vinhetas embaladas por músicas e imagens estonteantes. Produzidos por marqueteiros, os candidatos são moldados como um produto qualquer, quase como um sabão em pó na prateleira de um supermercado. Vale a máxima de que conteúdo não é nada, mas imagem é tudo.

Nessa linha, a tentativa do PSDB de retrabalhar a imagem de José Serra beirou o ridículo. O nome do tucano, com toda a razão, está associado às elites, às privatizações do período FHC e à direita. O programa do partido, porém, tentou apresentar aos eleitores um candidato diferente, um “Zé” de origem humilde e próximo ao povo. Exatamente o contrário de tudo o que o candidato representa. Nessa tentativa frustrada, o mais constrangedor foi uma favela cenográfica usada como palco para o candidato e o seu jingle, que diz “quando o Silva sair, é o Zé que quero lá”.

Os marqueteiros tucanos chegaram a trocar as cores tradicionais do partido, utilizando o verde e amarelo no lugar do histórico azul. O programa do PSDB se centrou no histórico do candidato, enfocando sua passagem pelo ministério da Saúde no período FHC, ao mesmo tempo em que pintava o estado de São Paulo como uma ilha de prosperidade e abundância devido ao seu governo. As epidemias de dengue durante a época de Serra como ministro, assim como as privatizações, o desemprego e o aumento da pobreza durante o governo FHC foram evidentemente ignorados. Assim como os pedágios nas estradas paulistas.

Uma personagem chamada Dilma

Já o programa da candidata governista trouxe uma superprodução hollywoodiana para apresentar Dilma ao grande eleitorado. No primeiro programa, na parte da tarde, os 10 minutos do PT dedicaram-se a conferir a Dilma uma personalidade própria, a fim de fugir à pecha de candidata “poste” de Lula. Desta forma, a biografia da candidata foi editada para mostrar uma linha de continuidade entre seu passado de luta contra a ditadura, seu engajamento no processo de abertura política até sua atuação como ministra no governo Lula. Nessa última parte, a história foi reescrita para mostrar Dilma como figura central do governo Lula desde seu primeiro momento. Na verdade, ela assumiu posição de destaque só após o escândalo do mensalão, que derrubou todo o alto escalão do PT no governo.

O programa da noite da candidata petista tentou reforçar a ligação de Lula a Dilma, assim como a ideia de continuidade do que seria seu futuro governo. Tomadas aéreas e belas imagens filmadas em película de cinema traziam um Brasil idílico, só existente na ficção que se tornou o programa eleitoral. A fala, os gestos e até mesmo a entonação de voz, foram visivelmente ensaiados, num exercício de “media training”. Por fim, uma trilha emocional tentava arrancar lágrimas dos espectadores.

Tanto Serra quanto Dilma se esmeraram em dar o tom mais emocional possível aos seus programas. O motivo não é difícil perceber. Sem argumentos racionais para se diferenciarem politicamente, o terreno das emoções é o único onde podem encenar essa falsa polarização.

PSOL ataca financiamento de bancos, mas...

O primeiro programa de Plínio Sampaio se resumiu à biografia do candidato. Já o segundo, exibido à noite, causou mais impacto ao trazer uma paródia de Dilma e Serra, ambos caracterizados como lutadores de boxes num ringue, financiados pelos grandes bancos. Eles são “nocauteados” pelo PSOL.

A denúncia é correta e o programa é bastante criativo. Mas fica um questionamento ao partido de Plínio. Não pode ter financiamento de bancos, mas e de empresas? Em 2008 o PSOL do Rio Grande do Sul recebeu R$ 100 mil da Gerdau, além de recursos da Taurus. Agora, a polêmica sobre financiamento privado foi um dos principais pontos para a não reedição da Frente de Esquerda.

PSTU: um operário e socialista dessa vez

A candidatura de Zé Maria abriu sua série de programas mostrando que o Brasil divulgado pela imprensa e o governo está longe do país de verdade em que vivem cotidianamente milhões de trabalhadores. Nos seus parcos 55 segundos, o programa denunciou os baixos salários e as dívidas que crescem a cada dia.

"Muitos apóiam o governo porque o comparam com os terríveis anos de FHC; o PT usa essa lembrança para esconder que poderia ter mudado realmente esse país”, explica Zé Maria, contextualizando os altos índices de popularidade do governo Lula, mesmo com uma política econômica que nada deve aos oito anos de FHC.

”Não é verdade que o único caminho era governar com os patrões; é possível ter salário decente e emprego para todos" , afirma ainda Zé, dizendo que para isso é necessário ”enfrentar as grandes empresas e os bancos”. O candidato denunciou ainda o boicote da mídia à sua candidatura e a falta de democracia na campanha eleitoral, chamando as pessoas a entrarem no site e conhecerem mais sobre a candidatura.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O DIABO TAMBÉM É MOLEQUE NAS ELEIÇÕES BURGUESAS



“O diabo é moleque”. Esse é um conhecidíssimo ditado popular, mas se levarmos em consideração que as ações do “dito cujo” é geralmente associado à ostentação, riquezas e coisas ruins, então não precisamos queimar muito neurônios para identificar quem carrega o maldito tridente nessas eleições. Para nós o moleque do diabo é burguês e daqueles que mente e faz piada de mau gosto.

Nem bem o circo eleitoral da democracia burguesa abriu suas cortinas, os partidos burgueses com seus candidatos pra lá de ridículos entraram em cena. Roseana Sarney do PMDB, em entrevista concedida a TV Mirante, emissora de sua família, disse que em seu governo vai preparar nossa juventude para as olimpíadas de 2016 por que ela também foi jogadora de voleibol, bela proposta não?

No entanto, quando o candidato Marcos Silva do PSTU participava de uma entrevista nessa mesma emissora o arrogante jornalista Sidney Pereira insistia: proposta, candidato! Proposta, candidato! O que o caro jornalista queria dizer era: prometa candidato! Minta candidato! Entre no circo candidato! Só que Marcão que não é diabo, mas sabe ser moleque contra a burguesia, encerrou a entrevista dizendo que “o Maranhão precisa de um governo dos trabalhadores e não de uma boa jogadora de baralho”. Confesso que dei boas gargalhadas, Sidney Pereira não, nem os diabos de narizes vermelhos da burguesia.

Em outros programas o diabo aparece fazendo molecagem ainda moleque, quero dizer ainda criança. No “curta metragem” apelativo do PT Dilma aparece ainda criança rasgando uma nota ao meio para dar metade a “um menino tão magro e de olhos tão triste”. Ora quem tem dinheiro pode rasgar, os trabalhadores não!. Para quem declarou que vai gastar 187 milhões na campanha, fora o que não foi declarado, essa cena não passa de uma brincadeira, de mau gosto é claro, especialmente com os mais de 63 milhões de brasileiros que (sobre)vivem das “esmolas” do bolsa família. O programa fecha com a candidata jogando um pedaço de pau para seu “cãozinho” pegar. O tempo concedido ao “cãozinho’ daria para o PSTU e o PSOL, juntos, apresentarem seus programas eleitorais.

O candidato a deputado pelo PTC do Maranhão Edvaldo Holanda Júnior tenta em seu programa nos convencer que Deus, e não o moleque de rabo e chifre, o escolheu para a política desde criancinha, uma vocação divina. Diz que aos três anos de idade já era levado pelo seu avô aos comícios do seu pai. O “dito cujo” hoje é vereador e há dois meses fez a “molecagem” de votar contra os professores do município de São Luís que estavam em greve em defesa de direitos contra o prefeito João Castelo. Tudo indica que Edvaldo Holanda Júnior desde criancinha já aprendia como fazer traquinagens contra a educação pública, pois seu pai e deputado Edvaldo Holanda foi o maiores defensor da “Lei do Cão” de Jackson Lago que visava suprimir inúmeras conquistas dos professores do estado do Maranhão e dos funcionários públicos em geral.

Ridículo mesmo foi o programa do PMDB para o senado. Nele os moleques da terceira idade, Edson Lobão e João Alberto, aparecem de forma patética fazendo brincadeirinhas e trocando gentilezas. Não falam absolutamente nada das tais “propostas” que eles dizem que nós do PSTU não temos. Ora tudo mundo sabe que esses “caras” estão mesmo é tirando sarro de nossas “caras”, pois apostam em ganhar as eleições na bolsa de valores dos votos.

Mais ridículo ainda é a situação do PT, uma verdadeira molecagem sem a menor graça. Envolvidos até a medula com o PMDB em nível nacional, alguns tentam ridiculamente dissociar-se da candidata Roseana Sarney do PMDB, mas somente nos espaços em que ela é antipatizada. Sabem eles que tanto Dilma quanto Lula defendem ardorosamente Roseana, mas esses petistas, como Domingos Dutra e companhia, criticam Roseana, mas tal como Roseana defendem igualmente Dilma e Lula. No entanto é nos votos que a oligarquia arregimentará nessas eleições que eles depositam suas esperanças. Se fosse o contrário, então por que não mudaram de partido ou retiraram suas candidaturas como prometeram caso a aliança PT/Roseana se consolidasse? Como Diz Eloy Natan, candidato a deputado Federal pelo PSTU “eles são todos farinhas do mesmo saco”.

Pode até parecer brincadeira, mas tudo isso é muito sério. Nós PSTU fomos retirados autoritariamente dos debates por que a burguesia não quer ver nosso partido chutando o “pau da barraca”, ou melhor, do circo eleitoral que esses “homens armaram pra nos convencer”. Não faremos isso com as loucuras que eles nos acusam de praticar, mas com o programa que eles nos impedem de debater. PT, PV, PSDB, PMBD, PC do B e tantos outros partidos que recebem milhões da burguesia para enganar e ridicularizar nosso povo não é digno de confiança, a classe trabalhadora precisa confiar somente em sua própria força.

Se nas eleições “o diabo é moleque”, após o pleito muitas dessas brincadeiras pode acabar em choro com o aumento do desemprego, da violência, da fome e da miséria entre nosso povo. Contra isso queremos apresentar nosso programa socialista para que a classe trabalhadora possa, para além das eleições, se organizar na luta para fazer valer um outro ditado popular muito conhecido que diz “quem rir por ultimo rir melhor”.

Hertz Dias- Militante do Quilombo Urbano e candidato a vice-governador pelo PSTU

A SÁIDA NÃO ESTÁ NA PROFISSÃO






O camarada Marcos Silva, candidato a Governador do Maranhão pelo PSTU, foi entrevistado na TV Mirante, repetidora da Rede Globo no Maranhão, empresa esta pertecente a Família Sarney. Em um determinado momento da entrevista o apresentador pede para ele dizer algo aos eleitores em vinte seundos. Ele diz:

"O Maranhão não precisa de um bom Médico, nem de um bom Advogado, nem de um bom Eletricista e muito menos de uma boa Jogadora de baralho, precisa é de muita mobilização.."

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

MEU PARTIDO É ASSIM



Do blog do PSTU MARANHÃO

O militante do PSTU é muitas vezes admirado por suas intervenções nas lutas dos trabalhadores e estudantes. Nós lutamos para sermos os melhores ativistas das mobilizações, porque este é o nosso terreno predileto: as ações diretas das massas.

Para possibilitar este tipo de intervenção, os militantes se reúnem semanalmente nos núcleos do partido. Estes núcleos são oS organismos de base do PSTU. Cada um deles está organizado ao redor de uma frente de intervenção: um núcleo de companheiros de uma fábrica, ou de uma região operária, outro de estudantes de uma escola ou universidade, outro ainda de professores de uma região.

Nestas reuniões, os militantes discutem a situação política nacional ou outro tema definido no núcleo, e a política concreta para cada setor dos trabalhadores ou estudantes.

A sociedade capitalista aliena as pessoas, que não desenvolvem o potencial que tem. Muitos companheiros que não se arriscavam a falar em público, com a militância no partido e no movimento de massas, se tranformam em bons oradores. Outros vão se especializar em organizar as atividades ou na propaganda fazendo palestras e cursos. Com a militância, os companheiros podem desenvolver qualidades que não poderiam fazê-lo em outras circunstâncias, se transformando em bons agitadores, propagandistas ou organizadores.

O nosso partido funciona em base ao princípio do centralismo democrático. A centralização da ação do partido é necessária porque nós nos enfrentamos com a burguesia que se centraliza através do estado. Não existe nenhuma maneira de lutar pelo poder sem uma estrutura centralizada, que enfrente o estado burguês. Não existiu nenhuma revolução vitoriosa sem uma organização centralizada a sua frente.

O centralismo democrático significa que, no partido deve haver ampla liberdade de discussão interna, e depois, que a ação de todos seja centralizada. Isso implica a possibilidade e necessidade de que o partido viva um amplo debate entre posições diferentes. As grandes definições políticas do partido são decididas em nossos congressos, que se realizam a cada 2-3 anos. Os documentos são discutidos por todos os militantes, que elegem delegados para o Congresso, que finalmente votarão os documentos. A partir daí todos os militantes implementam as posições definidas pelo congresso. Nos períodos prévios aos congressos, existe a possibilidade que estas diferenças se expressem inclusive na organização de tendências e frações. Mas uma vez decidida a política em Congresso, as tendencias e frações se dissolvem, sendo obrigação de todos aplicarem a mesma política, definida pela maioria.

Entre os congressos, o partido tem uma estrutura centralizada por seus organismos de direção, sendo o Comitê Central a máxima direção da organização, eleito no Congresso Nacional. As regionais discutem e decidem como implementar e adequar a política nas cidades e elegem suas direções regionais. As células discutem e decidem como intervir nas suas frentes e elegem suas próprias direções.

O partido tem o objetivo de chegar um dia a luta pelo poder , e para isso é necessário crescer, ganhando outros militantes. Por este motivo é necessário que nossas idéias sejam conhecidas por outros ativistas. O nosso jornal é o principal instrumento de divulgação de nossas idéias. Por este motivo todos os militantes do PSTU devem trabalhar com o nosso jornal divulgando-o para outros companheiros.

O partido é sustentado pelos próprios militantes. Não recebemos e não queremos receber dinheiro da burguesia ou de corrupção. É o próprio movimento operário e estudantil que deve sustentar o partido. Isto se faz principalmente através das cotas mensais de cada militante. Todos os militantes cotizam regularmente para o partido , dentro das possibilidades reais de cada um. Anualmente fazemos também campanhas financeiras em que pedimos a colaboração dos ativistas de fora do partido.

O militante do PSTU tem deveres e também direitos completamente diferentes dos filiados ao PSTU. Embora em nosso partido, os filiados sejam muito importantes, são os militantes que decidem as políticas do PSTU.

A relação do filiado com o partido é extremamente flexível. Um filiado recebe o nosso jornal pelo correio, é convidado para as grandes atividades de propaganda (palestras, cursos), assim como é também convidado a se integrar na medida de suas possibilidades em nossas campanhas políticas , como agora com a campanha eleitoral. Caso queira pode participar ou não destas reuniões e atividades, mas não tem nenhuma obrigação de fazê-lo, assim como não está submetido ao centralismo democrático. Caso queira, pode avançar na relação com o patido se tornando um militante. Ou pode permanecer como um filiado, com o grau de integração que achar melhor.

O militante é aquele que participa das reuniões, intervém no movimento de massas com a política do partido, cotiza regularmente e vende os nossos jornais. Funcionam em base ao centralismo democrático Os militantes têm uma dedicação ao partido muito superior a dos filiados, que recebem os jornais e cotizam, mas não participam regularmente das reuniões.

Por este motivo, os militantes são os que votam na política a ser decidida nos congressos partidários. Os que votam nas células qual será a política do PSTU nas frentes de militância. Nisto também existe uma diferença de qualidade entre o PSTU e o PT. No início as convenções petistas eram definidas pela militância que estava nos núcleos. Hoje são os filiados (mobilizados da mesma maneira que os partidos burgueses com kombis e dinheiro) que definem as decisões dos Congressos. Aqui também um programa distinto se apóia em uma forma de organização adequada.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A burca em questão O governo de Nicolás Sarcozy, que se orgulha de ser considerado um dos governos europeus que mais respeita as liberdades individua


Cecília Toledo
da revista Marxismo Vivo


Em dezembro do ano passado, o governo francês aprovou uma lei proibindo o uso de símbolos religiosos nas escolas, entre eles o véu islâmico. Agora, a lei está para ser votada no Senado e depois sujeita ao crivo do Conselho Constitucional, por iniciativa do próprio governo. Ela multa em 150 euros o uso em espaços públicos do véu integral (burca ou nijab), além da obrigação de participar de um "curso de cidadania". As penas mais pesadas vão para quem seja condenado por obrigar as mulheres ao uso do véu integral: um ano de prisão e multa até 30 mil euros. O governo francês alega, com essas medidas, estar defendendo o princípio democrático da separação Igreja-Estado.

Os ritos religiosos em geral oprimem e humilham as pessoas, subordinando-as à ordem existente. É uma questão de direitos humanos o respeito às opções religiosas de cada um. Mas igualmente é uma questão de direitos humanos que uma mulher não seja apedrejada no meio da rua porque resolveu romper o seu casamento com um homem. Como resolver essa contradição? Os governos burgueses, à direita e à esquerda comprometida com a manutenção da ordem vigente, acham que basta votar uma lei no Parlamento.

A burca, espécie de túnica que cobre as mulheres da cabeça aos pés, é uma imposição religiosa. É uma das muitas formas de cumprir o preceito do Corão de que as mulheres sejam recatadas. Dependendo do momento histórico, esse preceito é mais ou menos radicalizado. E a burca surgiu há pelo menos um século, e se impôs de forma mais contundente depois que grupos fundamentalistas mais conservadores, como o Taleban, foram se impondo no mundo islâmico.

Muitas mulheres seguem esse costume de usar a burca porque acreditam que assim estão respeitando os preceitos religiosos; outras porque o véu já faz parte de sua cultura e outras porque têm medo de serem reprimidas. O fato é que essa imposição religiosa, por mais absurda que possa parecer aos olhos de quem não vive num país islâmico, é algo integrado à cultura islâmica e uma imposição para as mulheres que elas estão obrigadas a seguir.

Religião combina com dor

As práticas obscurantistas sobreviveram aos tempos. Em algumas religiões, os homens se chicoteiam até arrancar sangue das costas para pagar os pecados; em outras, os crentes usam uma coroa de espinhos na cabeça para sentir “a dor que Cristo sentiu”, outros jejuam dias e dias na crença de estar assim purificando o corpo. As práticas obscurantistas, graças ao desenvolvimento desigual e combinado, convivem com concepções avançadas, materialistas, e entram em contradição com umas com as outras.

As práticas que causam sofrimento e dor são marca registrada de todas as religiões, sem exceção, e as levam a cometer barbaridades contra as pessoas. Nos países onde houve a separação entre Igreja e Estado, algumas dessas práticas ficaram restritas ao âmbito religioso, atingindo apenas os praticantes desta ou daquela seita. Mas naqueles onde a separação Igreja-Estado não se consumou, ocorre um sincretismo maior entre os costumes religiosos e os costumes seculares. Por isso a burca, uma imposição religiosa constante do Corão, ultrapassou os limites da religião e passou a ser parte da própria cultura dos povos. O Corão é ensinado nas escolas; desde pequenas as crianças aprendem a ler aquelas palavras ditas sagradas; antes das refeições, os pais recitam as suras e os filhos são obrigados a repeti-las e aceitá-las, sem qualquer tipo de crítica ou questionamento.

Logo, a burca estendeu-se a toda a sociedade, e a mulher que se recusa a usá-la sofre as penas da lei e de sua própria consciência, sem contar o repúdio por parte da família, a tal ponto que a mulher que não usa a burca, mesmo de forma consciente, pode sentir-se excluída do convívio social.

Só isso já dá uma leve dimensão da gravidade do problema religioso e cultural para a soberania dos povos e o respeito aos direitos humanos. Proibir ou permitir uma prática religiosa ou cultural não é um ato fortuito, sobre o qual deputados de direita ou de esquerda possam decidir, que governantes burocratas desta ou daquela espécie possam legislar. Envolve toda a história de um povo e, como lembrou Marx já no século XIX, os costumes e as crenças são o último elemento a se transformar na vida humana. Antes é preciso transformar toda a base econômica da sociedade, as relações de produção precisam sofrer uma revolução profunda para que as superestruturas ideológicas, políticas e culturais comecem a esboçar os seus primeiros movimentos de renovação ou superação. As crenças, as ideologias, os valores humanos são tributários das relações de produção e, portanto, das condições materiais de vida.

O vexame da esquerda francesa

Nesse sentido, algo que parece simples ao governo francês que, com uma canetada, quer proibir o uso do véu, deixa de ser um problema meramente cultural, de costume ou de moda, e assume a sua verdadeira dimensão: é um problema político com sérias implicações sociais. Engana-se aquele que acha que proibir a burca é uma medida democrática, que vai libertar as mulheres. Enganam-se as feministas que aplaudem essa medida, porque assim estariam salvando as muçulmanas da opressão secular. Engana-se o democrata ou o militante de esquerda que acredita que essa lei do governo francês visa defender a liberdade religiosa.

Num momento em que os imperialismos americano e europeu travam uma guerra fratricida contra o Iraque e o Afeganistão pelo controle do estratégico da região, deixando um rastro de destruição de forças produtivas e o conseqüente desastre nas condições materiais de vida, a atitude da França, antes de qualquer coisa, é uma atitude política que colabora para aumentar o preconceito contra os povos muçulmanos que estão sendo massacrados e humilhados. E aqueles que apóiam esse tipo de repressão – porque é disso que se trata a proibição da burca - contra povos que estão sendo atacados pelo imperialismo colaboram com o agressor.

A França tem hoje a maior comunidade muçulmana da Europa: cerca de 5 milhões de pessoas. Inclusive, grande parte da classe operária francesa mais combativa é formada por trabalhadores argelinos e imigrantes vindos de outros países islâmicos. É contra eles que vem essa lei. A maioria esquerda francesa está compactuando com essa política criminosa. Foi inclusive da mente stalinista de um deputado do Partido Comunista Francês que saiu essa lei. André Guerin foi o relator da comissão que preparou a lei proposta pelo governo e é um de seus maiores defensores com argumentos em torno da luta contra o fundamentalismo islâmico. Com isso ele colocou o restante do PCF em uma saia justa, porque os demais deputados desse partido tiveram de abandonar a sala para não ter de votar contra o seu colega de partido. Quanto ao Partido Socialista, três deputados votaram a favor da lei. Os ecologistas, ao invés de votarem contra, saíram da sala para não participar da votação. Jean Glavany, deputado do PS, explicou a difícil posição do seu partido nesse debate: "Muitos de nós não podíamos votar contra o texto, porque somos contra o uso do véu integral. Mas não podemos votar a favor porque o debate sobre a burca faz parte das manobras do governo sobre a questão da identidade nacional. E a abstenção seria difícil de explicar à opinião pública".

Em sã consciência o governo francês sabe que é muito difícil que uma mulher usando a burca prejudique o que quer que seja na sociedade francesa. Esse é apenas um álibi para justificar uma campanha internacional contra tudo o que tenha a ver com os países árabes e os povos muçulmanos. A França, país que tem em sua história a vivência da ocupação nazi-fascista, sabe que o ataque aos costumes de um povo, por piores que eles sejam, é um ataque à sua auto-estima, à sua cultura, à sua história. Para subjugar os franceses na Paris ocupada, Hitler proibia a música francesa ou fazia as dançarinas de can-can se despirem diante de uma platéia de generais sanguinários. Quando Paris foi libertada, a população saiu em massa às ruas cantando a Marselhesa – hino nacional que havia sido proibido - como um grito de guerra pela reafirmação de sua identidade. Para lutar contra seus inimigos, os homens e mulheres precisam ter sua identidade fortalecida. A imposição cultural, a propaganda subliminar, a substituição mecânica e autoritária de uma cultura por outra são formas eficazes de subjugar os povos. Há séculos a burguesia aprendeu essa lição e o imperialismo não é outra política do que subjugar os povos.

Nada como apelar para um sentimento tão em voga nestes dias que correm, uma bandeira que foi hasteada pela esquerda feminista nos anos 60 e arrastada na lama pela mesma direita fascista que agora lança mão dela para humilhar os povos árabes votando essa lei no Parlamento francês. O sentimento de que as mulheres também são seres humanos é uma bandeira que, se deixada nas mãos da burguesia e do imperialismo, ganham o signo oposto e passam a servir para oprimir ainda mais as mulheres.

É o que está acontecendo com a burca. O véu islâmico integral é um elemento tradicional da cultura muçulmana. A proibição de seu uso tem a ver com a política do imperialismo de integrar os muçulmanos ao restante da população francesa ou dar a eles uma identidade cultural puramente francesa, como se a cultura boa fosse a cultura francesa, ou como se essas mulheres não tivessem cultura própria, fossem objetos inanimados. É uma espécie de limpeza étnica subliminar, uma tentativa de apagar do mapa uma cultura milenar como a islâmica.

Mulheres-zombis ou mulheres-bombas?

Os povos árabes há tempos vêm dando uma lição de soberania e coragem no Afeganistão, no Iraque, na Palestina, em praticamente todo o Oriente Médio. É preciso quebrar essa resistência. E nada como usar as mulheres para isso. A hipocrisia não podia ser maior. De fato, existe uma justa indignação em relação à situação dramática em que vivem as mulheres nesses países. As revistas burguesas estampam fotos com mulheres sendo apedrejadas. Mulheres com burcas ficam parecendo fantasmas, e grandes fotógrafos conseguem fazer fotos assustadoras dessas mulheres-zombi. Mas também existem fundamentalismos em outras religiões sem esses símbolos tão assustadores quanto a burca. Na ortodoxia judaica as mulheres são tratadas como crianças, seres incapazes de tomar decisões, e devem aceitar casamentos arranjados. A tão aclamada “mãe judia” não passa de uma escrava, proibida de fumar diante do marido e de emitir opiniões dentro de casa. No catolicismo, a mulher é um ser inferior e desprezível, uma pecadora por natureza que, para salvar a alma, deve obediência ao homem pelo resto da vida.

Faz parte da opressão que pesa sobre as mulheres em todos os povos a ideologia de que a mulher é um ser inferior, incapaz, movida pelas emoções e não pela razão. A ideologia de que mulher é mais instinto do que inteligência a aproxima da natureza, dos animais irracionais, das plantas e das ferramentas. Apesar de todos os avanços feitos no mundo contemporâneo, apesar de que as mulheres conquistaram um grande espaço na sociedade, ainda não nos distanciamos das concepções de Aristóteles, para quem as mulheres, diferentemente dos animais e das enxadas, eram ferramentas falantes.

É uma das distorções do capitalismo enxergar as mulheres como animais, apesar de a antropologia moderna haver demonstrado cabalmente que foram elas as primeiras a domesticar os animais já no período Neolítico ou Idade da Pedra Polida (para mais detalhes leia Gordon Childe, O que Aconteceu na História).

A burca esconde as expressões faciais, esconde a tristeza e também esconde o ódio, a revolta. A mulher passa a ser vista como um zombi, um ser sem expressão facial, como os animais.

No entanto, nesse caso se cumpre uma das leis mais comuns da história: o feitiço se voltar contra o feiticeiro. Por mais terrível que a burca possa parecer, os povos oprimidos costumam lançar mão justamente dos instrumentos do opressor para lutar por sua liberação. E a burca vem servindo para que as mulheres-zombis se transformem em mulheres-bombas, uma das maiores dores de cabeça do imperialismo hoje.

A raiz mais profunda da religião é o medo

No entanto, não se pode buscar a explicação para a situação da mulher muçulmana na religião ou nas relações de gênero, mas a explicação da religião e das relações de gênero na mulher real. A religião e os costumes nascem das condições concretas de vida e servem para legitimá-las.

As religiões sempre foram utilizadas pelos setores governantes para dominar os povos, escravizar e manter setores da sociedade oprimidos para serem melhor explorados.

Em um texto de 1909, Lenin demonstrava que “a raiz mais profunda da religião em nossos tempos é a opressão social das massas trabalhadoras, sua aparente impotência frente às forças cegas do capitalismo, que a cada dia, a cada hora, causa aos trabalhadores sofrimentos e martírios mil vezes mais horrorosos e selvagens do que qualquer acontecimento extraordinário, como as guerras e os terremotos. O medo criou os deuses. O medo à força cega do capital – cega porque não pode ser prevista pelas massas do povo -, que a cada passo ameaça o proletariado ou o pequeno proprietário com a perdição, a ruína ‘inesperada’, ‘repentina’, ‘casual’, convertendo-o em mendigo, em indigente, lançando-o à prostituição, levando-o à morte por inanição: eis aqui a raiz da religião contemporânea que o materialismo deve ter em conta antes de mais nada se não quer ficar como aprendiz de materialista. Nenhum folheto educativo será capaz de afastar a religião das massas oprimidas pelos trabalhos forçados do regime capitalista, e que dependem das forças cegas e destrutivas do capitalismo, enquanto as massas não aprenderem a lutar unidas e organizadas, de modo sistemático e consciente, contra essa raiz da religião, contra o domínio do capital em todas as suas formas”. (A atitude do partido operário diante da religião).

Os diversos imperialismos que tentaram apossar-se do Oriente Médio fizeram o mesmo. Depois da conquista do mundo árabe pelos otomanos, o imperialismo inglês usou a religião para lançar as massas contra o império otomano na primeira guerra mundial; soube aproveitar o sentimento anti-imperialista das massas árabes para lançá-las contra os otomanos e depois assegurar sua própria dominação colonialista.

Desde o século 19, os imperialismos têm sido os grandes responsáveis pela manutenção do atraso na região como forma de assegurar sua dominação. E, como conseqüência, têm sido os grandes responsáveis pela situação de opressão da mulher muçulmana.

Símbolos de opressão e identidade

O imperialismo coloca no véu a causa de todos os males da mulher muçulmana. É uma forma habilidosa de não admitir que a verdadeira causa desses males, ou pelo menos dos piores males, que são a fome, a miséria, a falta de empregos, que cortam o caminho da emancipação feminina, está em sua política de dominação do Oriente Médio e da Ásia Central, regiões que concentram as maiores reservas de petróleo do mundo.

O que oprime a mulher afegã não é propriamente o véu ou a burca. Esses são apenas símbolos que, inclusive já foram usados como símbolo de resistência às diversas investidas imperialistas contra a soberania e a cultura islâmicas.

A opressão da mulher, e não só da mulher muçulmana, mas de todas as mulheres trabalhadoras e pobres, se agrava conforme se agravam as condições de vida. A pilhagem imperialista contra os países árabes torna cada vez mais distante a solução do problema da mulher porque agrava a situação econômica, aumenta a fome e a miséria, a falta de emprego e das condições básicas de vida.

Sejamos categóricos: se o imperialismo americano e europeu conseguem aplicar seus planos no Oriente Médio, o horizonte para a mulher muçulmana ficará ainda mais dramático, com ou sem a burca. Porque a pilhagem imperialista na região, o pisoteamento da soberania dos povos árabes e o desprezo por sua cultura, não encontrarão obstáculos.

A síntese de Lenin, de que nenhum folheto educativo ou curso de cidadania será capaz de afastar a religião das massas oprimidas pelos trabalhos forçados do regime capitalista, enquanto as massas não aprenderem a lutar unidas e organizadas, de modo sistemático e consciente contra o domínio do capital em todas as suas formas é perfeitamente aplicável no caso da burca e outras imposições culturais e religiosas. Serão as próprias mulheres muçulmanas, com suas lutas, que irão se conscientizar e superar suas travas. Não será um governo imperialista a liberá-las.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Não deixe as grandes redes de TV decidirem em quem você vai votar Leia abaixo carta de Zé Maria reivindicando democracia nos debates eleitorais e na



Companheiros e companheiras,

As eleições em nosso país já sofrem uma enorme interferência do poder econômico. Candidatos que gastam centenas de milhões de reais numa campanha que massacra a consciência das pessoas para tentar ganhar as eleições geram, obviamente, uma situação de desigualdade na disputa.

E este quadro está tremendamente agravado nestas eleições. As grandes redes de televisão (Globo, Bandeirantes, etc) estão se dando o direito de mostrar à população através de seus noticiários e entrevistas, apenas três candidaturas, e não as nove que estão regularmente inscritas no TSE. O mesmo acontece com os grandes jornais, como a Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo.

Agora, nem nos debates que estão sendo promovidos na TV está sendo permitida a participação de todos os candidatos. E não se trata de um impedimento legal, como alguns meios de comunicação argumentam. A lei é clara: os candidatos de partidos com representação parlamentar tem presença garantida. Aos demais é facultado o direito de participar. Ou seja, a lei permite. São as empresas privadas que controlam os meios de comunicação que decidem não apresentar as demais candidaturas, e impedir sua participação nos debates.

Gera-se assim um vício insanável para qualquer eleição que se pretenda democrática: uma parte muito grande da população brasileira vai votar em 3 de outubro sem sequer saber quais os candidatos que estão concorrendo. O programa eleitoral gratuito do TSE também reproduz esta desigualdade, pois poucos candidatos possuem muito tempo, enquanto a maioria tem um tempo muito reduzido. Assim, quando o eleitor chega a tomar conhecimento destas candidaturas, não tem como saber quais são suas propostas.

De uma só vez, as redes de TV e os grandes jornais desrespeitam dois direitos fundamentais no processo eleitoral: o direito de o eleitor saber quais são os candidatos e o que propõe cada um deles; e o direito dos candidatos inscritos junto à Justiça Eleitoral do país, de expor aos eleitores as suas propostas. Só assim seria possível o eleitor votar com consciência, escolhendo dentre todos os candidatos aquele que lhe pareceu melhor. Fora isso, a eleição se transforma em manipulação.

E é isso que vem sendo feito pelas redes de TV e pelos grandes jornais do país. E, infelizmente, até agora a Justiça Eleitoral não tomou medidas para coibir esta prática.

Esta carta que envio a todos e a todas é para conclamar aos trabalhadores, aos jovens, todos os democratas do país, a que protestemos contra essa situação. Que exijamos que os candidatos tenham chances iguais de defenderem suas idéias. Apenas o eleitor, e ninguém mais, pode decidir qual é bom e qual é ruim para o país. Não os donos das empresas de mídia. As TV’s em particular, que apesar de serem empresas privadas, funcionam sob concessão pública, tem a obrigação de assegurar informação isenta aos eleitores.

Independentemente de acordo ou não com a nossa candidatura, cobremos todos, por democracia no processo eleitoral. Protestemos contra a manipulação da grande mídia. Defendamos o nosso direito democrático a uma informação correta e sem manipulação por parte dos meios de comunicação de massa.

Proteste repassando esta carta a todos os seus contatos e pedindo a eles que repassem nas redes sociais (orkut, facebook) e assim por diante. Envie cópia para as empresas de comunicação, como forma de cobrança para que todas as candidaturas tenham espaço para expor suas ideias e para que a população possa decidir com consciência em quem votará nas eleições de outubro. E envie cópia também para o TSE, como forma de pedir providência da Justiça Eleitoral sobre essa situação.

Desde já, agradeço antecipadamente a sua atenção,

Zé Maria – metalúrgico e candidato à Presidência da República pelo PSTU

PROTESTE!
# Envie mensagem aos grandes jornais e emissoras de TV

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

MINHA PAIXÃO POR ESSA BANDEIRA, MEU ORGULHO POR ESSE PARTIDO!





Escrito por Hertz Dias- Militante do Quilombo Urbano e candidato a vice-governador do Maranhão pelo PSTU.

Quem me conhece sabe das inúmeras declarações de amor que já fiz ao Quilombo Urbano especialmente em minhas canções. O Q.U. é pra mim tudo aquilo que P.R.C. também expressa na belíssima canção “Família”. Mas, meus amores e paixões, além de minha esposa, filhos e parentes, não param por ai. Hoje me orgulho de está igualmente militando no PSTU do Maranhão, isso não só pelo fato de ser candidato a vice-governador, pois num partido revolucionário ser candidato não é sinônimo de status, é de desafio, mas por saber que estou num partido que honra a minha trajetória de vida e de militância política tanto quanto o Quilombo Urbano honrou ao longo de mais de 20 anos. Como diz meu irmão camarada Marcos Silva “O PSTU não é só um partido da ficha limpa, mas da bandeira também” e é verdade Marcos. Numa sociedade onde prevalece o individualismo, como principio supremo do capital, nossos militantes não falam e não aparecem como seres atomizados, não prometem como fazem os “salvadores da pátria”, não dizem “no meu governo eu vou fazer isso e aquilo”.

Nossos militantes defendem um programa construído pela experiência e necessidades concretas de nossa classe, um programa que só poderá objetivar-se se a classe trabalhadora tomar de fato como SEU. É isso que me apaixona no PSTU. Meu partido não está acima da classe, assim como nenhum de nossos militantes flutuam acima do partido. Para nós a palavra Partido significa tomar posição pela classe trabalhadora contra a burguesia, significa está na luta com os negros, com as mulheres e demais setores oprimidos e explorados da sociedade. Partido para nós é coletividade; é o intelectual coletivo de nossa classe. Para os outros, Partido é mesmo sinônimo de cocha de retalho onde prevalece o nome dos candidatos, onde os mais ricos aparecem acima do coletivo, onde o parlamentar não milita, manda, não convence, impõe.

No meu partido o “centralismo democrático” é expressão da equidade na coletividade. No olhar camaleônico dos outros Partidos “povo”, em época de eleição, se transmuta em “eleitores”, para nós o “povo pobre” continua sendo classe trabalhadora. Os outros partidos disputam votos, ou melhor, compram votos, nós disputamos a consciência de nossa classe. Meus irmãos militantes não sentem vergonha de dizer que são socialistas, não rebaixam o programa e o discurso para ganhar votos. Meu partido é eco-socialista, mas não se alia nem com “Verdes”, nem com “Tucanos” e nem com aquela estrela que capital ofuscou. Meu partido também não aceita dinheiro de empresários, meu partido não é mercadoria. Tenho orgulho de ser de um partido de muitos intelectuais que humildemente e apaixonadamente defendeu como candidato a presidente da república um operário que nunca freqüentou as salas das universidades; em meu partido os “Zés” são respeitados e valorizados. Mas, Zé Maria de Almeida não é um operário qualquer, ele é um daqueles que militou e foi preso juntamente com o ex-operário Lula, que com ele ajudou a fundar o PT e a CUT, mas que diferente de Lula e de muitos outros preferiu abrir mão do PT e da CUT a abrir mão da defesa dos interesses da classe trabalhadora.

Meu partido no Maranhão também tem um candidato a governador que é “peão” que pra burguesia é “osso duro de roer”, o camarada Marcos Silva, assim como muito de nós espalhado pelo Brasil afora. Minha vice-presidente é negra, é nordestina, é maranhense e, acima de tudo, é de luta. Meu partido é assim, com defeitos, é claro, mas com militantes orgulhosos e apaixonados, um partido que honra a bandeira que empunha por que empunha uma bandeira que tem honrado a trajetória da classe trabalhadora na luta pela construção socialismo nesse país. Meu partido, repito, é o PSTU.

CANDIDATO A PRESIDENTE DO PSTU EM SÃO LUÍS

Cláudia Durans - Vice




José Maria de Almeida, candidato do PSTU a Presidente, chega a São Luís nesta segunda-feira.

O candidato do PSTU à Presidência da República, José Maria de Almeida, visita a capital maranhense pela segunda vez nesta segunda-feira (16). Ele esteve na cidade no final de maio ainda como pré-candidato. De volta ao estado, o candidato socialista terá uma agenda em São Luís, que inclui entrevistas na imprensa local e caminhada pela Rua Grande na terça-feira. A chegada de Zé Maria está prevista para o início da manhã de segunda.

Zé Maria irá apresentar os principais pontos do programa socialista de governo. “Nossa principal proposta é romper com o modelo econômico que esta aí, que garante os lucros das grandes empresas, e sacrifica os trabalhadores”, afirma. Além dos candidatos do PSTU ao governo do Estado (Marcos Silva), ao Senado (Noleto e Claudicéa Durans), a professora da UFMA Cláudia Durans, vice de Zé Maria, irá acompanhá-lo nas atividades junto aos trabalhadores da capital.

Abaixo, seguem as atividades do candidato em São Luís.

Segunda-feira, dia 16

-Manhã: concede entrevista coletiva para a imprensa local a partir das 9h30 na sede do PSTU no Monte Castelo.

Almoça com sindicalistas e militantes do movimento popular na Feira da Praia Grande.

-Tarde: Concede entrevista à programa de rádio.

- Noite: Plenária de campanha na sede do partido a partir das 19h Terça-feira, dia 17

- Manhã: Concede entrevista com a imprensa.

- Tarde: Caminhada e bandeiraço pela Rua Grande com concentração a partir das 15h na Praça João Lisboa

- Noite: Atividade político-cultural a partir das 19h30.

Ferramentas já eram usadas muito antes do que se pensava



PARIS (AFP) - Os ancestrais do homem moderno começaram a utilizar ferramentas de pedra para consumir a carne ou a medula óssea de grandes mamíferos há aproximadamente 3,4 milhões de anos, ou seja, 800.000 anos antes do que se acreditava até agora, segundo estudo publicado nesta quarta-feira.

A famosa australopithecus Lucy, cujos restos foram encontrados na Etiópia em 1974, pode ter utilizado ferramentas de pedra, segundo a equipe internacional de paleontólogos dirigido por Zeresenay Alemseged, da Academia de Ciências da Califórnia.

"Agora, quando imaginamos Lucy buscando comida na África do Leste, a vemos com um utensílio de pedra na mão, em busca de carne", afirma Shannon McPherron, em um comunicado do Instituto de Antrolopogia Evolutiva Max Planck da Alemanha.
Dois ossos fossilizados foram encontrados na Etiópia, um fêmur de um mamífero do tamanho de uma cabra e uma costela de um animal grande como uma vaca, com marcas de golpes, talhos e cortes, indicando a utilização de ferramentas de pedra para extrair a carne ou a medula óssea.

Os fósseis encontrados em Dikika, no nordeste da Etiópia, datam de 3,39 milhões de anos, segundo as análises, antecipando em 800.000 anos um momento chave da evolução do homem.

"Esta descoberta avança consideravelmente o momento a partir do qual nossos ancestrais mudaram completamente as regras do jogo", declarou Alemseged no comunicado.

"A utilização de utensílios modificou enormemente sua interação com a natureza, permitindo a eles comer novos tipos de comida e explorar outros territórios", acrescentou, acrescentando que será preciso revisar nossos conhecimentos sobre a evolução humana.

"Isso quer dizer que os 'Australopithecus Afarensis' como Lucy ou a bebê Selam utilizavam utensílios de pedra".Selam, uma australopithecus morta aos três anos de idade, teria vivido há 3,3 milhões de anos, 200.000 anos ante de Lucy.

Até agora, as provas mais antigas da utilização de utensílios de pedra ou de animais provenientes de Buri ou Gona, na Etiópia, remontavam a 2,5 ou 2,6 milhões de anos, recordam os autores deste estudo, publicado na revista Nature.
Mas os pesquisadores ainda não foram capazes de estabelecer se os utensílios eram fabricados.

"Um de nossos objetivos é voltar onde encontramos os fósseis e tentar achar os utensílios", afirmou McPherron.

Os pesquisadores sugerem que só o fato de utilizar tais utensílios mostra que nossos ancestrais competiam com outros carnívoros pela comida, e que isso pode ter iniciado o trabalho em equipe dos humanos.

Fonte:http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100811/saude/ciencia_paleontologia

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Parabéns, Plínio



Eduardo Almeida Neto
da Direção Nacional do PSTU e editor do Opinião Socialista

Plínio, antes de mais nada, parabéns pelo desempenho no debate da Band. Aquilo estava uma chatice enorme. O Serra não pode bater no governo para não perder votos, a Dilma tem as limitações mais que conhecidas como debatedora. Você, ao contrário, teve uma presença importante. Questionou todos eles em defesa de bandeiras caras a todos nós como reforma agrária e redução da jornada de trabalho. Com suas tiradas irônicas, deu um ar mais divertido àquela mesmice sonolenta.

Vivemos um monstruoso boicote da mídia que impede que outras candidaturas sejam conhecidas pelo grande público. Por isso foi muito importante ter alguém de esquerda como você nesse debate, com todos os outros na direita.

Não queria, no entanto, me somar ao coro bastante grande dos que só te elogiam. Como dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Vai então aqui, depois do elogio, dois reparos.

O DEBATE NÃO FOI "DEMOCRÁTICO"

O primeiro foi você ter classificado o debate como “democrático” logo em sua fala inicial. Todos sabem -e você também- que não houve democracia. Excluíram no campo de esquerda tanto o PCB como o PSTU. As emissoras têm obrigação de convidar os partidos com representação parlamentar, como o PSOL. Mas podem, se quiserem, convidar outros partidos, e não o fizeram.

Não pode ser que o PSOL fique satisfeito por estar incluído, deixando de protestar pela exclusão do resto da esquerda. Creio que teria sido mais justo ter falado sobre isso no debate, ao contrário de elogiar a democracia que não existiu. Essa, aliás, é uma reivindicação concreta: creio que seria importante fazer isso nos próximos debates.

A AUSÊNCIA DO SOCIALISMO

O segundo tema é a ausência do socialismo de todo o debate. O único que poderia defender isso seria você, o que não aconteceu. O motivo é claro: esse não é seu programa. De acordo com sua entrevista na Folha de S. Paulo (01/08/2010): “Eu não pretendo implantar o socialismo no Brasil e nem é a pretensão do meu partido agora. Vou fazer uma proposta dentro do marco do capitalismo. As únicas formas socializadas que vamos ter são a saúde e a educação”.

Você defende um programa de redução da desigualdade social no marco do capitalismo, um capitalismo com rosto humano. Esse foi um dos motivos fundamentais pelo qual o PSTU e o PSOL não chegaram a uma aliança nessas eleições. Nós discordamos dessa proposta e defendemos um programa socialista.

Não acreditamos em reforma do capitalismo, embora lutemos por reformas parciais. As grandes empresas não estão dispostas a reduzir sua taxa de lucros. Ao contrário, brigam com todos os recursos que têm- o que inclui disputas eleitorais e golpes- para aumentar os lucros e não reduzi-los. No momento atual da globalização, podem simplesmente mudar as empresas para outro país.

Como você seguramente se lembra, a redução das desigualdades no marco do capitalismo foi a proposta do PT por 19 anos, antes de chegar à presidência. Esse é o famoso programa “democrático e popular”. Por anos e anos se educou a vanguarda brasileira que era possível governar junto com a burguesia progressista para reduzir a pobreza. Ao chegar ao governo, o PT passou simplesmente a administrar o capitalismo. Hoje, depois de dois mandatos de Lula, pode-se ver o resultado dessa estratégia.

Nós vamos defender nessa campanha eleitoral um programa socialista. Não acreditamos que estamos à beira de uma revolução, e menos ainda que através das eleições possamos chegar ao socialismo. O motivo pelo qual estamos defendendo um programa socialista não é nenhum desses. Nós simplesmente acreditamos que a revolução socialista é a estratégia correta, e vamos aproveitar a eleição para discutir isso com os trabalhadores. Não vamos ficar, evidentemente, só receitando fórmulas abstratas. Vamos trazer o programa estratégico para propostas simples em relação aos salários, emprego, saúde e educação.

Não queria terminar esse texto sem voltar a te cumprimentar pelo debate. Você defendeu muito bem uma proposta com a qual não concordo.